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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

De HOSPITAL a EXTENSÃO de SAÚDE

Em outubro de 1981, a degradação do edifício do Hospital José Pereira Monteiro de Alcains era por demais evidente. Situação que se arrastava há vários, muitos, anos.

O casal Alcainense Pereira Monteiro, não teve filhos, ao que me contava a Minha Querida Mãe, que os conheceu, eram para lá de muito religiosos, muito ricos, pois doaram à igreja o Monte de São Luis em Castelo Branco, uma das maiores propriedades concelhias e, construíram de raiz, o maior edifício de Alcains, o Seminário de São José, que batizado foi com o mesmo nome do doador, José Pereira Monteiro.

Doaram igualmente à igreja o edifício do Hospital com o seu nome.

Tendo cumprido a sua função até cerca dos anos sessenta, lembro-me de subir uma elevada escadaria de pedra, encimada com um altar, e ali ir ver familiares doentes.

Por essa data fechou, deixou de ter utilização e assim a degradação habitou o vetusto edifício.

Instalado a caminho da igreja, na data com muito mais procura, era o comentário de todos os passantes, com prioridade para calcar na igreja.

Fui ter com o Senhor Vigário de Alcains, o saudoso Padre António Afonso Ribeiro, que me enviou para o reitor do Seminário, o senhor padre Chaves, que me enviou para o senhor Bispo da diocese, Dom Agostinho de Moura, que me enviou para o diretor do Património Diocesano, a quem expus pela quarta vez a situação.

Que sim que iam ver, pois estavam preocupados com a situação, mas, como o Meu Querido Pai me tinha ensinado que a igreja é muito mais lesta a receber que a dar, cheguei à conclusão que o caminho teria de ser outro e, decidi sem nada dizer aos responsáveis da igreja fazer um inquérito à população.

Na quinta feira seguinte tinha o Senhor Vigário na Junta a interrogar este Escuteiro que em tempos havia sido.

As respostas ao inquérito foram todas do tipo, mais e melhor para Alcains e, depois de publicadas na Comunicação social, a igreja ficou a saber do crispado ambiente dos seus paroquianos relativamente à situação.

Entretanto, consegui acesso a uma cópia da escritura de doação do edifício do Hospital por parte da família Monteiro à igreja, e lá se dizia. Essa escritura ficou na Junta.

Recordo de memória.

"um dia, que Deus não haja, em que o hospital deixe de exercer a função que lhe foi destinada, deve ser entregue a uma instituição que prossiga fins sociais"

Era um documento muito mais extenso, com expressões e cuidados a ter mas que, foi para mim uma delícia ler tal documento, de uma riqueza literária de fazer crescer frases na boca...

Ainda tive uns encontros com a Segurança Social de Castelo Branco que se manifestou interessada em ajudar, mas entretanto a questão com a igreja foi-se arrastando e, apenas no mandato do Eng.º Rogério o Hospital passou a Extensão de Saúde, até aos dias de hoje.

Manuel Peralta

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

INFANTÁRIO - O que se dizia

Ando a dar volta aos recortes de jornal que ao longo da minha vida pública recolhi, dando a conhecer para memória futura, o que o jornal sobre Alcains, publicava.

Desta vez sobre o INFANTÁRIO, Casa do Bem.

O Infantário que através das Irmãs Franciscanas de Maria servia as crianças de Alcains, funcionava, a título gratuito no edifício onde hoje se encontra o museu do Canteiro, propriedade da família do doutor Ulisses Pardal.

E sob o comando das IRMÂS, prestou um dos melhores serviços a Alcains, nunca reconhecidos publicamente pelos autarcas da cidade de Castelo Branco.

Como não me canso de reconhecer quem ajudou Alcains, na pessoa da Irmã Conceição, Diretora da Instituição, com quem foi muito agradável cooperar, curvo-me perante as qualidades da Instituição que em muito contribuíram para o "Elevador Social" das crianças da nossa terra.

 

Lendo a local de David Infante, o alarme era injustificado, pois na notícia era encontrada a solução.

As obras do novo infantário quando tomei posse estavam paradas por falência do empreiteiro, foi necessário encetar junto das entidades nova adjudicação, o que aconteceu com brevidade e, claro, o novo infantário na Pedreira, foi inaugurado durante o meu mandato, pelo Senhor primeiro-ministro de então, Doutor Francisco Pinto Balsemão, e, ali couberam todas as crianças que se tinham inscrito.

A questão do pagamento da mensalidade era coordenada pelo Centro Regional de Segurança Social que dava à Junta e às Irmãs, as regras que a nível nacional, se consideravam.

Mas era muito difícil socialmente perceber porque é que, quem apresentava sinais exteriores de riqueza, vivenda, carros, vida quase faustosa, pagava o mesmo, no caso em apreço, o mínimo, que casal que vivia do seu trabalho e tinha vida social pacata.

Com a Irmã São analisávamos os casos, tendo apenas como documentos para decisão, as folhas dos vencimentos dos pais e quanto a IRS e outros impostos nada havia.

Os casais que trabalhavam por conta de outrem apresentavam as suas folhas de vencimentos com os mínimos e os patrões dos mesmos trabalhadores seguiam igual caminho, perante a incapacidade da Junta em desatar este nó social.

Hoje com as contas do IRS pode ser que a situação seja diferente, mas esta questão da fuga aos impostos, presumo ser mais grave do que naqueles tempos.

Manuel Peralta

domingo, 13 de setembro de 2026

ATIVIDADES em DECLÍNIO

Deve-se ao Conde de Idanha a Nova, o Senhor António Trigueiros de Aragão a oferta a Alcains do magnífico edifício da Casa do Povo.

Recentemente restaurado e, agora, em bom estado de conservação.

Na lapela do edifício, o Senhor Trigueiros mandou colocar o emblema de Alcains, um trabalho de forma oval, em granito da  nossa terra, representando as atividades existentes praticamente durante todo o século passado e em recessão nos dias de hoje.

Lá estão representados os instrumentos dessas atividades, CANTEIROS (maceta, compasso, pico) e, OVELHA, (lã, leite e queijo). Alguma floresta encima o emblema, nomeadamente folhosas, carvalhos.

Nestes tempos, a atividade de trabalhos em pedra, está praticamente moribunda, uma ou duas oficinas da atividade, uma mais morta que moribunda e outra dedicada quase em exclusivo ao fabrico de campas para cemitérios.

A atividade de corte de pedra nos "aclipos" de Santa Apolónia está extinta. Raros são os vários edifícios em construção que "metam pedra", como se dizia nos seus tempos áureos.

Os CALCETEIROS de Alcains inexistem já e, os CANTEIROS, estão em acelerada extinção e, um ou outro emigrado, resta ainda.

Contava-me o Ti João Visga antes de morrer, que de um curso de 16 formandos em que foi professor, nas "Socráticas Novas Oportunidades", nenhum seguiu a atividade que aprendeu.

Observando o emblema de Alcains e descendo até à OVELHA, a situação atual é de igual agastamento.

Os proprietários dos maior rebanho de Alcains, no Cabeço do Carvão, estão a substituir a atividade de fabrico de queijo para carne, isto é apostando mais na venda de borregos.

Não há  e, quando os há, é muito difícil manter PASTORES.

Enquanto noutros tempos estas atividades passavam de pais para filhos, os filhos de agora procuram "outras formas de vida". Não há familiarmente reposição da atividade.

Esta situação familiar não é de agora, pois nas várias famílias que durante o século passado fizeram florescer esta atividade, "o queijo de Alcains", em nenhuma, o fabrico de queijo continuou, Luis Amaro ( pequeno), António Damas, Francisco Lopes, Jaime Silva, Manuel Amaro, José Amaro, Luis Amaro (grande) entre outros.

Do muito queijo que se vende em Alcains, a grande parte vem de produtores da Soalheira e, o que ainda é feito por cá, não sei de onde vem o leite.

Restam com atividade em acelerada mudança os Irmãos do Cabeço do Carvão.

O tempo, esse corretor silencioso, a pouco e pouco vem atualizando as nossas memórias ao mesmo tempo que desatualiza os emblemas e as nossas bandeiras.

No século passado Alcains caminhou por aqui, e agora, para onde vai caminhar Alcains?

Fica a questão.

Manuel Peralta

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

REDE ELETRICA em ALCAINS

Como refere a local do jornal que abaixo convido a ler, em 1980, o estado calamitoso em que desde há vários anos se encontrava a distribuição de energia elétrica em Alcains, tornava esta questão no problema mais importante da nossa terra.

O setor estava em transformação e a empresa que tinha esta concessão era a HEAA, Hidroelétrica do Alto Alentejo, vulgo em Alcainês, a "hidra".

Os arraiais das chispas elétricas em várias ruas eram uma festa constante, a generalidade das casas tinha pequenos transformadores de tensão para melhorar a corrente, e ainda uma trovoada ameaçava Cafede e já não havia luz em Alcains.

A expansão industrial que se vivia na data, era muito prejudicada com a situação e, para se ter uma baixada para uma casa a demora era eterna...

Sendo a minha formação em Eletrotecnia e Máquinas, era para mim uma responsabilidade acrescida resolver o problema e, assim foi.

O mártir profissional desta situação, era o Engº. Barata, um honrado e excelente militante do PCP, Partido Comunista Português, a quem todos se dirigiam para resolver os seus problemas.

O poder local era da AD, Aliança Democrática, onde havia nalguns setores um "ódio de estimação" a tudo o que vermelho era.

Houve, entretanto, uma reunião na Câmara com o Secretário de Estado, António Nobre de seu nome, para se inteirar deste problema que era geral no concelho, mas a reunião descambou para cima do Engº. Barata.

Conhecedor da falta de meios da "hidra", defendi perante os presentes que o Engº. Barata era o menos responsável da situação, e o que deveria ser feito era dar meios a quem os não tinha.

Na reunião havia autarcas do PCP e, passados poucos dias, aparece na Junta o Engº. Barata com um plano para serem construídas 5 cabines onde se iriam alojar os postos de transformação .respetivos.

A Junta com apoio do Engº. Barata, escolheu os locais, Lavandeira, Joaninho, Ciclo Preparatório, Correios e "João Serrão/Regatinho", e o dinheiro foi entregue à Junta para custear as obras.

Dito assim até parece que foi fácil, pois a seguir era necessário dar volta completa a Alcains com valas para enterrar os cabos que iriam interligar as cabines dos transformadores e, fazer um ramal da subestação por detrás da Consal para as alimentar.

Fui duas vezes a Lisboa, à Federação dos Municípios, entidade em criação, e dois engenheiros vieram a Alcains, aferir a situação, para se adjudicarem as obras das valas.

Passado ainda algum tempo, sou visitado pelo responsável da empresa Pereira da Costa, uma excelente empresa que, entretanto faliu, recentemente, que deu uma volta completa a Alcains.

Hoje temos uma energia de excelente qualidade, praticamente toda subterrânea, coisa rara no concelho e, a maior prova da sua fiabilidade que anotei, foi que na tempestade Cristin que assolou o Pais e em Alcains com ventos de cerca de 140 km por hora, "nunca faltou a luz", como por cá se diz.

Foi mesmo das coisas que gostei de ajudar a resolver.

Manuel Peralta

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

OVELHAS de PEDRA

Sim, é mesmo para MEMÓRIA FUTURA, uma vez que, a cena que a Junta da Freguesia decidiu imortalizar na rotunda do ocaso da avenida 12 de novembro de 1971, uma boa ideia, que traduz uma atividade em acelerado declínio na nossa terra.

Já quase não há rebanhos em Alcains e, concomitantemente o fabrico de queijo é uma atividade praticamente residual.

Algum, muito pouco do que se fabrica não é feito com leite das ovelhas de rebanhos de Alcains.

Como considero boa a ideia da Junta, não deixo de sugerir que se complete a cena, com um Pastor e um Cão que sempre fizeram parte desta ruralidade ancestral, PASTOR, CÃO, REBANHO, QUEIJO.

É pena que a rotunda esteja tão repleta de sinais que tiram parte substancial da beleza que a cena pretende transmitir.

Nunca é tarde para acertar.

Sempre ao dispor.

Manuel Peralta