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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

“Cheia de perliquitetes”

Contra o “avalambado bagaço municipal”, fixação quase doentia, um pouco de cultura, apimentada com mais uma “estória da terra deles” ...
Então aí vai.


PERLIQUITETES, que palavra, que sentido, que expressão?
Quando ainda havia bodas, casamentos, um bom costume existia praticado pelos familiares, amigos e convidados. Antes da cerimónia na igreja, iam a casa dos pais do noivo ou da noiva, comer o bolo, “desejuar” retemperando o estômago para a sempre atrasada cerimónia do casamento.
Costume este que ainda perdura por cá, com mesa agora muito, mas muito mais, farta.
“Apiraltavam-se” nessa manhã, homens e mulheres, rapazes e raparigas, filhos e filhas, bem como “catchópos e catchópas”. A palavra juventude estava então em construção, e apenas existia, canalha.
Chegada a família para comer o bolo, também era por ali e continua agora com mais acuidade, que se apreciavam as posses de cada um, o esmero e por vezes o bom ou mau gosto, no traje que se trazia.
Por vezes, sempre de mão dada ao meu pai, não fosse por ali, desajeitado, entornar o copo do refresco da groselha, ouvia os comentários das mulheres, sobre os paramentos trazidos... e, entre “estás tão linda”... surgia um comentário que ao tempo, não conseguia desembrulhar, “estás cheia de perliquitetes”... isto, com um borrachão numa mão e copo da groselha na outra.


Por outro lado, “lháli”, que posso traduzir por, olha ali, não deixo de trazer lume, não para queimar, mas, para relembrar, um passagem verídica, acerca da Rosinda, pastora que era, e que foi um dia de manhã a Lisboa e regressou nesse mesmo dia, pela tarde. 
Nova que era, sua mãe foi esperá-la ao comboio. Vendo ali pelos celeiros um rebanho de cabras a pastar, perguntou, à mãe, com enfado, que bichos eram aqueles.
São cabras minha filha, responde a mãe.
- replica então a filha, “ai aquilo é que são as caibras”!!! repetia, “ai aquilo é que são a caibras”
Perliquitetes, percebi então o que eram, quando o meu pai me contou esta história.
Vai-se de manhã a Lisboa e já não se reconhecem as cabras, já são caibras...
Ser ou estar “perliquitete”, é um modo de vida que esconde por entre um aparente bem vestir exterior, uma imensa superficialidade interior, mesmo entre gente simples e linda, como a Rosinda.
Mas isto são desabafos com que me rio, em manhã de domingo frio.
Vejam a versão original, que dá título a esta história.


AS MANAS PERLIQUITETES...

Chamavam-se Carolina Amália (1833-1887) e Josefina Adelaide Brandi Guido (1841-1907) e eram filhas de um abastado comerciante de origem italiana, estabelecido na Baixa de Lisboa. O seu irmão delapidou a fortuna que tinham e, por morte do pai, mudaram de casa e ficaram vizinhas de um dos maiores boémios alfacinhas, Luís de Almeida de Mello e Castro, cantor de fado, amador tauromáquico, presente em todas as tabernas desde o Rato até às portas de Lisboa. É ele que lhes dá a alcunha, cerca de 1870, apresentando-as como "As minhas pupilas, as Manas Perliquitetes". E assim ficaram para a história lisboeta.
As suas indumentárias eram, já na altura, um tanto extravagantes, com fatos e chapéus fora de moda, que lhes ficaram dos tempos áureos. Isso acentuou-se ainda mais com o passar dos anos, mas, de um adorno não prescindiam, usavam sempre uma flor na lapela! Também eram receptivas a alguns namoros e, no seu caminhar saltitante foram-se tornando presença diária, acima e abaixo no Chiado. Pouco a pouco transformaram-se em figuras típicas, chegando Bordallo Pinheiro, a retratá-las nas revistas humorísticos. Elas foram assumindo a pose e a lenda, apurando as toilettes fora de moda para fazer jus à imagem que Lisboa tinha delas criado. Carolina atrasava-se. 
Adelaide impacientava-se: “Então, mana”. O Chiado repetia em tom de gozo: “Ó mana! Então?”
Os seus dias foram-se tornando cada vez mais difíceis e a miséria foi avançando. Josefina Adelaide sobreviveu à irmã, acabando também por morrer a10 de Setembro de 1907 e, ser enterrada com o produto de uma subscrição feita pelo O Século.

Isabel de Melo e Castro, para "Lisboa Antiga"


“Então, mana!!!”, expressão que quase já não se ouve, e sem perliquitetes.

Manuel Peralta

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Bagaço municipal albicastrense, no Jornal do Fundão

Porque será que o Presidente da Câmara Municipal do Fundão, Dr. Paulo Fernandes, não quer:
1. Este tipo de desenvolvimento no seu Concelho? 
2. Um dito investimento de 4 milhões de euros?
3. Aumentar os postos de trabalho, diminuindo o desemprego?
4. A empresa que tem sede no Fundão, denominada Valamb Lda. a desenvolver o Fundão?
5. Será que é um monge franciscano distraído e dá aos outros o que precisa?
Claro que, conhecendo o que se passa em Vila Velha de Ródão com a Centroliva, e os nefastos efeitos que esta atividade provoca no ambiente e nas pessoas, mando o bom senso que, por precaução, e sem amiguismo do costume “autarcas/empresários”, dispensar este tipo de desenvolvimento.
E fez, faz bem.
Dou a conhecer o texto da jornalista Célia Domingues, recentemente publicado no Jornal do Fundão.


Por cá a câmara de castelo branco, na pessoa do Dr. Luis Correia, ofereceu aos seus amigos da Valamb, vejam os nomes dos sócios, um terreno que custou 65 mil euros dos nossos impostos municipais, para ajudar os privados a construir uma máquina de poluição ambiental, que denomino por Centroliva2/Valamb.
É um facto, em ata municipal, registado.

Manuel Peralta

Sugiro que abra o vídeo abaixo, para ficar ciente dos que nos espera em Castelo Branco/Alcains.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Resposta da APA, Agência Portuguesa do Ambiente


Afinal as denúncias não têm caído em saco roto. 
A Diretora Regional da Administração da Região Hidrográfica do Tejo e Oeste, cumpriu o seu dever.
Juntamente com o SEPNA/GNR realizaram ações conjuntas de fiscalização e foram levantados os respetivos autos.
Não se tem notado melhoria, mas foi posto o dedo no nariz aos poluidores.
Muito obrigado Senhora Diretora.
Muito agradecido SEPNA/GNR.

Manuel Peralta



*********

From: Gabriela Moniz [mailto:gabriela.moniz@apambiente.pt] 
Sent: quarta-feira, 18 de Novembro de 2015 19:03
To: manuel-r-peralta@sapo.pt
Cc: Fátima Alves; Mariana Pedras
Subject: Resposta a exposição "A Centroliva, O Figo da Índia e o Dr. Luís Correia"

Exmo Senhor

Em resposta à sua exposição e relativamente ao acima mencionado esclarecemos que a Administração da Região Hidrográfica do Tejo e Oeste (ARHTO) da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Serviço Nacional de Proteção da Natureza (SEPNA) da Guarda Nacional Republicana (GNR) realizaram uma ação de fiscalização conjunta, entre 2 e 16 de julho de 2015, no troço do rio Tejo de Constância a Cedilho.
Nesta ação foram identificadas as potenciais fontes de poluição, levantados autos de notícia por contraordenação e notificados os utilizadores para implementação de medidas.
Na sequência desta ação têm estes serviços, com a colaboração da GNR/SEPNA, vindo a acompanhar a situação no sentido de verificar o cumprimento das medidas impostas.


As últimas ações de fiscalização foram realizadas em 25 de setembro, pp e 21 de outubro, pp.
Mais se informa que, das empresas referidas por V.Exa., foram incluídas nas ações acima mencionadas, a Celtejo e a Centroliva, continuando a situação no que respeita à gestão de águas residuais e afetação da qualidade das massas de água, a ser acompanhada por estes Serviços. No que respeita à nova instalação da VALAMB sugere-se que seja consultado o IAPMEI, na qualidade de entidade coordenadora do licenciamento da atividade a desenvolver pela mesma.

Melhores cumprimentos

Gabriela Moniz
Diretora Regional
Administração da Região Hidrográfica do Tejo e Oeste

Estrada da Portela (edifício LNEG)
Bº do Zambujal, Alfragide
2610-999 Amadora | PORTUGAL

Telefone: +351 218430400 
e-mail:gabriela.moniz@apambiente.pt

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

IAPMEI

Sr. Presidente do Conselho Diretivo do IAPMEI.
Direção da Proximidade Regional.
Sistema de Indústria Responsável.

Tantos títulos, tanta proximidade, tanta, no papel, Indústria (i)Responsável.
Tantos departamentos, tantos presidentes, tantos técnicos superiores, enfim um mar de gente, que estudou afincadamente o processo Valamb Lda, mas que, apesar da proximidade, não conseguiram descortinar que o terreno que o Dr. Luis Correia ofereceu à Valamb Lda, para ali instalar a Centroliva 2, se localiza na freguesia de Castelo Branco e não na freguesia de Alcains, como se mostra aqui no pomposo Título de Instalação.


Se o resto do processo tiver na sua análise a mesma acuidade intelectual, a mesma seriedade, estamos conversados, sobre as autoridades que temos.
Nesta troca de favores a que vou assistindo, refiro.
A câmara de cá, Castelo Branco, na pessoa do Dr. Luis Correia, oferece 65 mil euros a particulares, para se instalar um Sistema de Indústria Responsável, que em Vila Velha de Ródão, tem um “case study”, de sucesso, Centroliva.
A quercus recebeu um ninho, uma sede nova, da autarquia e esta recebeu um parecer de não oposição à instalação da Valamb, da quercus.
A mesma quercus, Samuel Infante, que em reportagem recente sobre a poluição no Tejo, da rádio Renascensa, publicada no seu site, dos jornalistas Pedro Reis e Teresa Abecassis, diz o seguinte,... (sic)...”em VVRódão a ribeira do Açafal é uma ribeira que está praticamente morta,... tem havido descargas sucessivas, um acumular de situações, algumas com vários anos, e que desde 2015 atingiram um pico, como nunca vimos. Ao navegarmos no barco, parecia que estávamos a navegar em cima de manteiga, havia uma espuma, uma gelatina com mais de quatro centímetros de espessura”, fim de citação.


Poderia transcrever mais, mas cada um tem de viver com o quercus que tem...
Com a Valamb e o prémio do Título de Instalação que dou a conhecer, os efluentes, descargas, irão por certo para a ribeira da Líria, que desagua no rio Ocreza, e que perfumará ainda mais o Tejo.
Com autarcas que, por um lado vão em excursão a Lisboa queixar-se da poluição do tejo, e que por outro autorizam os ditos Sistemas de Indústrias Responsáveis, no caso em apreço, Centroliva/Valamb, a poluir, ficamos com uma noção perfeita do que é a hipocrisia municipal.


É disto que se trata, despudor.
Remeto para todas as entidades, comunicação social incluída, estes factos para que conste, e para que a tempo, reanalisem os Títulos de Instalação, evitando que a impunidade ambiental, continue.

Manuel Peralta

Nota: Para ver o que pretendem instalar por cá, veja por favor o vídeo da Centroliva em VVRódão. Obrigado.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Liberdade de Imprensa

Dou a conhecer o presente email.


Nota. Esta minha atitude prende-se com o facto de ter remetido ao jornal Reconquista, textos sobre a atuação da câmara municipal de Castelo Branco, na pessoa do Dr. Luis Correia,  no que respeita aos bagaceiros da Valamb.
A gota de água, foi o último texto publicado no blog, que remeti ao Reconquista, e que não foi publicado. 
Estarão no seu direito? Penso que não.
Com um provedor do leitor que existisse, haveria contraditório, assim, vence quem manda, apesar de ignorar o estatuto editorial.
Pode ser que também por ali, haja mudanças...


Não desistirei de lutar contra o bagaço municipal.
(Centroliva/Luis Correia/Valamb)

Manuel Peralta

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Moção contra o Bagaço municipal

Porque o assunto é sério e para memória futura, dou a conhecer o texto da moção que, na assembleia municipal de Castelo Branco, foi apresentada.
Moção conjunta assinada por, CDS, PSD, PCP e BE.


Posta à votação, pelo PS, repito, pelo PS, e pela presidente da junta de Alcains, a moção foi rejeitada. 
Consequência, o Dr. Luis Correia tem pelo seu partido e pela representante da defesa dos interesse de Alcains, o caminho aberto para continuar a sua inenarrável politica de ambiente municipal.
Para que seja claro e para que conste.
São factos.


Para saber o que o espera, abra este recente vídeo que relata o que já acontece em Vila Velha de Ródão, com a Centroliva.
O Dr. Luis Correia em Alcains/Castelo Branco, autorizou já que por aqui a Valamb faça o mesmo.
Veja o vídeo.


Manuel Peralta

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Este “cancro ambiental” pode ser seu...

A mana mais velha da Valamb, a Centroliva reside em Vila Velha de Ródão. 
A sua poluente atividade em Vila Velha e zona limítrofes, torna pestilento o ar que por ali se respira, transforma em alcatrão as águas da ribeira do Açafal e mata a fauna piscícola no rio Tejo. 
Com tais predicados ambientais, mais tarde ou mais cedo, este exemplo de atividade ambiental, teria de ser notado e dado a conhecer a toda a gente.
Por tais factos, foi objeto e uma reportagem da RTP.
Isto em Vila Velha de Ródão, por enquanto.


Por aqui, as autarquias, câmara e Junta, apostam em desenvolver o concelho e a freguesia de Alcains, com uma Centroliva2/Valamb.
Para tal.
A Valamb não teve oposição do município. 
A autarquia ofereceu aos amigos da Valamb o terreno para ali instalarem a Centroliva2/Valamb. 
Terreno que custou 65 mil euros dos nossos impostos.
A autarca de cá também não se opôs, quando para isso foi perguntada e, por escrito, confirmou o projeto.
O autarca municipal ofereceu uma sede à Quercus e, esta, ofereceu um parecer ao autarca municipal.
Foi comprado pela autarquia municipal um parecer sobre ventos, que é uma transcrição fidedigna de um outro elaborado para outra Centroliva, apenas mudaram os nomes. 

Custou caro ao que me disseram...
O autarca municipal Dr. Luis Correia não seguiu o principio da precaução, acreditou e acredita nos amigos da Centroliva/Valamb.
Na assembleia municipal, CDS, PSD, BE e PCP, opuseram-se através de moção conjunta.
Todos os presidentes de junta, Alcains incluído, e o PS, aprovaram a instalação da Valamb na nossa terra.
Factos.
Se também não se opuser, este cancro ambiental pode ser seu.


Obrigado

Manuel Peralta

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Centroliva2/Valamb Lda

Irmãs gémeas. 
A primeira a nascer, a mais velha, alterna, causando um péssimo ambiente em Vila Velha de Ródão. Todas as janelas se fecham quando ela passa...
A gémea mais nova, aguardou pela idade para se fazer à vida, e, tem já “responsável” não oposição municipal albicastrense para passar a alternar, apesar da tenra idade.
Apesar de ter pai conhecido, rico, várias vezes 44 mil euros em bancos e muito património, foi presenteada pelos padrinhos municipais com oferta de um terreno no limite das freguesias de Castelo Branco e Alcains, ali pelo cabeço do carvão, com 65 mil euros de impostos municipais para ali alternar. Tem projeto aprovado e ao que consta aguarda financiamento do 20/20 para ali fazer ela vida dela e dos deles.


Em Vila Velha de Ródão a gémea mais velha, Centroliva1, devido à inexistência de controlo sanitário do qual a APA, agência portuguesa do ambiente, e outras entidades, se demitiram, está agora a ser pressionada para, pelo menos se lavar, visto que os maus cheiros da sua poluente atividade, entravam pelo gabinete de todos os presidentes de Vila Velha e apenas o atual, homem de coragem, decidiu que era chegada a sua vez de a mandar lavar e ao que parece, curar. 
Está muito doente, visto que as suas fezes destruíram a ribeira do Açafal, a Líria de Vila Velha, onde nunca mais se pescou um robalo, sequer um lagostim, e nem as donas de casa conseguem secar a roupa no exterior.


Nos continuadores da obra, a gémea mais nova, Centroliva2/Valamb, tem não oposição municipal para operar, ofereceram o terreno, não se opuseram, bem como a autarca de cá, e a poluição tem ordem para avançar. São factos. Ponto.
Com Almaraz, Espanha, a rebentar pelas costuras, com Centroliva e Celulose  em Vila Velha, com a Oviger, os SMAS Castelo Branco, e a ex Águas do Centro em Alcains a poluir, na verdade o sul do distrito de Castelo Branco bem pode chorar a tristeza ambiental a que estão condenados.
Foram entretanto a Lisboa os vários autarcas, presidentes, cujo Tejo, contrafeito, beija as suas margens concelhias. Tristes, uns por querem acabar de vez com os poluidores, outros porque se acabou o festival da lampreia, outros porque querem lutar contra a triste sina dos interesses instalados, outros porque querendo camaleonicamente confundir-se na excursão, tentando apagar, não se opondo, autorizaram a destruição ambiental de muita gente que só quer viver e respirar o puro ar a que, por enquanto tem grátis. Hipocrisia municipal.


Resta-nos lutar.
Na Assembleia Municipal de Castelo  Branco foi votada uma moção em que, CDS, PSD, PCP e BE se opuseram a esta obra municipal. Com a liberdade de cravo vermelho na lapela, todos o presidentes de junta e todo o PS, não se opuseram a mais esta obra do Dr. Luis Correia.
Que Deus seja justo.
Voltarei.

Manuel Peralta


Nota: Remeti ontem, domingo, para os jornais Reconquista, Povo da Beira, Gazeta do Interior, Jornal do Fundão e Diário de Notícias o texto que aqui dou a conhecer. Vou aguardar para ver quem publica.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Pimentos

De volta à escrita e no inicio de mais um ano, retomo o mesmo caminho.
Comunicar coisas simples da vida...
E porque, nem só de pão vive o homem, considero oportuno escrever sobre pimentos, dando a conhecer um faceta que, presumo, para muitos desconhecida.
É que não há só pimentos, também há pimentas, isto claro dentro dos pimentos a que vulgarmente apelidamos de pimentos doces.


Cristóvão Colombo no século XV, 1493, vindo da América do Sul, Bolívia e Peru, trouxe para Espanha as sementes dos pimentos que no século XVI e a partir de Espanha se disseminaram por toda a Europa até aos dias de hoje.
São plantas tropicais, exigindo para se desenvolverem, temperaturas de 20 a 25 graus Celsius. Por experiência própria quando na minha horta os planto muito cedo ficam aninhados, não se desenvolvem, perdem-se e têm de ser substituídos.
Dou a conhecer na foto abaixo a diferença entre...

...pimentos e pimentas.



Male, macho.
Female, fêmea.

Se virarem os pimentos "de rabo para o ar", os pimentos fêmea têm 4 pontas, mais sementes e são mais doces, portanto melhores para comer crus em salada.
Os machos têm 3 pontas e são mais ácidos, mais apropriados para cozinhar.”


Apresentam durante o seu desenvolvimento e maturação, duas a três cores. Pimento verde, que passa a vermelho quando demora a sua colheita, e, se esta colheita for ainda mais demorada e se uma ou outra geada aparecer, toma por vezes uma cor roxa a caminhar para preta.
Também aparecem pimentos de cor amarela.
Assados a acompanhar uma sardinhada, em massa depois de cozidos para dar cor aos guisados, crus em finas fatias em saladas, são um excelente alimento.
Mas como nem só de pimentos vive o homem, sugiro que cliquem neste link e apreciem as variedades das ditas malaguetas.
Um outro mundo, muito mais picante.
Boas pimentadas.

Manuel Peralta

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Carlos Manuel Gregório Barata

Carlos “Bazuca“/ Carlos “Bomba”


Em Alcains, na terra deles, na nossa,  quem não tem um apelido é um “desinfeliz“...
O Carlos Manuel Gregório Barata, que neste verão reencontrei, tem dois e, por tal facto é um Alcainense sobejamente conhecido.
Conhecido não só pelos apelidos, mas principalmente pela sua atividade em prol da nossa terra, ciclista e futebolista.
Filho de Martinho Barata Rosa e de Piedade Escudeiro, casal que teve 6 filhos, 5 homens e uma mulher, todos os filhos vivos, residiram durante a sua criação ao fundo da barreira da Pedreira, ali próximo do “açougue”, vizinho das alminhas, na então denominada rua João de Deus.


Uma dúzia de ovos, duas galinhas poedeiras, uma régua e uns vasos com flores, foram as “atenções“ havidas, para concluir a 4ª classe da instrução primária.
Rapaz que foi, e concluída a escola, cedo entrou então na aprendizagem da vida, nas obras, boas obras...
Tinha “deitado corpo“ cedo e então já com bom cabedal, começa a trabalhar como servente sem nunca estar doente, e, por ali andou, muitas vezes bem, algumas, poucas, mal, e neste vai vem chega a profissional.
Mas não se passava da cepa torta...
Decide então aos 35 anos, emigrar com a família para a Suiça, e por lá está, e ao que consta, irá continuar.
Neste entretanto, e a cada dia, após os trabalhos nas obras, o Carlos procurava a seu modo, gastar o resto das energias noutras atividades, nomeadamente no ciclismo, 2 a 3 anos, e, no futebol, até ir cumprir o serviço militar.
Relembra que, no ciclismo, nunca correu com o Fiel da Lardosa, mas amante da modalidade, acompanhou de muito perto as lutas, as rivalidades ciclistas entre o Pirilau e o Fiel.


Os jornais de então, isto em 1973, davam nota dos êxitos do Carlos Barata, nomeadamente na 2ª Volta à Cova da Beira em bicicleta, que o Carlos venceu.
No contra relógio final desta etapa, gastou apenas 39 min e 30 seg para percorrer os 24 km do percurso a uma média de 36,4 km/h.
A prova realizou-se em 3 anos e a cada ano, eram disputadas várias etapas.
Em 1971 ganhou 2 etapas e ficou em 3º na classificação geral, e os prémios que recebeu foram um frigorífico por ter ganho a 1ª etapa e 1500 escudos por ter ganho a segunda etapa.
Em 1972 fica em segundo, numa prova com 4 etapas, das quais ganhou duas.
A foto seguinte mostra o Carlos a cortar a meta na Av. da Liberdade no Fundão, prova que ganhou na etapa do contra relógio de que acima dei nota.


Em Alcains, estas vitórias fora do largo de Santo António, não tiveram a repercussão que tiveram na Cova da Beira. A prova não passava por cá, e, naqueles tempos, as leituras dos jornais eram parcas, as rádios locais ainda não “poluíam” o ambiente, os transportes eram mais que exíguos, enfim o Carlos por lá andava, correndo, sofrendo, levando o seu nome e o da sua terra, para lá da serra da Gardunha.
Por cá nas habituais provas em Alcains, em 1971 ficou em 5º lugar numa prova em que ganhou o Carrapicho da Ponte de Sor, sendo o melhor de Alcains, em 1972 ficou em 1º na festa de Santo António e, em 1973, ganhou o contra relógio de Santa Apolónia, com um percurso de 6 voltas entre Alcains e a padroeira dos médicos dentistas.
Em S. Miguel d`Acha, em 1973, ganhou a prova do ciclismo que ali ocorreu nas festas da aldeia, prova a que assistiu a sua namorada, hoje sua esposa, uma Alcainense. 
Diz o Pirilau que o Carlos, por ter lá a namorada a assistir, lhe terá pedido para o deixar ganhar a prova, pedido que o Carlos diz não ter existido...
O Carlos ganhou e casou. É um facto.


Esta foto diz respeito à 3ª volta à Cova da Beira, tirada na av. da Liberdade no Fundão, data de 1972, prova em que o Carlos ficou em segundo na geral, tendo ganho 2 etapas, da esquerda para a direita o Carlos é o 5º na foto e o seu irmão, José Rosa é o 8º.
Em Lisboa na nona prova de iniciação, o Carlos correu por uma equipa do Fundão, ficou em 25º, numa prova com 180 participantes.
Conciliando trabalho e ciclismo, ainda arranja tempo para a prática do futebol.
A guerra colonial por um lado e a decrepitude do Estado Novo por outro, aos poucos, foram matando lentamente estas atividades. A FNAT, Federação Nacional para a antiga Alegria dos Trabalhadores onde o GDA, Grupo Desportivo de Alcains, atingiu posição de relevo, com atletas como o Polainas, Balaia, David, Esteves, Rola, Zé Adónis, Patão, Nalguinhas entre outros, acabou.


Renasce o futebol em Alcains, nascendo o INTER, e o Carlos lá estava, de serviço, fazendo os seus quartos de sentinela, discreto, quer a principal quer a suplente, mas sempre presente, de serviço e ao serviço da equipa de Alcains.
Esta é por assim dizer a primeira foto e a primeira equipa que, nascendo na transição da ditadura para a democracia, viria a dar origem ao CDA, Clube Desportivo de Alcains de hoje.
O INTER nasce no clube da praça, no CRA, Clube Recreativo de, até então de muito poucos, de Alcains.
Deliberadamente não indico os nomes desses atletas, desses Alcainenses que a muito custo, reergueram uma atividade de que Alcains se orgulha, o seu futebol.
Vale a pena deter-se na foto e procurar descobrir quem são.
Por outro lado, o Balhinhas, o Batatinha e o Góis entre outros já jogavam nos juvenis do Desportivo de Castelo Branco, quando em Alcains se forma o INTER.
Este, INTER, teve vida breve, e começa então no CRA, o Clube que daria origem ao CDA de hoje.


Documento único, esta foto, diz respeito à equipa do INTER que em 1972, disputou o campeonato distrital da Associação de Futebol de Castelo Branco, sob a égide do CRA, clube da praça.
Presente, sempre, o Carlos.
Convido os leitores a reconhecer os atletas.
No futebol, no INTER, o Carlos, devido à sua forte compleição atlética, começou a jogar no meio campo e por ali ficou e jogou, diz ele, ganhando a equipa quase sempre.
Já no CDA, fez-se o primeiro jogo para o distrital nos Cebolais, e, ali, alinhou a guarda redes, e, por este posto ficou.
Quase sempre a suplente, com o Manuel Pacheco, ficou.
A direção de então foi buscar a Castelo Branco um guarda redes de nome Alves, que alinharia a titular.
O Carlos não desistiu, ficou.
Já na 3ª divisão, jogando sempre a suplente, viu chegar profissionais para defender as redes, nomeadamente o Cardoso entre outros.
E o Carlos, desportivamente, ficou.
O Carlos tem muitas histórias para contar, trabalhou com muitos dirigentes, Alfredo Pacheco, Carlos Minhós, Alírio entre outros.
Aprendeu na pele que... santos da casa não fazem milagres ..., tapava os buracos dos outros, ele que substituía os guarda redes profissionais, que de manha simulavam lesões que os levavam à substituição, quando já tinham deixado entrar 3 ou 4 golos...
E o Carlos, desportivamente, alinhava no trabalho de equipa, procurando salvar do naufrágio a equipa da qual fazia parte.
O Carlos confessa que se sentiu sempre muito mais acarinhado no ciclismo que no futebol, isto porque no ciclismo dependia apenas de si, enquanto que no futebol, os interesses já então instalados, ditavam quem jogava a principal ou a suplente.
Bastava para tanto, quando casava, não comprar as mobílias no lugar certo. 
Ponto.


Quando em sua casa acompanhado de sua esposa, Maria José Gregório Farias me recebeu, recordo o modo tranquilo como recorda o seu passado, em paz com a vida, afetuoso, e sem recalcamentos.
O Carlos que recordou comigo estas parcas notas que compilo para a posteridade, este tempo nobre com que norteou a sua vida, ao serviço da nossa terra, sem nada lhe pedir ou cobrar, diz bem da fibra do exemplo de Alcaineneses simples, que deram tudo à sua terra sem nada lhes pedir.
É por estes exemplos que justifico o lema do terra dos cães... um blogue fiel e amigo do homem...
Obrigado Carlos Manuel Gregório Barata.

Manuel Peralta

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Valamb, Lda

Para que conste

Perguntam-me por vezes se, a Câmara Municipal, já autorizou o projeto da Valamb Lda., empresa que se propõe “embagaçar” Alcains.
A resposta aí está.


Para que conste e para memória futura dou nota desta ata da câmara municipal.


Manuel Peralta

domingo, 18 de outubro de 2015

A Centroliva, o Figo da Índia e o Dr. Luis Correia

Em Vila Velha de Ródão, uma dupla de peso, denominada Celulose e Centroliva, empresas catedráticas em poluição, vêm martirizando ambientalmente os “vilavelhorodenses” com os seus inebriantes perfumes que, por vezes, até passam por Castelo Branco e chegam a Alcains.
Denunciando de forma macia, amigável e tolerante esta intolerável situação, outros o terão feito, presumo, na mártir Vila Velha, mas só agora, o atual Presidente de Câmara, com a voz grossa de quem tem razão, publicamente disse isto.


“O desenvolvimento tem de ser feito com empresas mas, não pode hipotecar a qualidade de vida dos cidadãos”, mais, “É bom que a empresa Centroliva perceba que este foi o dia D nas questões relacionadas com as suas práticas ambientais e que, nenhuma das entidades está disponível para continuar a pactuar com incumprimentos”.
Melhor eu não diria, e, em Alcains, na terra deles, diz-se, quem fala assim não é gago...
Em resultado de uma visita de várias entidades à Centroliva, este falido país está repleto de entidades, entre as quais a CCDRC e a APA, Autoridades designadas por Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e Agência Portuguesa do Ambiente, visitaram a máquina de poluir e agora elaborarão relatório do qual nada que interesse aos vilavelhorodenses, será público.
Vai ser como até aqui, a máquina de poluir assume o pecado, promete perante as entidades que não vai voltar a pecar, ser-lhe-à aplicada ligeira penitência, mas, afirmo, vai continuar a poluir, digo, pecar, não por pensamentos, mas sim por palavras, actos e omissões. 
Reafirmo.


Isto porque na sua génese, existe o pecado original, isto é, em nenhum lugar do mundo, Alcains e arredores com Caféde incluído, onde estas máquinas de destruição ambiental foram autorizadas a laborar pelas ditas Entidades, refiro, Ferreira do Alentejo, Condeixa a Nova, Luso, Cachão entre outras, cheira mal por todo o lado, e isto de maus cheiros, ainda que por vezes se encolham com filtros cada vez mais finos, é escusado, é impossível no nariz eliminar um mau cheiro, mais digo ainda, quanto mais se apertam mais refinados ficam os cheiros, mais perturbam as nossa fossas nasais. 
Entretanto as mesmas Entidades que agora vieram fiscalizar a Centroliva são as mesmas que autorizaram recentemente a instalação em Alcains onde não há um único lagar, de nova máquina de poluir denominada Valamb Lda. com aval do Dr. Luis Correia.
Este processo metido nos carris no tempo do Comendador Morão, cerca de 200 mil dos nossos euros por terreno “oferecido” à Valamb, houve uma primeira tentativa de destruir o ambiente em Alcains que não se consumou porque, por um lado, cerca de 900 Alcainenses livres assinaram ser contra esta tentativa, por outro, o esclarecimento e a ação da Triplo A, Associação Ambiental de Alcains, conjugado com a nega do INIR, Instituto Nacional das Infraestruturas Rodoviárias, não permitiram que este crime ambiental se consumasse.
Triplo A, 1, Dr.Luis Correia, então, já, zero.


A Valamb Lda. tem sede no Fundão e porque razão vem poluir Alcains e o concelho? Será o Presidente da Câmara do Fundão tonto? Será que não quer aproveitar os benefícios desta atividade? Será por a Câmara ser de cor diferente da de Castelo Branco? Quem são os sócios da Valamb? Se conseguirem resposta a estas questões talvez percebam o que é um “enrolamento imbricado”.
Desagradado com a derrota, o Dr. Luis Correia promove nos mesmos carris, desta vez com 65 mil dos nossos euros “oferecidos” à Valamb, arrancando no maior pulmão concelhio, 6,5 hectares de frondosos pinhos mansos, destruindo os pastos do maior produtor de queijo dito de Castelo Branco, ali, onde o ambiente tropeça e o cabeço do carvão começa.
Igualmente grave, a mesma dita Entidade, Comissão de Coordenação do dito “Desenvolvimento Regional” do Centro, que fiscaliza um poluidor em Vila Velha é a mesma Entidade que recentemente autorizou a Valamb a poluir em Alcains.
E é com esta ligeireza que as entidades por nós pagas, aprovam, e por aí pululam, em alegre constância na dita dança da alternância.
De rir até às lágrimas, é o investimento de 4 milhões de euros da Valamb que o Dr. Luis Correia não anuncia, em parangona de jornal com foto não acidental, prefere mais o “Figo da Índia” esse filho de cato disléxico que ombreia no deserto do México.


Consta até que, no centro de inovação, afincadamente se estuda a possibilidade de, a partir da méla da esteva, e em lata, se venha a produzir laca.
Expectante me interrogo com a situação em que,  caso não haja capitais próprios por parte dos sócios da Valamb, será que haverá instituição bancária que financie com garantias prudentes, uma atividade fortemente contestada por todo o lado, de sazonalidade que torna a laboração inviável, e que a obriga a elevados investimentos que ajudam temporalmente a falir?
Que a banca financie nova instalação, aumentando uma capacidade já instalada em Vila Velha, não completamente utilizada, e que tem os problemas que a comunicação social atenta nos vai dando a conhecer?
Ou irá continuar o “ amigalhanço “ do costume que todos pagamos para safar uns poucos?


O senhor Júlio Carda, habitante de Vila Velha, sabe do que falo, a ele que a Centroliva transformou a ribeira do Açafal num autêntico pêgo negro e onde nunca mais teve o regalo de pescar um bordalo, ribeira esta que corria limpa, clara, como as palavras do atual Presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão.
Será que o Dr. Luis Correia quer fazer o mesmo à ribeira da Líria?
Quem me segue no meu blogue terra dos cães, sabe que para memória futura, ali se desenvolve uma luta, que a ser vencida tornará Alcains, e o concelho de Castelo Branco ainda menos atrativo.
Quando num dos locais mais aprazíveis de Castelo Branco, a Quinta da Dança, o seu espaço e ambiente geral for invadido pelos cheiros desta atividade, que os ventos dominantes para ali soprarão, nada mais será como hoje é. Fico-me por aqui.


Sei que é necessário muita força, conjugada com muita humildade para sair dos carris onde está metido.
O Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, que não conheço, deu de forma clara o seu grito de Ipiranga, e com isto libertou-se e pode ser tratado por Presidente de Câmara.
Pode ser que, com a sua lucidez faça a agulha nos carris em Vila Velha, e consiga descarrilhar a locomotiva da destruição ambiental que em Castelo Branco se aprovou.


Esperançoso olho para o seu ambiente e aguardo que a sua luta em Vila Velha, eivada do bom ar que a sua atitude saudavelmente respira, chegue a Alcains, mas que interpele os adormecidos albicastrenses, pensando que isto é um problema ambiental que afeta apenas Alcains.
Espero que eu não chegue a ter razão, pois seria um sinal de que, como em tempos disse à comunicação social o Dr. Luis Correia, “há gente que gosta de meter medo às pessoas”...
No entanto, caso o projeto que autorizou à Valamb, autorizou, no sentido de política municipal de ambiente, chegar a ver a luz do dia, quero ver quem vai aturar os martirizados cidadãos, as donas de casa que não conseguirão secar a roupa ao ar livre, os promotores do turismo, o ramo imobiliário enfim toda a vida de um concelho a quem destruiu o melhor ativo de desenvolvimento, o ambiente.
Voltarei.

Manuel Peralta

Nota: Remeti este texto para publicação para os jornais, Reconquista, Gazeta do Interior, Povo da Beira e Jornal do Fundão. Dei igualmente conhecimento às câmaras de VVRódão e Fundão, bem como à CCDRCentro e à APA, Agência Portuguesa do Ambiente.

sábado, 10 de outubro de 2015

Tributo ao Senhor Vigário

Padre António Afonso Ribeiro


Em 1 de Julho de 1990, a comunidade religiosa de Alcains, decidiu e bem, prestar homenagem ao seu pastor de muitos anos e de muitas gerações, o Senhor Vigário, o saudoso Padre, António Afonso Ribeiro.
Em dia muito bem passado, no recinto de Santa Apolónia, sob o patrocínio da Menina Alice, desfilaram pelo palco vários grupos previamente ensaiados, que em lhana alegria testemunharam em vida ao homenageado, o seu apreço e o seu agradecimento, pela sua pastoral na nossa terra.


Escuteiro que fui, e amigo do Senhor Vigário, não deixei de cooperar na festa.
Só que tanto tempo passou e já não me lembrava do que então disse.
O meu amigo Tó Preto, presenteou-me entretanto com este documento que convido a ver e ouvir.

Pelo tamanho partilho convosco no YouTube. Para ver e ouvir, por favor, carregue aqui
Vale a pena. 
Tenho outros testemunhos que oportunamente publicarei.


Manuel Peralta

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

AUXILIAR DA MEMÓRIA BAGAÇAL

Ainda não é do conhecimento público, mas, o Dr. Luis Correia informou em reunião recente da Câmara que o projeto dos seus amigos da Valamb Lda. já foi aprovado.
O Dr. Luis Correia apoiou este projeto.
O projeto, instalação de uma “UNIDADE DE DESTRUIÇÃO AMBIENTO/BAGAÇAL” no Cabeço do Carvão em Alcains, teve aprovação da autarca de Alcains e do Dr. Luis Correia, autarca que preside a Castelo Branco.
O que vai acontecer em Alcains é o que a foto seguinte mostra.


Quando o assunto da “BAGAÇADA MUNICIPAL” foi abordado na Assembleia Municipal as votações dos partidos foram as seguintes.

A Favor da bagaçada, o PS, Partido Socialista.
A Favor da bagaçada, todos os presidentes de junta do Concelho.
Contra a bagaçada, o  BE, Bloco de Esquerda e o CDS, Centro Democrático e Social.
Abstiveram-se o PSD, Partido Social Democrata e o PCP, Partido Comunista Português, dignos de Pilatos.

Alcains, onde não há um único lagar, vai ficar assim, ver foto.


Avivando a memória com este “AUXILIAR DE DECISÃO“ , dou conhecimento deste triste facto que irá destruir irremediavelmente o ambiente em Alcains.

Manuel Peralta

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Pirilau

Pirilau
David Pirilau
David Caetano Félix


Ganhou o Pirilau...
Mas qual?
O Raul ou o David?
O da bicicleta, o David, um artista, o corredor, o ciclista.
Era assim, sempre quando o David corria na sua bicicleta, nas festas de verão, um pouco por todas as localidades das redondezas. Esguio, de perna curta, de gordura enxuta, franzino, este ciclista menino...
Filho de “sardinheiros”, ele o pai, António Félix e a mãe Maria Emília Caetano, tiveram seis filhos, quatro rapazes e duas raparigas.
Já agora e, a propósito de sardinheiras, sempre me causou “imbeleique” porque é que em Alcains não havia peixeiras? 
A Ti Carquita, a Ti Arraiana, a Ti Pirilau entre outras, eram apelidadas de sardinheiras enquanto noutras localidades eram apelidadas de peixeiras.
Reconheço agora que, nas caixas da sardinha, efetivamente só aparecia sardinha, algum, pouco, carapau e parcos chicharros, daí que o nome da sua profissão estivesse ligado ao produto “core”, que vendiam. Sardinhas. Logo, sardinheiras.
Adiante.


O David, agora na “ retraite “ e a viver em França e que no barbeiro reencontrei no verão passado, foi dos últimos ciclistas populares a levar o nome de Alcains às redondezas.
Fez a quarta classe, trabalhou nas obras, pedreiro, e com o dinheiro que ia ganhando e poupando, comprou uma bicicleta.
Mas que bicicleta?
O seu irmão, Pirilau Raul, um verdadeiro artista, aventureiro, e que, quando as comédias vinham à praça, e, sempre que o palhaço pedia à assistência um voluntário, o Pirilau Raul, saltava de imediato para debaixo do petromax, instalado no trapézio.
Tudo isto perante o embevecido ar da Ti Piedade Esgueira e do Mané Pi, seus vizinhos, com anual assinatura de camarote de primeira vista.
De tanto saltar, certa vez, saltou um muro e foi às laranjas. Apanhado, tinha de pagar multa, e, sem dinheiro e por cem escudos teve de ao irmão David, vender a bicicleta, e, assim, nasce um ciclista.
E começou o David, a treinar, a correr, sem fim pedalar, sem qualquer apoio, mas com uma enorme vontade de vencer...
Alcains, Lardosa, Escalos, quer de cima quer de baixo, S. Miguel D´Acha, Medelim entre outras localidades, por ali correu, disputou, pedalou com outros camaradas provas de ciclismo que traziam para a estrada e para as ruas, os apoiantes e os muito entusiastas de então.
Sem qualquer apoio...


Conta que nas corridas em que participou se não era primeiro era segundo, o seu grande rival era o saudoso FIEL da Lardosa, recentemente falecido.
Numa festa na Lardosa e no sprint final, iam ambos colados, o Fiel caiu, o David passa por cima dele, e de bicicleta pela mão, corta a meta em primeiro lugar.
A correr em casa a comissão das festas, quis dar o prémio ao filho da terra, Fiel, mas a GNR de Alcains, obrigou a comissão a dar o prémio ao David.
Em 1968, em Lisboa, numa prova que catapultou Alcains para o ciclismo, pois foi objeto de notícia nos jornais nacionais de então, prova essa organizada por um conjunto de Alcainenses, João Batista, Vitor Serrasqueiro, Minhós Castilho, Félix Rafael entre outros, o David ficou em 4º lugar, isto porque saltou um pedal da sua bicicleta, e apenas com uma perna fez o sprint final.
Desta prova há um post no terra dos cães denominado “ciclismo em Alcains” um dos post mais visualizados, onde se detalha esta aventura que esteve na base de termos em Alcains finais da Volta a Portugal.
Mas a vida por cá estava mal...


A salto, emigra para a França. Trabalho nas obras. Sem passaporte...
Não querendo ser refratário, regressa a Portugal, para a tropa. 
Desde Oxerre até Alcains, vem então de bicicleta. Nove dias em cima dela, a duas rodas, por montes e vales.
Radio telegrafista na Guiné Bissau, 22 meses de comissão, regressa à então metrópole com o 25 de abril.
Parte então para França, onde reside, tem agora 65 anos, casou, 4 filhos, todos, família, lá.
Os prémios não passavam então de umas taças, medalhas, uma ou outra garrafa de Lágrimas de Cristo e, dinheiro, sempre pouco.
Conta que o FIEL era melhor rolador, mas ao sprint o David passava-lhe a perna.
Numa prova em Medelim, correu entre outros com o “Basuca”, o Carlos Rosa. Como este tinha lá a namorada, combinaram, e o David deixou-o ganhar. Acabou por casar lá.
Mas a coroa de glória dele é uma marca  jamais batida.
Contra relógio Alcains, Escalos de Cima, alto da Lousa, Lardosa e final em Alcains em 41 minutos e 33 segundos, média de 39 quilómetros por hora, imbatível até hoje. Disse.


O David merece não ser esquecido, deu alegrias a muita gente, despertou imenso entusiamo, ajudou a reconhecer Alcains como uma terra de muitos e bons ciclistas.
Ainda hoje, humilde, discreto, simples,... a nossa terra, na generalidade, foi feita assim.
Obrigado, Pirilau, David.

Manuel Peralta