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quarta-feira, 1 de abril de 2020

O COVID-19 e a nossa terra

Dou a conhecer, carta que fiz aos responsáveis da Junta e do Lar, sobre este assunto.


Sr. Presidente da Junta da Freguesia
Sr. Presidente do Lar Major Rato

Na qualidade de cidadão interessado com o que se passa na nossa terra, Alcains, e sabendo das debilidades existentes um pouco por todo o lado, aliado ao facto de ter passado por ambas as instituições, Junta, na qualidade de presidente, e Lar Major Rato no Conselho Fiscal, no tempo da gestão do Sr. Luis Amaro Lopes, vulgo Luis Pequeno, venho tentar ajudar, alertando para o seguinte.


1. Não há conhecimento, por enquanto, de que haja hoje, qualquer caso de contaminação no nosso concelho.
2. Este facto, espero que se mantenha, mas nada nos deve impedir de nos irmos preparando para que um dia, o nosso concelho e a nossa e outras terras, não venham a ser contaminadas.

Que podemos então fazer, preparando um cenário de contaminação?


3. Ao nível dos meios.

3.1. No seminário de Alcains, existe uma estrutura, que já albergou, 70 a 80 seminaristas, com camas, cozinha, e um razoável ginásio, que poderia servir de hospital para doentes ficarem isolados e ali serem tratados, ou para quarentenas.
3.2. Existe ao  lado um campo de futebol onde poderão ser montadas tendas, hospitais de campanha.
3.3. Temos as salas de aula do Ciclo Preparatório bem como o respetivo ginásio fechados.
3.4. A Casa do Povo que recentemente foi objeto de obras de requalificação, também pronta a receber doentes.


4. Ao nível dos cuidados/precauções.

4.1. Todos os sábados no Mercado Municipal, na praça, se aglomera um elevado número de vendedores e compradores.
4.2. Como nem todos os vendedores cabem na praça, alguns ocupam a rua do hospital.
4.3. A exiguidade das instalações é notória, a anarquia de movimentos e a total ausência de disciplina de movimentos existente no local, permitem prever o pior.
4.4. É frequente ver familiares e amigos, quer quando vão quer quando regressam da praça, a falar com os idosos do rés do chão do Lar, na rua 25 de Abril.
4.5. As instituições que têm tratado este assunto a nível internacional, prevêm réplicas, segundas vagas, e exigem disciplina, pelo que temos de estar preparados para ir sobrevivendo, durante muito tempo, enquanto não houver vacina.


Presumo que estas situações já terão sido objeto de análise e solução perante as autoridades existentes para a nossa proteção.
Este meu email não tem outro objetivo que não seja ajudar. Dar-lhe-ão o interesse que merecer.


Ao dispor
Manuel da Paixão Riscado Peralta

segunda-feira, 2 de março de 2020

Qualidade de vida em Alcains

Exposição à nova Presidenta da CCDRCentro, Dr.ª Isabel Damasceno


From: Manuel Peralta
Sent: domingo, 1 de março de 2020 10:06
To:
Cc: 'geral@ccdrc.pt'
Subject: Ribeira da Líria em Alcains - Poluição

Boa tarde Srª. Presidenta da CCDRCentro.
Dr.ª Isabel Damasceno.


Manuel da Paixão Riscado Peralta, residente em Alcains em propriedade confinante com a ribeira da Líria, vem dar nota da seguinte situação ambiental.


1. Junto à ribeira, e em plena dita “Zona de Lazer de Alcains”, está instalada desde há cerca de 35 anos, a estação elevatória de esgotos domésticos da vila.
Nesta estação, quando os efluentes atingem determinado volume no depósito de decantação, são bombeados para a ETAR de Alcains, localizada no cabeço do carvão a cerca de 4 quilómetros da dita estação.
Sempre que chove um pouco fora do normal, as bombas mostram-se insuficientes para bombear todo o caudal, e o esgoto sem qualquer tratamento, acaba por fluir para a ribeira.

(Saída dos efluentes industriais da Oviger)

2. Por outro lado, a existência de um matadouro em Alcains da empresa OVIGER, debita na ribeira diretamente, também na dita Zona de Lazer, os efluentes industriais ali produzidos. 
No matadouro existe uma ETAR, mas em dias de matança, chega por vezes a correr sangue claro. Os proprietários confinantes naquela zona da ribeira queixam-se sem sucesso quer pelos maus cheiros, quer por toda uma fauna desde ratazanas que invadem a ribeira e as suas propriedades.


3. Arhtejo, APA, IGAOMAOT, SEPNAGNR, CCDRC, CMCB, SMASCB, conhecem a situação. 
Os SMASCBranco passaram a situação referida em 1 à extinta Águas do Centro, que agora caiu nas mãos da ALVTejo. 
A situação referida em 2, em nada se alterou, passou da extinta CONSAL para a agora OVIGER e o problema persiste.
Concluo que passam as várias administrações e os problemas por cá ficam, o que não me surpreende…


4. A estação elevatória nunca foi objeto de qualquer modernização, continua com os mesmos equipamentos com que foi instalada. No verão, os maus cheiros e nuvens de melgas e mosquitos, invadem toda a zona circundante sem que nada seja feito. Quanto ao matadouro, o Comendador Joaquim Morão, enquanto presidente da CMCBranco, prometeu que ao longo da ribeira, em comum com as entidades que ali têm responsabilidades, instalar um coletor, cerca de 400 metros, e drenar para a ETAR de Alcains os efluentes do matadouro.
Nada foi feito.

5. Sei que no tempo das Águas do Centro, estava a ser feito um projeto para retirar a estação elevatória do circuito, mas até ver, nada. Zero.


Drª. Isabel Damasceno, nova Presidenta da CCDRCentro.
Ao dar conta desta situação, pretendo que faça o que estiver ao seu alcance, para ajudar Alcains a resolver este problema ambiental. Colocar as entidades com responsabilidades no assunto, conjuntamente a resolver esta questão, será um primeiro passo.
Sei, melhor dizendo, imagino as suas dificuldades, mas pode ser que se faça luz, e que, com a sua intervenção, todos possamos ter uma vida com um bom ambiente.
Muito obrigado e ao dispor.


Manuel da Paixão Riscado Peralta
Alcains.

Nota. As fotos são de hoje, zona de lazer, ribeira e da saída dos efluentes industriais da Oviger, hoje fechada.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Do Livro ao Cepo


Pelo Natal, em conversa descontraída com o meu neto Tomás Peralta sobre a sua vida, atividade escolar, e outras inúmeras ocupações dos seus tempos livres, acabámos por nos deter no escutismo, que também frequenta, escutismo de Baden Powel, de matriz religiosa, cristã, por onde, noutros tempos também andei com muitos amigos que hoje mantenho e, até com muitos anti-escuteiros da altura, que, de anti, apenas o tinham de nome, Ezequiel, Minhós Castilho, Joaquim Bispo, Joaquim Manuel entre outros.
Desde a BA, (boa ação) diária onde nos sentámos, viajámos pelo acampamento até ao fogo de conselho, acampando num tema, entre outros, sobre a natureza até à criação do mundo.
Dizia-me ele que a sua assistente lhe tinha dito que  “foi Deus que criou o mundo, e depois de criar o mundo, criou o HOMEM. (Adão e Eva)”. 
E o cepo, atagantou-se, embatucou.


Não o contraditei, atagantado, de garganta seca, apertada, a custo, sem cuspo, lá lhe fui dizendo que essa era apenas uma ideia sobre a criação do mundo, mais coisa menos coisa, encanando a perna à rã, mas que mais tarde haveria de aprender que, sobre quase tudo, haverá sempre mais que uma ideia, e que o melhor a fazer, era respeitá-la. Era ainda muito cedo, nove “horas/anos” para falar de fé.
Assim disse o cepo ao livro.
Vim  para a minha casa, na Terra dos Cães, com este aperto. 
Como agora, aposentado, tenho todo o tempo do mundo para deliberadamente “continuar a prejudicar gravemente a ignorância”, comecei a ler um livro que estava há algum tempo, em fila de espera na cave, para ser atendido.


E fez-se luz. E sobre este tema da criação do mundo, ao que li, apareceu mais uma ideia.
Aristóteles dizia que a terra era eterna, e que, sempre fora muito parecida com a terra do seu tempo. Em 1642, Sir Thomas Browne dizia que o tempo é apenas cinco dias mais velho que nós, pretendendo com isto dizer que, segundo o Livro de Génesis, onde se conta a história da criação, DEUS só criou Adão e Eva ao sexto dia, e que durante os cinco dias anteriores, DEUS, criou a Terra, o Céu, as Estrelas, o Sol, a Lua e, todos os animais e plantas.
Para os cristãos, Baden Powelnistas, o nosso planeta, a terra, foi portanto criada pouco antes de Adão e Eva habitarem o jardim do Éden e aí viram pela primeira vez a Luz do sol, que já existia.
Tal situação, inseria-se no que estava escrito no Livro de Génesis, presumindo-se que os seis dias da criação correspondiam de facto a seis longos períodos, e que a Bíblia apenas descreveria a última criação, a era dos seres humanos.


Divididos entre “Catastrofistas” e “Uniformistas”, os geólogos de então, os primeiros acreditando que os vulcões, os sismos, os tsunami e as inundações ajudavam a escrever a história da terra, por detritos encontrados que terão sido arrastados para grutas, e até que os grandes pedregulhos espalhados pelos campos, resultavam do dilúvio de Noé, os segundos, capitaneados por Charles Lyell, 1830, partindo do princípio de que as forças geológicas que atuam na terra seriam sido sempre uniformes, (as mesmas), pois no seu tempo também houve sismos, inundações e que sempre que ocorriam, alteravam os locais onde ocorriam.
Esta ousadia punha em causa a doutrina vigente, pois dava aos geólogos, a liberdade de interpretar a História da Terra, sem a interferência da Igreja, acabando assim com o catastrofismo e as explicações miraculosas como o dilúvio de Noé.


Eu que andei na doutrina, na catequese, como anda agora o meu neto Tomás, não me ensinou a catequista que, “doutrinar, catequizar, é aprender sem perguntar”, e assim vivi até aos setenta anos, feliz, muito feliz com as catequizações a que fui sujeito.
Só que a vida entretanto mudou muito.
A minha felicidade não mais será igual à dos meus netos, pelo que quero deixar ao Diogo, Tomás, Tiago e Clara, não a minha doutrina, mas que a pouco e pouco se vão interrogando e que, ao longo vida, vão perguntando sempre, PORQUÊ?


Manuel Peralta


Nota de dicionário, Cepo - toro, pedaço de tronco de árvore cortado perpendicularmente ao eixo, coisa grossa, volumosa, sem feitio, biloto em que o carrasco decepa a cabeça dos condenados, pessoa rude, bronca, estúpida.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

RECOMEÇAR


Decidi após seis anos da morte de meu PAI e três de minha MÃE, voltar à escrita.
O meu filho, será novamente o meu editor.
Acumulei entretanto material para continuar.
Terra dos Cães, blogue fiel e amigo do homem, irá estar mais convosco.
Obrigado.
Vamos a isso.

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Manuel Peralta
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Ribeira da Líria – Correspondência


From: Manuel Peralta
Sent: sexta-feira, 24 de janeiro de 2020 13:27
To: 'geral.adlvt@adp.pt'
Cc: 'igamaot@igamaot.gov.pt'; 'GNR_CTCasteloBranco_SEPNA'; 'geral@ccdrc.pt'; 'geral@sm-castelobranco.pt'; 'camara@cm-castelobranco.pt'
Subject: Estação elevatória de efluentes domésticos de Alcains. Deficiente funcionamento


Bom dia Senhora Dona Cláudia André, Coordenadora do Departamento  de Clientes, Produtos e Serviços, da Direção Comercial da Administração das Águas do Vale do Tejo, SA.


1. Respondo agradecendo a sua resposta cuja cópia se encontra em attach.
Sou vizinho da estação elevatória, na avenida 12 de novembro em Alcains. Observo o movimento diário agora das viaturas das AVTejo, como ontem observava as das ADCentro e, anteontem as dos SMASCBranco.
A sua estimada carta, em nada difere das que, as empresas que a antecederam me enviavam… só muda o logótipo das empresas… quanto ao resto… words, words, words.


2. A estação no verão é uma vergonha quanto a maus cheiros e mosquitos, e a sua empresa e as anteriores nada fizeram, em nada modernizaram o degradado equipamento que receberam.


3. Ao poço, depósito dos efluentes, acedem todo o tipo de dejetos oriundos das sanitas, que por sua vez, bloqueiam o funcionamento das bombas, isolando a entrada de efluentes nas mesmas.
A manutenção que se faz é quase exclusivamente corretiva, quando deveria ser preventiva.


4. Esta semana, os SMASCBranco taparam um buraco no pote de esgoto onde, sempre que o deficiente funcionamento das bombas da estação elevatória ocorria, o esgoto corria a céu aberto para a ribeira, vindo deste pote.
No futuro, deixará de ser visto a olho nu, mas decerto que na sanita ou bidé de casa de banho mais baixa, o efluente dará notícia de que existe.
Verá que é apenas uma questão de tempo.


5. A estação, no local onde está, na avenida que tem o nome da data em que Alcains foi elevada a vila, 12 de novembro de 1971, é um atentado ambiental à qualidade de vida dos alcainenses … os mais próximos são os que mais sofrem com a inoperância das sucessivas administrações que passam, e os problemas ficam. Queixo-me, afeta-me, não sou hiopócrita.
Em tempos uma empresa de topografia de Leiria, com quem estive no local, no tempo da ADCentro, fez levantamento para um projeto de condução dos efluentes diretamente para a ETAR de Alcains no cabeço do carvão, eliminando assim este ponto negro do ambiente em Alcains.
Pode dizer-me, por favor o que se passa a este respeito?
Aguardo por resposta e muito obrigado pela carta que me enviou, solicitando que faça subir na hierarquia da empresa, este problema ambiental que há muito aguarda solução.
Peço desculpa pela frieza e desencanto deste email, não é que esteja cansado, só quando morrer, mas a inoperância e a falta de respeito por quem paga impostos, quase que me transformam num ambientalista...
Espero que me perceba.
Melhores cumprimentos

Manuel Peralta


Nota. Agora que na CCDRCentro há uma nova Presidenta, Dr.ª Isabel Damasceno, a anterior passou a ministra, irei oportunamente enviar email sobre os dois problemas ambientais de Alcains, matadouro Oviger, e poluição da ribeira da Líria.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Maria de Lurdes da Paixão

[28-01-1925 ; 28-01-2017]


Cheguei de véspera para festejar os teus anos, 92 por sinal, mas tu desta vez não quiseste soprar as velas. Resolveste partir, deixando a tristeza de quem tem de abandonar um pedaço de si mesmo, as memórias de uma vida e um bolo que ninguém tem vontade de comer.

É da rua José dos Reis Dias que guardo as primeiras lembranças da minha avó, mas a tua história, ao contrário da minha, é bem mais antiga, de 92 anos e da rua do degredo, na parte velha de Alcains.Foste criada em teto pobre e humilde. Foste Mãe e irmã quando apenas tinhas idade para ser criança. Cresceste rápido e ao ritmo da necessidade que o destino te impôs.

Foste professora dos colegas da escola e contigo parte uma tabuada que ainda ontem respondias sempre com destreza e a certeza da resposta correta.Se a tua infância não te proporcionou tudo o que por direito deveríamos ter na vida, na minha foste uma presença constante. Contigo aprendi a respeitar o próximo, a ser educado e a dizer sempre a verdade. Foi no quarto onde também o meu Pai dormiu que me ensinaste a dobrar meticulosamente a roupa e a arrumar o quarto todas as noites, aprendendo o método e a disciplina que ainda hoje se reflete na organização pela qual pauto o meu dia-a-dia.

Para sempre recordarei as manhãs frias de  inverno antes de ir para a escola, aquecidas com uma torrada feita nas brasas do lume já aceso pelo avô e pela caneca de leite que fumegava de quente. Depois de impecavelmente penteado, risco ao lado milimetricamente traçado e após um beijo de bom dia, por diversas vezes quando descia as escadas a caminho da escola, antes de chegar ao pátio do primeiro lanço já tu me avisavas que a mochila tinha ficado esquecida!

Uma mochila repleta com as bases da educação de uma vida, cheia de contas feitas elas próprias vezes sem conta, seguida da maldita prova dos 9 e da temida prova real, de uma tabuada que obrigavas a ter na ponta da língua, por vezes à força do dedal da costura e de letras que tinham de ser mais bonitas que algumas obras de arte e mais direitas que a própria linha do caderno...

De regresso, depois de bater à campainha num toque que dizias já conhecer de cor, seguido de um espreitadela pela caixa do correio, aparecias à janela e mandavas a chave. Assim que abria a porta percebia logo o cheiro inesquecível dos bifes com as batatas fritas. Qual perfume francês...

Estiveste ao meu lado nos sacramentos da minha vida. Madrinha no Batismo, na primeira comunhão, no casamento e por isso, com muita nostalgia estou no último da tua, orgulhoso de ti e do que representas para mim.Fecha-se assim um ciclo e por isso afirmo: Pai, Mãe, os avós agora são vocês, e que belo estatuto este! Somos todos abençoados e alvo de muita sorte em contar com a tua presença Avó, até aos 92 anos. Enquanto escrevia esta memória, madrugada dentro na noite passada, ao meu lado na cama o Tomás dormia tranquilamente. No quarto ao lado estão o Diogo e o Tiago. Espero que guardem na memória um pouco de ti, fazendo a história deles também mais rica!

Uma das frases que guardo como tuas rezava 'Mãos que não dais, de que esperais?'

A última notinha que deu aos netos e bisnetos, já em idade muito avançada, quando o meu pai lha pôs na mão, olhou para ele e inocentemente perguntou se era para ela... Sorrimos todos na altura enquanto ao seu lado o bisneto Tiago olhava para ela surpreendido. Quando agora olho para trás e lembro todos os momentos e a pessoa que foste, penso que teremos ficado em dívida com algumas notas, que por maiores que fossem nunca pagariam a mãe, a avó e a bisavô que foste.

Paixaneta, partes agora para junto do Zé que a esta hora já deve ter o lume aceso e a mesa posta com o prato da sopa quente em cima. Leva contigo as nossas saudades e junto dele descansa em paz, olhando por nós.

Como sempre me ensinaste, é nas coisas mais simples em que se encontram as verdadeiras riquezas. Por isso hoje sou eu, em teu nome e em tua memória, que em jeito de eterno agradecimento te declamo um dos poemas que contigo aprendi. 


***

"Se soubessem como eu gosto
Da minha santa Avózinha
No mundo não há aposto
Uma Avó igual a minha
 --
Faz-me todas as vontades
Satisfaz os meus desejos
Perdoa as minhas maldades
E ainda me dá beijos
 --
E quando estive doente
Foi ela a minha enfermeira
Carinhosa e diligente
Junto à minha cabeceira
 --
E se eu às vezes a via
Muito triste a meditar
Olhava para mim e sorria
Mas não deixava de chorar
 --
Com tantas lágrimas no rosto
De pele ‘engelhadinha’
No mundo não há aposto
Uma Avó como está minha"

***

Obrigado Avó por teres sido exigente.
Obrigado por me lembrares da mochila.
Obrigado pelos pobres coitados dos passarinhos.
Obrigado por me teres ajudado a ser quem sou.
Leva um beijo de todos nós, filho, nora, netos e bisnetos ao Avô e até sempre.

Miguel