Avariado há muito tempo, era uma fonte de risadas e cometários jocosos, sempre que na espera de um funeral ou saída de missa, por ali o pessoal se juntava.
Conto até uma situação que comigo se passou.
Conversando ali, frente à Igreja Matriz com um grupo de amigos, sou interpelado pelo Eugénio, Alcainense que vivia no asilo, carpinteiro de profissão, mas cego desde que nasceu.
- Dizia ele!
Óh. senhor Presidente, faça lá o favor de pôr o relógio a
funcionar, porque eu, ali no asilo, é como que estou no fundo de um poço, nunca
sei às quantas ando, o relógio faz-me mesmo muita falta.
Lá lhe disse que estava a tratar do assunto, mas para mim,
refletindo interiormente sobre este mais que justo pedido, prometi a mim mesmo
que, se conseguisse satisfazer o pedido do Eugénio, já valia a pena ter passado
pela Junta.
O recorte de jornal que publico, agosto de 1981, dava nota
de que o tema relógio, estava em andamento.
O equipamento do relógio antigo foi recuperado no local,
pintado e oleado e, os dois pilões da corda, por ali ficaram.
Foram mais de 300 contos de réis que custou o relógio que ainda hoje se mantém.
A empresa a quem se adjudicou o relógio e as duas sinetas, era de Braga.
Manuel Peralta













