Deve-se ao Conde de Idanha a Nova, o Senhor António Trigueiros de Aragão a oferta a Alcains do magnífico edifício da Casa do Povo.
Recentemente restaurado e, agora, em bom estado de conservação.
Na lapela do edifício, o Senhor Trigueiros mandou colocar o emblema de Alcains, um trabalho de forma oval, em granito da nossa terra, representando as atividades existentes praticamente durante todo o século passado e em recessão nos dias de hoje.
Lá estão representados os instrumentos dessas atividades, CANTEIROS (maceta, compasso, pico) e, OVELHA, (lã, leite e queijo). Alguma floresta encima o emblema, nomeadamente folhosas, carvalhos.
Nestes tempos, a atividade de trabalhos em pedra, está praticamente moribunda, uma ou duas oficinas da atividade, uma mais morta que moribunda e outra dedicada quase em exclusivo ao fabrico de campas para cemitérios.
A atividade de corte de pedra nos "aclipos" de Santa Apolónia está extinta. Raros são os vários edifícios em construção que "metam pedra", como se dizia nos seus tempos áureos.
Os CALCETEIROS de Alcains inexistem já e, os CANTEIROS, estão em acelerada extinção e, um ou outro emigrado, resta ainda.
Contava-me o Ti João Visga antes de morrer, que de um curso de 16 formandos em que foi professor, nas "Socráticas Novas Oportunidades", nenhum seguiu a atividade que aprendeu.
Observando o emblema de Alcains e descendo até à OVELHA, a situação atual é de igual agastamento.
Os proprietários dos maior rebanho de Alcains, no Cabeço do Carvão, estão a substituir a atividade de fabrico de queijo para carne, isto é apostando mais na venda de borregos.
Não há e, quando os há, é muito difícil manter PASTORES.
Enquanto noutros tempos estas atividades passavam de pais para filhos, os filhos de agora procuram "outras formas de vida". Não há familiarmente reposição da atividade.
Esta situação familiar não é de agora, pois nas várias famílias que durante o século passado fizeram florescer esta atividade, "o queijo de Alcains", em nenhuma, o fabrico de queijo continuou, Luis Amaro ( pequeno), António Damas, Francisco Lopes, Jaime Silva, Manuel Amaro, José Amaro, Luis Amaro (grande) entre outros.
Do muito queijo que se vende em Alcains, a grande parte vem de produtores da Soalheira e, o que ainda é feito por cá, não sei de onde vem o leite.
Restam com atividade em acelerada mudança os Irmãos do Cabeço do Carvão.
O tempo, esse corretor silencioso, a pouco e pouco vem atualizando as nossas memórias ao mesmo tempo que desatualiza os emblemas e as nossas bandeiras.
No século passado Alcains caminhou por aqui, e agora, para onde vai caminhar Alcains?
Fica a questão.
Manuel Peralta









