Páginas

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Terra dos Cães no Reconquista

Para o leitores do jornal RECONQUISTA, decerto não passou despercebido, um excerto de uma entrevista sobre o “nosso” blogue, efetuada pelo conhecido jornalista Alcainense, Nelson Mingacho.
A foto abaixo relembra o referido texto.


Porque nem tudo o que se escreve pode e deve ser editado, os jornais têm os seus critérios e sempre um reduzidíssimo e caro espaço de publicação, dou a conhecer o teor das perguntas efetuadas e as respostas que produzi.
Ao Reconquista um muito obrigado pela  notoriedade que decidiu dar ao blogue.


Quantos anos tem o Terra dos Cães?
O Terra dos Cães iniciou em abril de 2010. Disperso já pelos 5 continentes, com leitores em 37 países.
Com cerca de 70 000 visualizações de páginas, 330 comentários de seguidores, 225 textos publicados, com uma média mensal de 2 500 visualizações por mês.
Tem 38 seguidores registados na página, e a distribuição das páginas lidas pelos leitores por países é a seguinte.
Portugal, 46 000, França, 10 000, Brasil, 6 000, Estados Unidos, 4 500, Suíça, 600, Alemanha, 550, Rússia, 450, Reino Unido, 250, Espanha, 150 e Canadá, 100. O resto distribui-se pelos 27 países restantes.


Qual o balanço destes anos de atividade do blog?
Uma agradável surpresa. Quando comecei nunca pensei que pudesse em curto espaço de tempo o blog fosse tão lido. As pessoas quer por escrito quer pessoalmente, manifestam o seu agrado. Algumas até me dizem. Ó Sr. Manel “ponha-me lá”...


Quais os temas que mais gostou de publicar?
Todos os temas têm para mim especial interesse, mas destaco que o que mais me motiva é a vida daquilo a que eu chamo o ” Alcains dos simples”. Canteiros, sapateiros, artistas, ciclistas, ou as atividades relevantes que engrandecem ou engrandeceram a nossa terra.
Por outro lado, estar atento ao que de relevante se passa à minha volta, continuar a observar Alcains pelo lado do que muito falta fazer, do lado do copo meio vazio...
Depois dar vida “à memória sem arestas” a que eu chamo de saudade, sobre os homens que não tendo vagar de ser meninos atingiram notoriedade nas suas profissões ou artes, Manuel Grilo (Automotora), Jacinta Godinho, Rui Caldeireiro, João Moleiro, João Pionto, entre muitos outros.


Quais os que tiveram mais feedback por parte dos leitores? 
O tema “Poluição da Ribeira da Líria” e a incapacidade geral dos variados serviços que superintendendo na ribeira, continuam entretidos a fazer de conta. Ministério do Ambiente, Inspeção Geral do Ambiente, Administração da Região Hidrográfica do Tejo.
Por outro lado, irão sair do lado Municipal, e vão deixar Alcains a continuar a cheirar mal...


Quais os critérios (interesses) que o levam a escolher determinados temas em detrimento de outros?
As coisas acontecem naturalmente a quem agora, como eu, tem muito tempo para gastar, estou rico neste ponto, mas nada diga ao ministro Gaspar...
Repare, em tempos de bicicleta fui dar uma volta pelo Outeiro. Encontrei a zeladora das alminhas a colocar a lamparina nas alminhas, e aí apareceu um tema.
Você sabe que circulam diariamente pelas ruas e famílias em Alcains 21 córos da Sagrada Família? E que a cada côro estão atribuídas 30 famílias, tantas quantos dias tem um mês?
A igreja descobriu há séculos o conceito de portabilidade, se o homem não vai à Igreja, vai a igreja ter com ele, e “inventou” a caixinha da Sagrada Família.
As empresas de telecomunicações só no fim do século passado evoluíram nos telefones móveis, na portabilidade...


Está a preparar algum tema especial para o Natal? 
O ano passado fiz um trabalho sobre as filhós. Preparativos, lenha no forno, arremansar, receita, amassar, tender, fintar, talhar, fritar, açucarar, e, com azeitonas retalhadas com sal grosso e um bom vinho, cantar, cantar... natal, natal, natal, natal, filhós com vinho, não fazem mal...
Juntamente com os borrachões, é dos temas mais visitados do Terra dos Cães.
Este ano o Natal é cá com a “nétada”.
Estou a ficar “maninho” de ver um acontecimento único no mundo. Uma fogueira de Natal sobre uma casa mortuária. Pode ser que esta necróloga originalidade contribua para dar notoriedade à ex-aldeia.
Junção única no mundo, de se ficar tétrico e meditabundo... Hitchcok não conseguiria fazer melhor.


Já pensou em publicar um livro (ou outro formato) com os textos escritos até ao momento?
Há quem me incentive.
Ao Zé Minhós Castilho e ao Manuel Geada pelos excelentes contributos que cada um tem dado, À Terra Deles, À Nossa,  À Dos Cães, Alcains, os meus agradecimentos.


Manuel Peralta

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Em terra de Canteiros

Na segunda semana de dezembro, quem pelo largo de santo António passava, indiferente não ficava a um acontecimento até aqui invulgar, que por ali ocorria.
A autarquia local autorizou uma empresa de trabalhos em pedras e uma leitaria, a instalar um conjunto de pedras que a foto abaixo reproduz.


Deixo para a posteridade as presentes fotos e, para os leitores, o que a imaginação de cada um conseguir mentalmente editar.


Este Natal, também o Papa Bento 16 surpreendeu tudo e todos, quando fez cair mais um mito de que, no presépio, que a imaginação popular do catecismo sempre acreditou, a vaca e o burro não faziam parte da moldura que sempre emoldurou o presépio.


Como o horror ao vazio é um estímulo para a criatividade, já repararam por certo, como em Alcains se substituiu o decretado vazio “presépial”...

Manuel Peralta

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A fogueira e a “malta” da fogueira

Os deserdados do ex SMO, Serviço Militar Obrigatório, continuam por cá a fazer a fogueira de Natal. São poucos, e de ano para ano cada vez menos. Este ano nem eles nem elas sabiam, com rigor, quantos eram, isto é quantos homens e mulheres tinham nascido em 1993. Filhos destes  tempos sem rigor, inexatos, do “mais ou menos” como não podia deixar de ser e como aprenderam, quando não se tem a certeza de nada, apura-se a decisão “ por consenso” e à volta de trinta H + M foi o consenso que a certeza deles apurou. São mesmo muito poucos, numa terra que chegou a apurar para a inspeção, cerca de noventa mancebos.

 
Como se extingui o SMO, deixou de se usar a expressão, a malta da inspeção. Perdeu-se assim esta expressão popular titulada por “malta da inspeção” onde as “catchopas” não entravam. E nem tinham que entrar uma vez que o serviço militar estava vedado ao pessoal feminino.
Presumo que original na Beira Baixa, em Alcains, a fogueira de Natal realiza-se atrás da igreja matriz. O ex largo do Kosovo foi pela Câmara da cidade intervencionado com prolongamento do adro da igreja que cortou ruas, destruiu casas e sobre esta destruição renasceu uma casa mortuária, um adro ampliado e um parque de estacionamento pago. Mas oportunamente voltarei para mostrar as foros da intervenção efetuada.
Mas voltemos à fogueira.

 
A tradição impôs durante muitos anos que a fogueira fosse acesa por pessoa que promessa tivesse feito e em geral, a malta da inspeção anuía sempre.
No entanto desde há já algum tempo, que a malta da fogueira arranja umas tochas que embebe em gasolina e assim cada um armado de sua tocha embebe, incendeia e à fogueira deitam fogo.

 
Com indumentária a preceito, de camisola estampada com um “ I love 93”, gorro de Pai Natal na cabeça e camisola estampada com um “ oferece-me uma cerveja”, iniciam a tradição de deitar fogo à fogueira.
Começa também a ganhar raízes entre a malta da fogueira, uma moda que consiste em barrar na praça o caminho a passantes e viaturas, e assim trajados como referi, pedem dinheiro para as suas festas...isto no dia 24 de dezembro.
Entretanto e com a presença dos bombeiros por perto, a fogueira arde.

 
E com falta de lenha grossa, com muita lenha miúda, e bastante empapada em combustível líquido, a fogueira arde num instante de tal modo que quando se vai à missa do galo, o calor quase se despediu.

 
Este ano, em amplo recinto com um adro acrescentado, que decepou a rua José André Júnior, havia muita gente a assistir a esta tradição.

 
Uns tiravam fotos, outros conversavam entre si, em surdina, sem alegria e nem um cantar muito menos um espontâneo que de varapau na mão, malhasse e remalhasse na fogueira.

 
Lembro-me, quando a fogueira era em frente à Igreja, que o ti Saraiva era o campeão da malhação da fogueira, munido de grande varapau malhava na fogueira de grande, dando vivas à malta, e, atirando o varapau para trás das costas obrigava toda a gente a precaver-se protegendo-se de certa pancada, mas era uma alegria toda a gente a afastar-se e a rir com a situação.
Uns de garrafão na mão ofereciam vinho aos assistentes outros já meio aquecidos cantavam loas ao Menino que houvera de nascer.

 
Em casa, ainda usamos uma expressão colhida na fogueira, e já lá vão muitos anos, dita pelo ti Adelino que, de varapau na mão, e enterrando o varapau na fogueira dizia com uma alegria esfusiante vindo da praça...”cosquinhas na MaridaGraça”...


Era habitual no dia de reis quando se ia à missa, a fogueira ainda arder e era motivo de chacota quando a malta desse ano tal não conseguia.
Hoje com vida e ações cada dia mais deletérias, não admira que tudo dure apenas quase um instante, nada perdura como diz a minha amiga Arlete... nestes tempos de “delete”...

Manuel Peralta

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

NATAL, 2012, Alcains, 2013

Não estava esquecido e, muito menos cansado, quer das festas quer deste, para mim agradável, meio de comunicar com os numerosos leitores  do Terra dos Cães.
São já umas agradáveis 70 mil “page views” dispersas pelos cinco continentes que justificam o epíteto que encima a folha de rosto deste blog. O mais sensacional do mundo e arredores, com Caféde incluído...
 
  
Impus a mim mesmo um interregno de escrita entre o Natal e o dia de Reis.
Já quando trabalhava, guardava sempre entre o Natal e o ano Novo um período de férias, de “calanzisse”, de calão, de mandrião, assim um “delicodolce farniente” entre lareira, família, horta, amigos, que me permitia o reencontro comigo mesmo, repensar o que fiz  no ano que acabava e o que faltava fazer no ano que entrava...
Hoje de mente mais fresca por enevoada manhã de denso nevoeiro, com temperatura mínima Alcainense a rondar os zero graus Celsius, decidi voltar ao encontro com a comunidade dos leitores.
Para todos um ano de 2013 com saúde e, para os ainda activos sujeitos a horário, de preferência com trabalho e salário.
 
  
Em Alcains o Natal foi assim.
Na, por enquanto deserta, rotunda do Seminário, um aplique luminoso, foto acima, colocado pela autarquia local saudava e formalmente manifestava os seus desejos, como dantes, aos fregueses e aos por ali passantes.
Menos sorte teve uma estrela que colocada na rotunda frente à sede das “papoilas saltitantes”, no largo de Santo António não teve nem nunca deu luz. Ali esteve e está plantada, triste e só, mas apagada.
Na praça, a fonte romana a um canto semi abandonada, contemplava o padrão de elevação a vila com erros de ortografia, por falta de letras que o tempo abaixo deitou e ao que parece, ninguém reparou.
No primeiro andar do edifício da sede da junta, feéricamente iluminado, pendiam inúmeras luzes que pareciam lágrimas...
É que se aproxima o fecho deste edifício com a previsível mudança da sede da Junta para o largo de Santo António na casa que foi da família de José dos Reis Sanches.
E chegámos à fogueira.
 
 
Originalidade, consumada pela Câmara da cidade.
Originalidade, pois presumo ser em toda a Beira Baixa o único local em que a fogueira de Natal se realiza atrás da Igreja Matriz.
Assim se mata mais uma memória que fica aqui registada para a história.
Esta Câmara da cidade em cooperação com os autarcas de cá, já tinham em tempos demolido um conjunto de duas mais duas casas, algumas de amigo conhecido, que o jornalista Nelson Mingacho denunciava como mais um atentado ao património.
 
  
O Nelson não falou da destruição da casa que foi da Dona Josefina Marrocos Taborda Ramos, com uma excelente varanda, com vetusta grade em ferro fundido, belas cantarias, destruídas, que desapareceram com o passar dos anos e dos dias...
Embora mais pobre, ao lado e sem perdão, a casa que foi do Ti Manel Sacristão...
Mas fazemos agora um intervalo no urbanismo e vamos às FILHÓS.
Como por cá se dizia, “Queres uma filhó? Tchincarratchó.”
 
 
Por cá é quase sempre uma arroba de farinha, e 120 ovos, um litro de boa aguardente, fora os condimentos que já referi em receita do ano anterior, ver blog dessa data.
 
  
E começa o estofêgo do amassar enquanto curioso neto espreita.
 
 
 Massa já amassada, repousada.
 
 
Com cruzes na massa feita pela rapadoura, reza-se. São João acrescente este pão, Nossa Senhora das Graças, acrescente estas massas...
 
 
 Frente à lareira, aconchegadas, agora a fintar.
 
 
Instrumentos de talhar, tábua, cartilha, rolo da massa e bacia com azeite para lubrificar a mão para a massa não agarrar.
Enquanto a massa finta, isto é, leveda, almoça-se.
Nestes dias nunca se almoça descansado.
Quando soa o grito de estão fintas, começa então a tarefa de fazer as filhós.
 
 
Sob as trempes por a sertã com o óleo ao lume, lixar o espeto para não sujar a massa, preparar proteção para o calor do lume, e começar a preparar a massa tirando um bom duplo punhado dela para talhar.
 
 
Fazer bolinhas de massa para outra estender, recortar com a cartilha, entrançar as pernas e deitar na sertã para fritar.
 
 
Fritar e retirar para alguidar para escorrer o óleo e começar a separar par caixas ou cesto de verga, forrados com papel vegetal, para conservar.
 
 
E assim durante um bem medido par de horas, se realiza esta tarefa que mobiliza por enquanto pais, filhos, netos, bisnetos, comadres e compadres, genros e noras, que cada um á sua maneira revive por vezes em silêncio um tempo lindo feito de harmonia e de alguns cantares que o tempo não deixa esquecer.

Eu hei-de dar ao menino, uma fitinha pró chapéu. Ele também me há-de dar, um lugarzinho no céu...
 
Bom Natal

Como o Natal é uma festa cristã que celebra o nascimento do Menino Jesus, e tem o seu apogeu na Igreja, pretendo dar a conhecer e para memória futura como era e é atualmente toda a envolvente à volta da Igreja Matriz de Alcains.
É nesse sentido que devem ser interpretados os meus apontamentos que passo a escrito, para ficar para a posteridade uma visão, a minha, sobre as intervenções que a Câmara da cidade foi efetuando em Alcains.
O que o urbanismo municipal da Câmara da cidade permitiu, será julgado por todos os que amam a sua terra e as memórias afectivas que cada um tem da terra onde nasceu.
As fotos seguintes pretendem dar a conhecer como era a rua Longa, hoje rua da Liberdade...


Destruidas...


...destruida.


Mais destruição...


...ainda mais destruição, agora vista do lado da Quelha da Mateira


Todo o lado direito da Quelha da Mateira, está destruído...


Estas fotos são a última visão do que era aquela rua.
Quem por ali se criou, jogou ao eixo ribaldeixo, ao ferro quente, e viu por ali passar os ciclistas das festas populares, quem ia à alfaiataria do Mestre José Rafael, à loja do Senhor Benedito de Jesus Beirão, à loja e barbearia do Ti Chico Sousa, à padaria do senhor José André, à casa do senhor Ramos das bicicletas e da esposa Dona Capitolina provar o vestido para a boda da prima, não pode deixar de se interrogar sobre “a obra”... e se há por aí, tantos filhos da obra!!!


Continua...
 
Manuel Peralta

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Trabalhadores nas Câmaras Municipais

Porque o tema é atual, face à prevista redução das Freguesias, e à incapacidade política demonstrada pela “rapaziada” que nos governa de fazer algo a nível das Câmaras Municipais, para memória futura registo no Terra dos Cães, um documento em que nos mostra a situação do número de trabalhadores por Câmara Municipal e a sua proporção com o número de habitantes concelhios.
 
Situação em Portugal
 
 
As cores indicam a situação por autarquia sendo a cor vermelha relativa aos municípios com mais trabalhadores por mil habitantes e o verde claro a situação inversa.
Apresento agora a situação a nível dos 11 municípios do distrito de Castelo Branco.
 
Belmonte
 
 
Castelo Branco
 
 
Covilhã
 
 
Fundão
 
 
Idanha-a-Nova
 
 
Oleiros
 
 
Penamacor
 
 
Proença-a-Nova
 
 
Sertã
 
 
Vila de Rei
 
 
Vila Velha de Ródão
 
 
Resumindo.
Em média, os trabalhadores nas autarquias continuam a aumentar. Em 2008 a média de trabalhadores por mil habitantes era de 18,5 e em 2011 passou para 19,6.
Em 2011, 191 municípios estavam acima da média e apenas 117 abaixo.
Aumentaram o número de trabalhadores 152 autarquias enquanto 156 reduziram.
Estas posições médias conduziram a que para uma redução de 4.496 trabalhadores, houve um aumento de 13.600 pessoas.
Apresento no mapa seguinte a relação das autarquias que mais reduziram ou aumentaram o número de trabalhadores.
 
 
Como se pode constatar, o município da cidade de Castelo Branco, está entre os 20 que mais aumentaram o número de trabalhadores.
Fica este registo para a posteridade, pois a questão da redução do número de Câmaras Municipais vai continuar em agenda.
Não há e cada vez menos haverá no futuro, impostos, para suportar tantas megalomanias...
 
Manuel Peralta