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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

"TRAÇADO" , "CHAMPORRIOM" e "RECEITA"

Afinal que querem dizer estas expressões?

Trata-se de expressões que em tempos de tabernas se usaram e abusaram...

Do "Ti Domingos" ao "Requeita e Marreca" passando pelo "Banhudo" e terminado no "Ti Tobias", era um "vê se te havias", principalmente aos domingos de tarde, quando grupos de homens passeando, faziam a "rota das tabernas".

Lembro-me muito bem disto, pois o meu Pai também fazia este percurso turístico, com o seu grupo de amigos, entrando nas tabernas e mantendo o ritual do "aqui pago eu, ali pagas tu".

Era assim. Vamos a isto.


 TRAÇADO

Era uma mistura de vinho com gasosa.

Vinho tirado de pipo para copo de vidro grosso, normalmente de "meio quartilho", com metade deste e metade de gasosa.

As gasosas e também as laranjadas, eram fabricadas em Alcains pelo Ti Zé Prata, na rua do Chafariz velho, e, quer umas quer outras eram eram tapadas com uma carica em fundo vermelho com um cão desenhado a branco, que a canalha denominava de "Prata Cão".

As grades que as acolhiam eram de madeira, 24 garrafas cada, e quem na camioneta as ajudava a distribuir pelas tabernas, tinha direito a um "pirolito".

O pirolito era uma garrafa de vidro repleto de gasosa, (muito gás), encimado por uma bola de vidro "berlinde", "vulgo arrebolim em Alcainês", que, com a pressão do gás o fazia subir contra uma anilha de borracha vermelha, que evitava a saída do gás.

A abertura do pirolito era feita colocando o dedo polegar sobre o arrebolim e, com uma pancada da outra mão, estava pronto a servir.


 CHAMPORRIOM

Esta bebida, mais cara, era feita em jarro de vidro ou barro, contendo metade de vinho e igual quantidade de café de cevada.

Por vezes adicionava-se açúcar e uns gomos de laranja ou limão.

RECEITA

Assim se pedia "Óh Requeita avia aí a Receita".

Era como que um reforço para o estômago pois era constituída por meio quartilho de vinho, umas colheradas de açúcar e uma cerveja preta, 

E assim se ludibriavam com esta mistela as mazelas de um estômago vazio.

Os frigoríficos eram inexistentes nas tabernas e, um poço no quintal era um fator de concorrência.

Lembro bem no Ti Tobias de ver retirar as grades das gasosas e laranjadas, do poço ali existente.


Manuel Peralta

terça-feira, 11 de agosto de 2026

FESTA DAS PAPAS

Em 18 de março1926, o jornal ACÇÃO REGIONAL, semanário que se publicava às quintas feiras, dava nota em texto assinado por Lopes Dia(s).o seu testemunho sobre as festas das papas de então.

São cem anos, até aos dias de hoje.

Dos meus atuais 77 anos, recordo que quase em todas as ruas se faziam papas.

Os vizinhos associavam-se quer no Outeiro, na Levandeira, no Tchafariz Velho, nas Casas Novas entre outos bairros e, faziam papas.

As ditas eram feitas nas caldeiras, deitadas em tabuleiros de madeira e de casa saía-se de colher e tacho de "resmalte" ou alumínio na mão.. Acocorados junto aos tabuleiros a canalha comia papas e para casa, trazia o tacho cheio.

Uma semana ou duas antes da festa, ranchos de rapazes e raparigas acompanhados de acordeão, iam de rua em rua de bolsa na mão, recolher feijão, milho ou dinheiro para ajudar à festa.

Consigo ainda trautear a música, mas apenas de ouvido, não sei escrever a pauta.

Tempos de então difíceis mas, de verdadeira solidariedade.

Os recortes do jornal, devo-o ao Manuel Geada a quem agradeço.

Manuel Peralta

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

DE POETA DESCONHECIDO…

 


***

Dá-me flores enquanto vivo,

Que me ajudas a sorrir.

Inúteis são as flores dadas,

Depois da alma partir.

*** 


…MAS INTERESSANTE

 Manuel Peralta

sábado, 8 de agosto de 2026

FRUTA, MUITA FRUTA ESTE ANO

O ano que decorre, foi um dos melhores anos de que me lembro, quanto a fruta.

Umas primaveras a contento, com chuva fora da época da floração das árvores, deram nisto.

AMEIXAS 


Por outro lado, peras, figos, nectarinas, uvas, alperces e, quer amoras quer framboesas foi uma fartura de estalo.

PERAS 


Este ano está a valer a pena ser agricultor.

VÁRIAS 


 Manuel Peralta

quarta-feira, 29 de julho de 2026

EVENTOS DE POLUIÇÃAO – O QUE EU SEI

Em 22 de julho respondi ao email da  Senhora Engª. Sónia Mexia.

Foi igualmente dado conhecimento aos Presidentes da Câmara da cidade de CBranco e Junta de Alcains, bem como à APA ( ARHTejo e Oeste ).

Penhoradamente, agradeço este seu email que me abre a porta para tratar deste tema AMBIENTAL, sempre que as circunstâncias o aconselhem.

Tenho para mim que deve atualizar o seu nome, onde se diz, SÓNIA MEXIA, deve atualizar para SÓNIA MEXE… desculpe esta peraltice

E, como me abre porta que no seu caso nunca esteve fechada, recordo o seguinte para conhecimento.

1. A rede de esgotos e águas pluviais da avenida 12 de novembro de 1971, data em que Alcains foi elevada a Vila, foi construída em 1980/81, sendo na data eu o Presidente da Junta. Não havia lei das finanças locais e, a Câmara, fornecia materiais para obras que a junta da freguesia executava, obras essas que, depois de concluídas eram supervisionadas pelos SMAS/CM, nomeadamente a pressão das condutas de água para detetar fugas.

A Junta tinha uma excelente equipa de 8 trabalhadores, pagos pela Câmara, coordenados por um capataz, já reformado, o “Ti Jaquim Balbino”, que toda a vida tinha trabalhado em estradas, aquedutos e redes de águas e esgotos.

Por muito exigente que era, muito humano, “não era um tipo porreiro” como por agora de vê, havia quase sempre queixas dos trabalhadores, mas o Ti Jaquim foi um excelente colaborador.

2. A conduta de esgoto corre ao lado da conduta de águas pluviais, na data a avenida não tinha separador central, obra que se fez mais tarde.

3. Como a equipa que no sábado detetou o evento, e fez vídeo, me disse que o esgoto vinha do lado poente, lado do Continente, e, sendo todas as casas ali construídas de data recente, fiquei com as minhas dúvidas, mas observei que a equipa dos SMAS tinha razão, o efluente corria mesmo como aqui refiro.

4. Pode ter acontecido que por descuido tenham ligado alguma casa em vez de ao esgoto às águas pluviais, mas isto é ideia minha, será?

5. Os SMAS como sabe, já ligaram a rede de esgotos da quelha que fica por detrás do posto da GNR. Recordo que, quando a Junta fez a rede da avenida 12 de novembro de 1971, deixou um pote na ponta da dita quelha para evitar no futuro romper o alcatrão. Recentemente e, MUITO BEM, os SMAS eliminaram as inundações da dita quelha, fazendo um sumidouro que ligaram a uma caixa que fica escondida no “ VETUSTO JARDIM” da GNR.

Alertei na data a nossa JF para limpar a quelha, mas até hoje nada…

Já agora e a propósito de quelha, também o Senhor Presidente me disse que “VOU JÁ TRATAR DISSO” quando lhe enviei email que guardo, solicitando o alcatroamento de cerca de 60 metros de quelha em terra batida…

Espero não incomodar com este meu email, mas da minha parte fico tranquilo, uma vez que vi pela primeira vez ao logo destes últimos meses, correr água que se podia beber, Líria, onde regressaram os seus moradores, cágados, galinholas, cegonhas, uma lontra, inúmera quantidade de passarada e insetos de todo o tipo.

Se o fundamental se resolveu, agora é só limpar os detalhes.

Conte comigo.

Ao dispor

Manuel Peralta