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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

CARDOSOS e CASTILHOS...

...e se o motivo para Terra dos Cães... fosse???

Habituámo-nos há muito a ouvir que o quase sub-título Terra dos Cães estaria associado a Alcains, porque quando das invasões francesas, estes teriam encontrado por aqui gente que se lhes opunha e defendia como cães. Nem sei se esta ideia tem subjacente algum fundo verídico, mas creio que é o que a maioria dos alcainenses pensam.
No entanto o livro “Cardosos e Castilhos Albicastrenses – À Volta dos Palácios” – do prof catedrático e artista plástico José Martins Barata de Castilho, vem abrir algumas pistas, sem rigor histórico, mas muito de intuitivo, sobre este conceito de sermos da Terra dos Cães.
No livro citado, o autor refere a vinda para Portugal, cerca de 1500, de três Castilhos naturais da Cantábria; dois irmãos, arquitectos,  


Juan de Castilho e Diego de Castilho; outro João de Castilho, veio para Castelo Branco, onde casou com D. Joana da Costa. Provavelmente este Castilho, seria aparentado com os anteriores. Estes três Castilhos até nem terão sido os primeiros a emigrar para Portugal, mas são aqueles que em certa medida é possível pesquisar o seu percurso.  
João de Castilho era fidalgo de linhagem, não se conhecendo porém os motivos que o trouxeram para Castelo Branco, onde como já se referiu casou com uma menina albicastrense de família nobre.
A pág 58, escreve o autor “(...) Os Castilhos albicastrenses descendem de um fidalgo cantábrico ou “biscaínho”- do Golfo de Biscaia – que casou em Castelo Branco (...)” não se sabendo exactamente o nome da povoação cantábrica de origem, mas que, “(...) poderá ter sido de qualquer uma das povoações cantábricas a leste e oeste de Santander, ou mesmo desta cidade, onde houve solares de “Castillos”(...)” E mais adiante o autor, refere que a Heráldica de Cantábria, refere que “(...) Castilho (Castillo) é um apelido de fidalgos cantábricos que teve origem no lugar de Castillo (município de Arnuero, Cantábria) onde se localizava o seu primeiro solar.(...)” Eram fidalgos com armas e brasões, conquistados nas pelejas associadas à reconquista cristã da Península Ibérica aos mouros.


Portanto  os Castillos (Castilhos) vieram e pelo país se disseminaram.  
Em particular na Beira Baixa, há muitos Castilhos, sobretudo em Penamacor e ainda em maior número, em Alcains. E nas armas e brasões dos primeiros, predominavam os cães, como as fotos demonstram. E em Castelo Branco e mais tarde no Fundão, o seu Brasão  o comprovam.
Daí que na apresentação do livro em meados de Maio em Castelo Branco, no palácio que o autor do livro recuperou, tenha vindo à baila que talvez fosse a enorme quantidade de Castilhos em Alcains e os elementos que compõem o Brasão dos seus antanhos, que tenha trazido para esta terra o apelido pelo qual nos conhecem e do qual nos orgulhamos.
E se assim fosse, e não tenho argumentos científicos que o defendam, seria altura para repensar o Brasão desta terra, conjugando porque não, os Canteiros e os Cães.


O tema é interessante e até deixo aqui uma sugestão às autoridades autárquicas : que sem qualquer carácter reivindicativo mas apenas formativo, numa das habituais cerimónias com que é comemorada a elevação a Vila, convidem o Prof José Martins Barata de Castilho a vir falar sobre os Castilhos de Alcains. Ele que eu conheci, em finais da década de 50, na Escola Industrial e Comercial de Castelo Branco, embora mais antigo que eu, como José Martins Barata, do Comércio, talvez na altura o melhor aluno da instituição.


A sua luta para integrar no seu nome, “de Castilho”, apelido do avô, começou em 1969 e tal revelou-se impossível. Em 2011, voltou a tentar e conseguiu alcançar o seu objectivo.
Teve um percurso académico notável, de que um velho amigo que já partiu, Pelejão Marques, por vezes me falava, mas desconhecia o seu interesse no domínio das Artes Plásticas. E foi para expor as suas obras, que recuperou na zona histórica de Castelo Branco, um palácio em ruínas.
O livro surgiria por acréscimo.  Só me resta sugerir a sua leitura.
MC
Abrantes 2013.06.10


Nota. Como já repararam este texto do José Minhós Castilho pretende dar uma outra abordagem sobre a origem da terra deles...
Como ele diz, e bem, este blog é como um albergue espanhol, cabe sempre mais um, mesmo que não traga merenda...
Digo eu que, a um bom apetite, não interessa ruim tempero.
Tenho em armazém outros temas, nomeadamente do Manuel Geada, que a seu tempo serão dados à estampa.

Manuel Peralta

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