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domingo, 22 de agosto de 2010

TAJANA - José Martins de Oliveira

Filho de João Martins e Ana Clara, oriundo da rua do Regato da Sola a caminho da Laje da Judia, em casa com varanda de granito com alminhas por perto, vizinho do ti Zé Saraiva e do Ti Domingos Laroupo, para quem um só meio quartilho era pouco, herdou de seu pai, tal como os restantes irmãos, o apelido de TAJANA.

E Tajana porquê?
Seu pai, João Martins jogava com outras crianças, aos botões...
Jogava com uma marca em chapa, botão de chapa que saltava melhor que os vulgares botões e que na bolsa de valores do outeiro tinha uma cotação de 10 vulgares botões.
E ao jogo, ao João Martins, naquela sombria manhã as coisas não corriam nada bem... estava a perder para todos, e, no livro de assentos, a dívida em botões já superava o PIB amealhado na metálica marca que maravilhava ouvidos de criança, no toque em parede de rebôco picado e no tilintar de sobrado.
Até se dizia no Outeiro... se queres namorar a minha mana pede a marca ao tajana...
A um devia 5 botões, a outro mais 2, até ao filho da Laroupa que tirava botões à roupa, devia sete...
Teso, sem crédito, com credores não à porta mas já à perna, um deles, credor em gesto irreflectido, arrebata e foge com a marca...
Gritando, correndo atrás dele, vociferava... dá-me a minha botanjana... dá-me a minha botanjana... dá-me a minha botanjana...
De botanjana... a língua popular fez o resto, passou a Tajana.
Em TajANA qual simbiose perfeita está a sua mãe, ANA.
O ti Zé Tajana tem 76 anos, casado e tem um filho.
Aos 10 anos já andava pela Marinha Grande, foi operador de maquinas pesadas, caterpilar, condutor de cilindros a lenha e emigrou mais tarde.
Sportinguista de muitos costados, não tem tido por ali muitas alegrias... sabe esperar...
No CDA como seccionista colaborou ajudando a equipa, mas foi na construção da sede do Grupo Onomástico os Josés de Alcains que o Ti Zé Tajana se notabilizou.
A um pedia mobília, a outro terreno, acoli uma rectroescavadora, acolá blocos e cimento.
Tratava do petisco, moço de fretes e recados para que nada faltasse aos que, menos abonados, pagavam em trabalho semanal de pedreiro, rebocador, ladrilhador.
Naquela explêndida sede, infelizmente com muito pouco uso, o ti Zé Tajana deu tudo o que tinha pelo que me parece justo este apontamento, corroborado pelo meu pai e pelo Ti Zé Penedo (churro), já falecido, que me contavam do entusiasmo do Zé Tajana.
É certo que outros serão dignos de igual mérito mas cada coisa a seu tempo.
Ao pé dele está-se bem pois tem muitas histórias para contar... é uma malhação...
Relembro apenas uma:
Diga-me lá, se já não se recorda do seu melhor amigo em França, aquele que lhe valeu quando aquele azar se deu?
Parece que só em náperons foi gaveta cheia!!!
A propósito, conhece em Alcains o Sr.José Martins de Oliveira?
-Não.
E o Zé Tajana?

Manuel Peralta

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