Em outubro de 1981, a degradação do edifício do Hospital José Pereira Monteiro de Alcains era por demais evidente. Situação que se arrastava há vários, muitos, anos.
O casal Alcainense Pereira Monteiro, não teve filhos, ao que
me contava a Minha Querida Mãe, que os conheceu, eram para lá de muito
religiosos, muito ricos, pois doaram à igreja o Monte de São Luis em Castelo
Branco, uma das maiores propriedades concelhias e, construíram de raiz, o maior
edifício de Alcains, o Seminário de São José, que batizado foi com o mesmo nome
do doador, José Pereira Monteiro.
Doaram igualmente à igreja o edifício do Hospital com o seu
nome.
Tendo cumprido a sua função até cerca dos anos sessenta,
lembro-me de subir uma elevada escadaria de pedra, encimada com um altar, e ali
ir ver familiares doentes.
Por essa data fechou, deixou de ter utilização e assim a
degradação habitou o vetusto edifício.
Instalado a caminho da igreja, na data com muito mais procura, era o comentário de todos os passantes, com prioridade para calcar na igreja.
Fui ter com o Senhor Vigário de Alcains, o saudoso Padre António Afonso Ribeiro, que me enviou para o reitor do Seminário, o senhor padre Chaves, que me enviou para o senhor Bispo da diocese, Dom Agostinho de Moura, que me enviou para o diretor do Património Diocesano, a quem expus pela quarta vez a situação.
Que sim que iam ver, pois estavam preocupados com a
situação, mas, como o Meu Querido Pai me tinha ensinado que a igreja é muito
mais lesta a receber que a dar, cheguei à conclusão que o caminho teria de ser
outro e, decidi sem nada dizer aos responsáveis da igreja fazer um inquérito à
população.
Na quinta feira seguinte tinha o Senhor Vigário na Junta a interrogar este Escuteiro que em tempos havia sido.
As respostas ao inquérito foram todas do tipo, mais e melhor
para Alcains e, depois de publicadas na Comunicação social, a igreja ficou a
saber do crispado ambiente dos seus paroquianos relativamente à situação.
Entretanto, consegui acesso a uma cópia da escritura de
doação do edifício do Hospital por parte da família Monteiro à igreja, e lá se
dizia. Essa escritura ficou na Junta.
Recordo de memória.
"um dia, que Deus não haja, em que o hospital deixe de exercer a função que lhe foi destinada, deve ser entregue a uma instituição que prossiga fins sociais"
Era um documento muito mais extenso, com expressões e cuidados a ter mas que, foi para mim uma delícia ler tal documento, de uma riqueza literária de fazer crescer frases na boca...
Ainda tive uns encontros com a Segurança Social de Castelo Branco que se manifestou interessada em ajudar, mas entretanto a questão com a igreja foi-se arrastando e, apenas no mandato do Eng.º Rogério o Hospital passou a Extensão de Saúde, até aos dias de hoje.
Manuel Peralta










