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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O RELÓGIO DA TORRE DA IGREJA MATRIZ

Avariado há muito tempo, era uma fonte de risadas e cometários jocosos, sempre que na espera de um funeral ou saída de missa, por ali o pessoal se juntava.

Conto até uma situação que comigo se passou.

Conversando ali, frente à Igreja Matriz com um grupo de amigos, sou interpelado pelo Eugénio, Alcainense que vivia no asilo, carpinteiro de profissão, mas cego desde que nasceu.

- Dizia ele!

Óh. senhor Presidente, faça lá o favor de pôr o relógio a funcionar, porque eu, ali no asilo, é como que estou no fundo de um poço, nunca sei às quantas ando, o relógio faz-me mesmo muita falta.

Lá lhe disse que estava a tratar do assunto, mas para mim, refletindo interiormente sobre este mais que justo pedido, prometi a mim mesmo que, se conseguisse satisfazer o pedido do Eugénio, já valia a pena ter passado pela Junta.

O recorte de jornal que publico, agosto de 1981, dava nota de que o tema relógio, estava em andamento.

 

Juntamente com o relógio novo foram adquiridas mais duas sinetas para os quartos de hora, as existentes estavam rachadas, foi instalado o novo relógio, as quatro janelas da torre foram fechadas com rede para evitar que os pombos sujassem o equipamento, e, instalado na base da torre um relógio padrão para que se pudesse acertar sem ser necessário subir as várias dezenas de degraus da torre.

O equipamento do relógio antigo foi recuperado no local, pintado e oleado e, os dois pilões da corda, por ali ficaram.

Foram mais de 300 contos de réis que custou o relógio que ainda hoje se mantém.

A empresa a quem se adjudicou o relógio e as duas sinetas, era de Braga.

Manuel Peralta

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Da Sobreira ao Relógio da torre

Em outubro de 1980, David Infante, na data correspondente do Reconquista em Alcains, dava nota escrita chamando a atenção da Junta da Freguesia para duas situações que "eram problema" na altura, 

Uma vetusta sobreira descaída para a estrada nacional 18, depois do cruzamento de São Domingos a caminho da Lardosa e, o descontrolado relógio da torre da Igreja Matriz.


Quanto à Sobreira.

O seu elevado porte e os seus frondosos ramos, descaídos para a estrada, obstruíam a visão dos automobilistas e, ainda mais grave, os camiões e as camionetas de carreira tinham de se desviar saindo da sua mão, para que as cargas não embatessem nos ramos da dita.

Alguns acidentes ocorreram.

Ainda hoje, as sobreiras são árvores protegidas e não é possível arrancar uma sobreira, cumprindo a lei, sem a respetiva autorização de abate.

Fiz na data na qualidade de Presidente da Junta uma exposição aos ministério da Economia e Agricultura, remetendo as notícias locais sobre o assunto, dando nota de acidentes, ao mesmo tempo que insistia junto do diretor da JAE, Junta Autónoma das Estradas, Engº. Santos Marques, de quem me tornei amigo, para os perigos existentes relativos ao fluir do trânsito.

Passado ainda algum tempo, o diretor da JAE, telefona-me, informando que havia recebido autorização dos ministérios referidos, para o corte da sobreira.

Ao contrário do que diz a notícia a autorização vem dos ministérios.

Quanto ao relógio da Torre da Igreja Matriz, darei oportunamente notícia sobre o que se passou..

Manuel Peralta

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

"TRAÇADO" , "CHAMPORRIOM" e "RECEITA"

Afinal que querem dizer estas expressões?

Trata-se de expressões que em tempos de tabernas se usaram e abusaram...

Do "Ti Domingos" ao "Requeita e Marreca" passando pelo "Banhudo" e terminado no "Ti Tobias", era um "vê se te havias", principalmente aos domingos de tarde, quando grupos de homens passeando, faziam a "rota das tabernas".

Lembro-me muito bem disto, pois o meu Pai também fazia este percurso turístico, com o seu grupo de amigos, entrando nas tabernas e mantendo o ritual do "aqui pago eu, ali pagas tu".

Era assim. Vamos a isto.


 TRAÇADO

Era uma mistura de vinho com gasosa.

Vinho tirado de pipo para copo de vidro grosso, normalmente de "meio quartilho", com metade deste e metade de gasosa.

As gasosas e também as laranjadas, eram fabricadas em Alcains pelo Ti Zé Prata, na rua do Chafariz velho, e, quer umas quer outras eram eram tapadas com uma carica em fundo vermelho com um cão desenhado a branco, que a canalha denominava de "Prata Cão".

As grades que as acolhiam eram de madeira, 24 garrafas cada, e quem na camioneta as ajudava a distribuir pelas tabernas, tinha direito a um "pirolito".

O pirolito era uma garrafa de vidro repleto de gasosa, (muito gás), encimado por uma bola de vidro "berlinde", "vulgo arrebolim em Alcainês", que, com a pressão do gás o fazia subir contra uma anilha de borracha vermelha, que evitava a saída do gás.

A abertura do pirolito era feita colocando o dedo polegar sobre o arrebolim e, com uma pancada da outra mão, estava pronto a servir.


 CHAMPORRIOM

Esta bebida, mais cara, era feita em jarro de vidro ou barro, contendo metade de vinho e igual quantidade de café de cevada.

Por vezes adicionava-se açúcar e uns gomos de laranja ou limão.

RECEITA

Assim se pedia "Óh Requeita avia aí a Receita".

Era como que um reforço para o estômago pois era constituída por meio quartilho de vinho, umas colheradas de açúcar e uma cerveja preta, 

E assim se ludibriavam com esta mistela as mazelas de um estômago vazio.

Os frigoríficos eram inexistentes nas tabernas e, um poço no quintal era um fator de concorrência.

Lembro bem no Ti Tobias de ver retirar as grades das gasosas e laranjadas, do poço ali existente.


Manuel Peralta

terça-feira, 11 de agosto de 2026

FESTA DAS PAPAS

Em 18 de março1926, o jornal ACÇÃO REGIONAL, semanário que se publicava às quintas feiras, dava nota em texto assinado por Lopes Dia(s).o seu testemunho sobre as festas das papas de então.

São cem anos, até aos dias de hoje.

Dos meus atuais 77 anos, recordo que quase em todas as ruas se faziam papas.

Os vizinhos associavam-se quer no Outeiro, na Levandeira, no Tchafariz Velho, nas Casas Novas entre outos bairros e, faziam papas.

As ditas eram feitas nas caldeiras, deitadas em tabuleiros de madeira e de casa saía-se de colher e tacho de "resmalte" ou alumínio na mão.. Acocorados junto aos tabuleiros a canalha comia papas e para casa, trazia o tacho cheio.

Uma semana ou duas antes da festa, ranchos de rapazes e raparigas acompanhados de acordeão, iam de rua em rua de bolsa na mão, recolher feijão, milho ou dinheiro para ajudar à festa.

Consigo ainda trautear a música, mas apenas de ouvido, não sei escrever a pauta.

Tempos de então difíceis mas, de verdadeira solidariedade.

Os recortes do jornal, devo-o ao Manuel Geada a quem agradeço.

Manuel Peralta

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

DE POETA DESCONHECIDO…

 


***

Dá-me flores enquanto vivo,

Que me ajudas a sorrir.

Inúteis são as flores dadas,

Depois da alma partir.

*** 


…MAS INTERESSANTE

 Manuel Peralta