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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

General HD... Contrastes?

Amigo pessoal e leitor deste blog, remeteu-me esta pérola, que data de 1936.
Pelo seu intrínseco valor histórico e documental, dou à estampa para conhecimento de quem nos segue nesta agradável aventura que se reparte pelos cinco continentes, este documento.


Nem de propósito.
O Reconquista desta semana anuncia no cine teatro de Castelo Branco, a exibição de um filme sobre o General Humberto Delgado.


Digo eu, contrastes…cada homem é também fruto do tempo em que viveu...

Manuel Peralta

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ditos familiares


Tá bem Zabel”, dito quando a conversa não nos agrada e nos estão a moer, a apoucar… ou quando nos estão a mandar e a gente não quer ou não tem vontade de ir… ”está bem, ela vem já, já se estar a vestir…
Mas, cá por casa e em verso, recordo este dito.


Ai, ai, ai,
quem escorrega também cai.
Quem se fia no meu neto,
bem enganadinho vai.


Manuel Peralta

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Junta da Freguesia, maio de 1980...

O tema anterior, distrate da escritura do terreno do solar Ulisses Pardal, tinha ficado em aberto, como agora se diz, suspenso. Tornava-se necessária a convocação de Assembleia, poder legislativo da freguesia, órgão que tinha poderes para tal.
O texto anterior, terminava assim...
“...a Assembleia da Freguesia foi convocada e... voltarei ao tema quando a chuva começar a cair.”
E como vou cumprindo aquilo que prometo, a chuva apareceu caindo copiosamente, chuva tipo cabelo de cão, macia, bastinha que regou tapada, quintal e hortinha!!!
Presidida pelo José Eurico Minhós Castilho e sendo extraordinária, o tema era único. Solicitar à Assembleia da Freguesia autorização para se fazer o tal distrate, em alcainês, anular o que se havia feito.


Lembro-me de ter contado aos membros da Assembleia e ao público presente, naquele tempo as Assembleias da Freguesia eram muito participadas, o modo como o Dr. Ulisses Pardal recebeu a Junta, que refiro...” fui aluno do Prof. Dr. Oliveira Salazar e este ensinou-me que a justiça pede-se de pé, e por aí adiante...”
O projeto para a construção do Infantário que, a ser construído, seria no terreno anexo ao solar, terreno excelente, em estado de abandono atual, com uma excelente frente para a avenida Gen. Ramalho Eanes, não terá sido aceite pela entidade responsável pela construção e, ao que presumo, a Junta da Freguesia de então, não terá conseguido, eventualmente por se tornar de todo impossível, alterar tal decisão.
O Dr. Ulisses Pardal, que por portas travessas foi informado da decisão e muito magoado estava por não ter tido, em tempo justo, conhecimento oficial da decisão, andava mais que indignado, furioso...


Diz a lei de “Murphy” que, “tudo o que pode acontecer, acontece” e começa a correr na Vila que o infantário iria para os terrenos da Pedreira.
Os terrenos da Pedreira, situados por detrás da antiga escola, haviam sido doados em tempos idos à Junta, pela família Trigueiros de Aragão. Na Assembleia a maioria dos membros tinha idade semiavançada e eram profundos conhecedores das rivalidades entre as famílias de Alcains.
Porque me sobra em vontade o que me falta em memória, não devo adiantar mais, pois seria desonestidade intelectual da minha parte inventar sobre o tema. Mas talvez no livro de atas da Assembleia se possa fazer mais alguma luz sobre a situação.
Posta a questão do distrate à votação, foi a mesma aprovada por unanimidade.


Foi no entanto consenso da Assembleia que a Junta deveria continuar a insistir junto do Dr. Ulisses Pardal, para que o terreno continuasse a servir em conjunto com o edifício, o valioso e muito apreciado trabalho que a Corporação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria vinham prestando a Alcains.
Apesar do 25 de abril, escondido, o papel selado ainda por aí andava e a ata teve de ser fiscalmente selada para ter valor probatório. Então, qual menino que leva bem feito o trabalho de casa ao professor, lá fui ao Dr. Ulisses que ao ver a ata e depois de a ler me disse, “assim é que é...”.


Com este gesto, arranjei um amigo.
Tirou cópia e marcou por telefone dali mesmo o dia da escritura. No dia da escritura e depois de assinada, convidou-me e fui almoçar com ele.
Em 1980, os cravos de abril ainda tinham pé e, ainda não tinham murchado. O Dr. Ulisses que era um homem muito austero, teria em 1980 mais que a minha idade hoje, aluno de Salazar, confidenciava-me que a minha juventude o inquietava e que eu teria muitas dificuldades em conseguir que a Assembleia autorizasse a reversão do terreno para ele, isto é, precocemente e como homem avisado que era, desconfiava dos políticos... e mais não digo.
Se não deitaram fora, nos dossiês de organização que montei na Junta, devem lá estar os inúmeros ofícios que enviei ao Dr. Ulisses Pardal, pedido o Solar e terrenos anexos para Alcains.
As Irmãs Franciscanas mantiveram-se durante o mandato e tudo correu bem. Dois anos depois, na Pedreira, o Primeiro Ministro de então, Dr. Francisco Pinto Balsemão, inaugurava o novo infantário.


Mais tarde, presumo que no mandato do Engº Rogério Martins, o edifício e terrenos anexos, foram objeto de um protocolo de aquisição por parte da Câmara Municipal.
Fui convidado para a comitiva que com o Dr. César Vila Franca, visitou o edifício para a eventual aquisição. Recordo perfeitamente o que então lhe disse. Que a Câmara ao comprar o edifício deveria com empresa de turismo fazer parceria para ali se instalar pequeno hotel, com restaurante e discoteca para animação noturna e ajardinamento dos terrenos envolventes. A Câmara, na altura já com conhecidas dificuldades financeiras,  teria muitas dificuldades em adquirir o solar, renová-lo e, mais caro que tudo, mantê-lo.
Hoje, o solar... ALBIGEC, albicastrenses gestões culturais!!!


Naquele tempo, as PPP ainda eram meninas de coro, e o João Cravinho estudava então as SCUT... mas, a vida ainda era passada a escudos.
Várias vezes me encontrei posteriormente com o Dr. Ulisses Pardal, um homem culto e de muita sabedoria,  e foi para mim muito agradável, falar com ele de um Alcains do tempo em que tudo era muito difícil para quase toda a gente.
Conta-me o meu pai que, quando tinha 18 anos, em 1942, e estava a SMEL em plena laboração do minério, volfrâmio, na Cabeça Pelada toda a malta ia para o minério onde se ganhava bem. Num dia, o meu pai, ganhou dinheiro para comprar um excelente relógio de bolso, que já herdei e religiosamente guardo.
Mas não havia gente para colher a azeitona. A GNR, ao que o meu pai me diz, a mando do Dr. Ulisses, proibia a apanha do minério ao qual só se regressava, depois de colhida a azeitona.
Voltarei.

Manuel Peralta

Provérbios genuínos da terra deles – 3

Em dialeto alcainês de gema.


“Onde quer que vandes, mostrandes sempre o que sandes”


Manuel Peralta

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Origem de arroba... @

Usamos, utilizamos, emailamos para aqui e para ali, e sem nos darmos conta, não nos interrogamos de onde provém este símbolo que denominamos de ARROBA.


Que terão a ver os quinze quilos, medida de peso, que designamos por arroba, com os email que trocamos?
Se quiser saber e verá que vale a pena, verifique em baixo.
 
 

O mundo todo usa este símbolo na correspondência electrónica, mas poucos saberão o seu significado e origem.
Durante a Idade Média os livros eram escritos à mão, pelos copistas. Precursores dos taquígrafos, os copistas simplificavam o seu trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido (tempo era o que não faltava, naquela época!). O motivo era de ordem económica: tinta e papel eram valiosíssimos.

 
Assim, surgiu o til (~), para substituir o m ou n que nasalizava a vogal anterior. Se reparar bem, verás que o til é um enezinho sobre a letra.
O nome espanhol Francisco, também grafado Phrancisco, foi abreviado para Phco e Pco(?) o que explica, em Espanhol, o apelido Paco.
Ao citarem os santos, os copistas identificavam-nos por algum detalhe significativo das suas vidas. O nome de São José, por exemplo, aparecia seguido de Jesus Christi Pater Putativus, ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde, os copistas passaram a adotar a abreviatura JHS PP e depois, simplesmente, PP. A pronúncia dessas letras em sequência explica por que José, em Espanhol, tem o apelido de Pepe.
 

Já para substituir a palavra latina et (e), eles criaram um símbolo que resulta do entrelaçamento dessas duas letras: o &, popularmente conhecido como e comercial, em Português, e ampersand, em Inglês, junção de and (e, em Inglês), 'per se' (por si, em Latim) e and.
E foi com esse mesmo recurso de entrelaçamento de letras que os copistas criaram o símbolo @, para substituir a preposição latina 'ad', que tinha, entre outros, o sentido de 'casa de'.
 

Foram-se os copistas, veio a imprensa, mas os símbolos @ e & continuaram firmes nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registro de contabilidade 10@£3 significava 10 unidades, ao preço de 3 libras, cada uma. Nessa época, o símbolo @ significava, em Inglês, at, (a ou em).
 

No século XIX, na Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar as práticas comerciais e contabilísticas dos ingleses. E como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses davam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo devia ser uma unidade de peso. Para isso, contribuíram duas coincidências:
1 - O termo arroba vem da palavra árabe    arruba, que significa a quarta parte: uma arroba (15 kg , em números redondos) correspondia a 1/4 de outra medida de origem árabe, o quintar, que originou o vocábulo português quintal, medida de peso que equivale a 58,75 kg.
 

2 - As máquinas de escrever, que começaram a ser comercializadas na sua forma definitiva no século XIX, mais precisamente em 1874, nos Estados Unidos, (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar os seus originais datilografados), trouxeram em seu teclado o símbolo @, mantido no seu sucessor - o computador.
 

Então, em 1972, ao criar o programa de correio eletrónico (o e-mail), RoyTomlinson usou o símbolo @ (at), disponível no teclado dessa máquina, entre o nome do usuário e o nome do provedor. E foi assim que Fulano@Provedor, X ficou significando Fulano no provedor X.
 

Na maioria dos idiomas, o símbolo @ recebeu o nome de alguma coisa parecida com a sua forma: em Italiano, chiocciola (caracol); em Sueco, snabel (tromba de elefante); em Holandês, apestaart (rabo de macaco).  Em alguns, tem o nome de certo doce de forma circular: shtrudel, em iídisch; strudel, em alemão; pretzel, em vários outros idiomas europeus. No nosso, manteve a sua denominação original:

@rroba.

Texto de: Stella Calazans

Então valeu a pena? Porque utilizamos, temos de saber a sua origem.
 
Manuel Peralta