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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Bandeira Nacional, como se dobra

A propósito do episódio recente observado em direto nas televisões, por ocasião das comemorações do 5 de outubro, no edifício da Câmara Municipal de Lisboa, episódio que superou em atenção o evento que se comemorava, e que diz muito sobre a leviandade, a falta de exigência e de cuidado profissional que tomou conta do país, um país de governantes com especialidade de “básicos”, qual CCS mal gerida, mal enquadrados, sem o mínimo de preparação para os atos que desempenham, não deixo de dar ao conhecimento de quem nos segue no Terra dos Cães, o modo como de deve dobrar a BANDEIRA NACIONAL.


Seguidor, preocupado com as decisões da “rapaziada” que nos governa, estimulador deste blog, o General Frutuoso Pires Mateus, Alcainense de mérito, com carreira e CV militar de vinte e dois valores, remeteu-me para conhecimento, email em que põe o preto no branco sobre o tema, ensinando de forma elementar como se deve dobrar a BANDEIRA NACIONAL.
Tenho pena, mesmo muita pena, que os “palradores e palradoras” de serviço nas televisões, não fizesse a pedagogia de quem informa, que é acrescentar valor ao comum dos cidadãos.


Não vi que alguém tivesse o cuidado de dizer como se faz, que ensinasse como se deve dobrar a bandeira. Mas “esta gente”, como se refere o dinossáurio autárquico Mário de Almeida, aos pescadores quando morrem no mar, lê, socraticamente,  nos telepontos sem qualquer juízo crítico tudo o que lhes escrevem.
Porque acredito e tento praticar que, homem informado e esclarecido vale por dois, dou a conhecer o que agora aprendi.
Obrigado General Frutuoso Pires Mateus.


Dobrar a Bandeira Nacional

A dobragem da Bandeira Nacional, especialmente em cerimónias, deverá ser efectuada de modo a que, no final, resulte um rectângulo com a largura e comprimento do Escudo Nacional. A dobragem deverá ser feita por, normalmente, quatro pessoas, seguindo os seguintes passos:

1. Coloca-se a Bandeira na horizontal, segura pelas bordas da tralha e do batente;


2. Dobra-se o terço superior para trás;

3. Dobra-se o terço inferior para trás;

 
4. Dobra-se o lado do batente (encarnado) para trás;
 

5. Finaliza-se, dobrando-se o lado da tralha (verde) para trás.
 

O resultado


Assim se trata a Bandeira Nacional com respeito e se dobra de forma a se poder ver exactamente qual a sua posição evitando equívocos (no mínimo) embaraçosos. Não se dobra a Bandeira Nacional como se fosse um lençol ou uma toalha.

Manuel Peralta

sábado, 13 de outubro de 2012

Junta da Freguesia – março de 1980

Dando sequência ao tema que em fevereiro de 2012 deixei em aberto, continuo com nova ata em que resumo a atividade autárquica daquele tempo, 1980, trinta e dois anos passados.
Concluída a formação em Coimbra, um ano em Pinhel a dar aulas, guerra colonial, Guiné-Bissau, e (emprego) trabalho em Castelo Branco nos CTT – Telecomunicações, outubro de 1974.
Comecei por ali a tratar dos processos que se acumulavam... e que, por difíceis a caminhar para impossível de resolver, eram entregues aos juniores, básicos, que chegavam.
Apanhei então um pó, muito pó, que só me fez bem !!!


Aprendi, praticando, a diferença entre escrever e falar, e principalmente o cuidado com que se deve escrever, a ordem cronológica dos documentos, a registar tudo o que de relevante dizia respeito ao processo, um processo para cada caso ou tema, a classificação dos documentos, a dar entrada, a dar saída, a expedição e a ter sem atraso a vida administrativa em ordem.
Por pendente, marcar data, e insistir por resposta.
A vida administrativa da junta herdada, em 1980, era praticamente inexistente. Tudo era conversa. Inexistente documentação escrita sobre contratos verbais vultuosos com particulares, fregueses a perguntar por assuntos completamente desconhecidos da junta, saldo financeiro quase a zero, visto que a junta cessante distribuiu, para facilitar (?) a vida aos que lhe sucediam, subsídios mesmo aos que deles não necessitavam.
Perante esta situação, comecei a tentar aplicar na junta a vida administrativa dos CTT que a pouco e pouco ia aprendendo com as técnicas administrativas e datilógrafas, Dona Amélia, a Teresa do Estreito e a alcainense Anita Ramalho, filha do carteiro, o Ti Manelinho, que nos CTT me ensinavam.


Entretanto, tive que vencer a resistência do homem que na vida administrativa da junta, por vezes aos gritos, mandava, e mandava mesmo.
Refiro-me ao Carlos Farias Leão, conhecido por Carlos macaco, ou macaquinho... precocemente falecido.
Um homem sério, muito sério, daqueles em que se pode confiar. Tivemos algumas dificuldades de relacionamento no início, nomeadamente quando em privado lhe chamava a atenção sobre o modo ríspido com que tratava os fregueses que ao balcão da junta se dirigiam, mas esperto que era, depressa começou a tratar os fregueses com urbanidade e a ajudar e a preencher pelo seu punho impressos e outra documentação.
Dominado o Leão, e imbuído no lema de que os que mais precisam, mais devem ser ajudados, fez-se a junta à estrada.


Não havia lei das finanças locais, a junta estava completamente dependente da Câmara no que a dinheiros dizia respeito.
Mas a pouco e pouco o Dr. César Augusto Vila Franca que até ali tinha sido professor e que pouco saberia da gestão camarária, começou como eu na junta este aliciante caminho da descoberta...
Com 31 anos e a usar ainda cabelo, foi uma experiência irrepetível.
Voltando à ata, de 27 de março de 1980.


Começaram as crianças de Alcains a ir à piscina de Castelo Branco e para tal havia autocarro mas o motorista não estava habilitado a conduzir em estradas nacionais. A pedido da junta e graças à compreensão do comando da GNR de Castelo Branco, tal foi possível, e o Sr. Alfredo de boné de motorista lá conduzia um velho autocarro que ameaçava parar em cada curva.
Houve entretanto uma reunião da assembleia da freguesia onde a junta prestou contas da sua atividade, e onde se constituiu uma comissão de trânsito e outra de toponímia. A assembleia autorizou a junta a comprar duas casas junto à junta de freguesia velha que demolidas permitiram eliminar a dita e em palco mimoseada, de rua do funil, a caminho, do lado direito, da capela do Espírito Santo.
Autorizada também a comprar pequenas parcelas de terreno sobrantes do loteamento da Levandeira, hoje jardim que a foto documenta.


Houve entretanto uma reunião da assembleia municipal onde no período de antes da ordem do dia usei da palavra, naquele tempo o presidente da junta não era mudo, para, segundo a ata por mim escrita, e aqui reproduzida, expor os “problemas de fundo” que “afligiam” Alcains, nomeadamente o alargamento da estrada nacional 18, Alcains – Castelo Branco, o alargamento da ribeira da Líria, o reforço do respetivo pavimento, remodelação da rede de energia elétrica, mudança da estação de tratamento de esgotos, ETAR, e a cedência de um funcionário camarário para que a junta possa cumprir o estipulado na lei das finanças locais.


Destas preocupações foi, através de carta apropriada, dado conhecimento escrito ao Governador Civil, e Presidentes da Câmara e Assembleia Municipal.
O Dr. César Vila Franca tinha inaugurado uma nova forma de fazer política, de proximidade com os eleitos e regularmente fazia umas reuniões com os presidentes das juntas, que chegaram a ter visível notoriedade política. E, na Assembleia Municipal todos os presidentes de junta votavam o que o Dr. Vila Franca propunha. E é precisamente numa destas reuniões de presidentes de junta que fui escolhido entre os meus pares para fazer parte de uma delegação de autarcas concelhios que se deslocariam a Lisboa ao Ministério da Industria e Tecnologia e à EDP, para tratar dos graves problemas de abastecimento de energia elétrica concelhios.


O concelho estava praticamente às escuras, as indústrias queixavam-se de sucessivos e inesperados cortes de energia e a ex HEAA – Hidro Elétrica do Alto Alentejo sem capacidade de resposta.
Por ser de importância relevante para a história do desenvolvimento concelhio, tratarei oportunamente este tema em separado.
Fruto desta agitação municipal, com entrevistas nos jornais, a disparar um pouco para todo o lado, e a dar voz pública aos problemas de Alcains, começo a ser visitado.
Recordo uma entrevista que dei ao Jornal do Fundão, em que entre outras peraltisses dizia...  “ Os Holandeses fizeram a Holanda e os Alcainenses fizeram e fazem,  Alcains”.


É neste contexto que nos visitam na junta, o Engº Santos Marques, diretor da ex JAE do distrito de Castelo Branco, que prometeu e cumpriu o projeto de melhoria da estada de Santo António e o respetivo estudo de trânsito que permitiu a circulação de dois sentidos  no centro da Vila, e o Dr. Costa um excelente e sóbrio vereador da APU na Câmara Municipal, mas muito amigo de Alcains, com o Engº Barata o HOMEM forte da Ex HEAA, hoje EDP em Castelo Branco.


Sob o título “ Boa política da Junta da Freguesia”, David Infante, recentemente falecido e Alcainense de mérito, escrevia no Reconquista uma local em que se congratulava pelo regresso do cruzeiro do Senhor dos Esquecidos ao largo de Santo António.


Este cruzeiro pela mão da junta anterior havia sido transferido, contra a sua vontade, para o largo da ermida de Santa Apolónia. Eventualmente, e fazendo juz ao seu nome, Senhor dos Esquecidos, foi para a ermida para ficar ainda mais esquecido...
Voltarei também aqui mais tarde para contar uma história linda sobre este cruzeiro... passada comigo, obviamente.


Por carta de 18 de março dirigida ao Senhor Governador Civil, solicitava a junta a criação de uma escola do ensino secundário unificado em Alcains. Respondeu o Senhor Governador que iria fazer todas as diligências junto da entidade competente, para que Alcains visse satisfeita esta justa pretensão.


É justo reconhecer aqui o esforço e a pressão constante do Dr. Joaquim Manuel Carrega Barata Rafael, junto da junta e do ministério respetivo para se alcançar este desiderato. Mais tarde e ainda durante este mandato Alcains viu coroada de êxito esta justa e merecida pretensão. Alcains chegou a ter 800 alunos.
Enquanto a Câmara Municipal fazia um adiantamento de cem contos, hoje 500 euros à junta, a Câmara Municipal por pressão da junta oficiava à Hidráulica para elaborar projeto de reforço do pavimento na rua então recente e popularmente batizada de 25 de abril, perdendo o antigo nome de Dr. António de Oliveira Salazar.


Deixei deliberadamente para o fim a questão pendente do Solar Ulisses Pardal, nomeadamente dos terrenos destinados ao infantário.
A junta foi a casa do Dr. Ulisses Pardal em Castelo Branco para tratar deste tema, herdado da junta anterior.
Entrámos, pela criada fomos encaminhados para a sala de visitas e ali esperámos algum tempo pelo Dr. Ulisses.


A conversa foi anormal e urgentemente breve.
- Depois de breve e fugidio cumprimento, o Dr. Ulisses disse para os atónitos 3 membros da Junta.
- Fui aluno em Coimbra do Prof. Dr. Oliveira Salazar, e, este ensinou-me que, a justiça pede-se de pé, razão pela qual não me sento. Informo a junta da freguesia de que, enquanto não for feito o “distrate” da escritura do terreno do infantário, e o mesmo não passar para a posse do proprietário anterior, não voltarei a ter qualquer contato com a junta. Esta minha posição é inegociável uma vez que a junta não cumpriu o que os termos da escritura impunham.


Meio aturdidos com o distrate, julgo que foi a primeira vez que ouvi tal termo jurídico, argumentei que a junta não tinha o poder de por si só reverter tal escritura, mas que iria pedir a convocação de uma reunião extraordinária da assembleia da freguesia par a questão ser tratada.
- É problema seu, disse.


A assembleia foi convocada e... voltarei ao tema quando a chuva começar a cair.


Manuel Peralta

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Morreu Alcains-Vila

O fim estava anunciado, só não se sabia, quando...
Mas, como tudo o que pode acontecer, acontece, não surpreendeu.
Os últimos tempos, anos de natural e irreversível definhamento, acentuaram a inevitável queda de um David, que, desta vez,  não venceu Golias.
Muito usada, a “funga” do David que atirava os seus escritos quase sempre avinagrados, desta vez, partiu pela “forcalha”...  e, que Deus lhe valha.


Refiro-me ao “David Infante”, António Simão David Infante de seu completo nome, um dos últimos Alcainenses, dos “bairristas”, dos que, como outros, infelizmente poucos, insubmissos, não dependentes, sem avença, por enquanto ainda cidadãos livres, de tanto amar a sua terra, olham para o desenvolvimento de Alcains, pelo lado do copo meio vazio, pelo lado do que, por direito, ainda falta fazer.
E se há tanto por fazer!!!
O David Infante, fez o Reconquista em Alcains, afirmo. Outros jornais, outros títulos, tentaram e nunca  conseguiram fidelizar quer leitores muito menos, assinaturas. Com a sua persistência em manter Alcains na crista da onda, David Infante, semeou, regou e plantou inúmeras Reconquistas nas comunidades dos nossos emigrantes, que deram frutos um pouco por todo o mundo. 


Só quem saiu, trabalhou, sofreu e viveu fora da sua terra, pode avaliar o interesse que tem uma pequena notícia sobre a sua terra, a sua rua, uma polémica, enfim “apeguilhar” a emoção de um falecimento, e todas as semanas chegar a “tchambaril”, com uma notícia, de véspera e de ouvido captada, de fonte não identificada...
David Infante, presumo eu que fruto da sua atividade, escrevia de faca afiada, sabia onde se encontrava a “jugular”, sabia onde doía quando operava o “marrantcho”, que incomodado ficava com a sua “verve”, semanalmente publicada, que incomodava.
Não escrevia, ocupando precioso espaço de jornal, sobre os problemas do mundo e arredores, em textos inócuos, pretensiosos, de oposição pretérita, hoje agradecida por prebenda recebida.
Nunca foi assessor, e mesmo em doença, nunca recebeu avença... a sua vida foi o trabalho e os seus, nada foram beneficiados, quando a gente conhece como o silêncio gerido, hoje bem pago, não merece castigo.
Desde as “pataniscas” cobradas a cinco “tostões”, em palito espetadas, no café do largo do poço novo, arrasado, tapado, que duravam o tempo televisivo do “Rim Tim Tim” do “Mascarilha”, e do “Cotchise”, até passados anos, às grandes comesainas no quintal, com o Porfírio, o ti Domingos Barata, o João Batista, o Ti Zé Amaro Gordo, vulgo Navalhinha, o ti Luis Amaro, vulgo Luis Pequeno até ao Mário Tavares e António Damas entre tantos outros, poucos, ainda do lado de cá, e, cada vez mais do lado de lá, o David Infante andava sempre numa “delandina”.
Sobremaneira me incomodava, já lá vão trinta anos, quando eu ainda usava cabelo, e estava na junta da freguesia.


Tive algumas desavenças com ele, particulares, e, nos jornais, públicas.
Mas em nada afetou uma sã camaradagem e um convívio fraterno entre duas pessoas que queriam, cada um à sua maneira, o bem para a terra deles, a nossa, a dos cães, Alcains.
As suas locais, eram um incentivo para a junta do Peralta do Amaro Minhós e do ti João Pereira, andarem na linha.
Quanto mais ele apertava com a junta, mais trunfos eu tinha perante um Vila Franca acossado pelo David Infante e por um presidente, eleito numa lista de cidadãos eleitores, não vinculado à maioria camarária, vinculada à AD. Mas foi muito lindo e gratificante, reconheço.
Certa vez e perante a incapacidade das autoridades, cumprirem uma decisão da assembleia da freguesia, de mudança do mercado semanal da praça, para a rua do charco vão, desabafava o saudoso cabo Marques.
Quem devia estar aqui é o presidente da junta. A quente, David Infante, escrevia uma notícia que entre outros considerandos sobre o tema, dizia.
- Tem toda a razão o cabo Marques.
Fui ter com o governador civil de então, Alberto Romãozinho, e de jornal na mão, disse-lhe. Se ao próximo sábado esta ausência de autoridade se voltar a verificar, entrego-lhe a junta.
O mercado, mudou.
Alcains-Vila, título das notícias de Alcains no Reconquista, começou por sugestão do Engº Caldeira Lucas, meu professor, então vereador na, como hoje, Câmara de Castelo Branco, quando em 12 de novembro de 1971, Alcains foi elevada a vila.


O próximo passo, como dizia Cunha Belo e Sanches Roque, era Alcains concelho. À medida que vou deixando de usar cabelo, cada vez mais me convenço, que o 25 de abril interrompeu este passo. Mesmo em democracia, há coisas que só um ditador travestido de democrata, consegue...
O David Infante foi um grande animador do desenvolvimento de Alcains, nas comissões para a criação do ciclo preparatório junto da família de José dos Reis Sanches, na criação da Consal, junto da família Barata, (Terlé) na implementação da zona industrial, na Alprema, na abertura da avenida 12 de novembro, entre muitas outras pessoas que em redor do bem para Alcains se associavam.


Reconhecê-lo, por parte de quem por lá andou, é um dever que devo ao meu amigo David Infante. Por mim a sua forma de lutar por Alcains, merece não passar despercebida. E, David Infante, mereceu e merece.

Se ele, lúcido, ainda por ali apanhasse sol no largo do poço novo, e visse o que estão a fazer por detrás da igreja matriz, em quelha, promovida a travessa da mateira, e, em que até o acesso à sacristia foi retirado, pedreiro livre que era, decerto diria que não é criando barreiras à entrada que se aumenta o número de fiéis... mas isto, como David Infante, era ver pelo lado de Alcains.


Quando vinha dos Açores repleto de saudades de Alcains, “amigo de dar fé”, queria saber de tudo. Desiludido com país e com o marasmo reinante, perguntava pelas gentes.
Acomodadas, silenciadas, não é pelo facto de haver democracia, que as pessoas são mais livres, disse-me, David Infante.


Com a morte de David Infante, morre também Alcains-Vila, e, sem mestra em colmeia, regressamos a aldeia.

Manuel Peralta

Nota: Os documentos do Reconquista e aqui publicados, dizem respeito aos ecos que no Reconquista, o seu jornal, deu fé sobre este triste acontecimento. Para a posteridade aqui ficam registados.

domingo, 30 de setembro de 2012

Toupeira (escava terra)

Popularmente designadas por “escava terras”, as toupeiras são uma danação para os agricultores, pois escavam a terra, abrem galerias subterrâneas por onde se infiltram ratos que roem as raízes do “renovo”, plantas em crescimento, que acabam por morrer.


A escava terra para os rurais e toupeira para os citadinos, é um mamífero, quem diria, com olhos pouco desenvolvidos, com as patas de trás, anteriores, longas e robustas, que lhe permitem cavar extensas galerias debaixo do solo, debaixo da terra, onde caça insetos e vermes.


A pior situação que pode ocorrer a quem rega, horta, tapada, quinta ou quintal, é a galeria de uma escava terra.
Um autêntico sumidouro de água, pior que poça de areia ou cesta de verga rota, que cansa em horta quem água tira à picota.
De “arlote para pinote”, como se diz de quem muito se movimenta, de quem não pára e é difícil de encontrar, assim anda perdido, agricultor, para estancar o rouba de água.
Como dar caça ao mamífero?


Como a foto supra mostra, a escava terra normalmente em regos de água ainda húmidos, levanta a terra, fazendo um pequeno “camalhão”, monte de terra fresca, no dito rego.


Sem nunca tocar com as mãos, com um pau ou pequena colher de pedreiro, retira-se o camalhão e abre-se a galeria, conforme a foto supra mostra.
Preparam-se as armadilhas.


As armadilhas, como a foto mostra, constam de um tubo de lata ou cobre, com uma porta muito leve que se deve manter fechada quando se arma, de tal modo que a escava terra quando entra no tubo quase nada sinta na sua missão de escavar a terra.
Quando passa a porta, e como a armadilha é fechada na parte posterior, só consegue fazer marcha atrás, tal como na rua do Degredo, que tinha entrada e não tinha saída.
Gasta assim todo o combustível na marcha atrás, acelera, ouve-se o ranger das patas no tubo de metal, e claro, pena capital. Funeral.
A cantar sem pauta, morre exausta...


A montar a armadilha como esta foto sugere, a marcha atrás da toupeira, com vida regressa à eira...


Qualquer animal na natureza, é muito sensível ao cheiro dos humanos, pelo que recomendo, quando se abre a galeria da escava terra, utilizar um pequeno pau, ou um colherinho de pedreiro.
Nunca tocar com a mão na boca da armadilha, pois o cheiro desta natureza, afasta a presa.


Na parte final da armadilha, da ratoeira, há um pequeno respiradouro, furo, pois a escava terra nunca cava muito fundo, e sempre vai abrindo um ou outro buraco quando a terra parte e por onde entra a luz.


Esta foi caçada esta manhã, na minha horta, ali na Retorta.
Visto do lado humano, uma toupeira, pode ser uma pessoa que trabalha às ocultas, sem dar “inculcas”, para entre outras coisas subverter instituições, “fundações”, para conservar ou restabelecer o obscurantismo.
Ainda na lado de cá, nos humanos, toupeira, pode ser pessoa ignorante e estúpida.
Por tudo isto, é que já o meu pai que me treinou nestas andanças sempre lhe chamou escava terra.
Um tema diferente, para esclarecer a gente... só espero que não crie má ambiente.

Manuel Peralta

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

LÍRIA, ainda e sempre

...os direitos de uns, são os deveres de outros.

Sem pedir publicação, remeti para conhecimento para o jornal semanário Reconquista, uma local sobre a Líria, ribeira esquecida, maltratada, poluída...
Lídia Barata, Nelson Mingacho e Júlio Cruz diretor do Reconquista, foram os jornalistas que têm acompanhado o tema, ribeira da Líria e a quem devo uma estimável colaboração, a quem dei conhecimento.
Decidiu e bem o Reconquista, em lugar de destaque e com duas expressivas fotos, pena não serem a cores, publicar o meu ponto de situação.
Porque esta luta não terá fim próximo, decidi digitalizar a referida local, para fazer parte de uma história negra que condena a maior freguesia da Câmara de Castelo Branco, Alcains, ao terceiro-mundismo ambiental.
E aqui há responsáveis. E nos meus escritos, estão clarificados. Os mentirosos, as autoridades sem autoridade, os convenientemente silenciosos, os que tecem loas aos poderes que lhes mantêm pequenas prebendas, fruto de tempos de outras novas servidões...
Mas adiante.


Mas, surpreendidíssimo fiquei com a página 17 do Reconquista, digo mais, agradavelmente surpreendido.
Porque?
Então não é que a administração do matadouro industrial, Oviger, que além da poluição ambiental que emporcalha Alcains, também produzia poluição sonora?
Mas mais, acaba de instalar equipamento que minimiza a poluição sonora e em parceria com a autarquia de Castelo Branco, se prepara para desativar no princípio de 2013 a estação dita de tratamento dos efluentes industriais que assassinam diariamente o leito da ribeira, causando elevados prejuízos aos proprietários confinantes com a ribeira.


Valeu a pena esta luta? O tempo o dirá.
Pela minha parte vou continuar a denunciar a exercer os meus direitos de cidadão, sem medos...
Consciente dos factos e das fotos que são verdades como punhos atirados à (in)consciência de quem não cumpre o seu dever.
A cumprir-se o que o Reconquista na página 17 se diz, só me resta continuar, agora mais alentado.
Fixar-me no destino, não no caminho... é o meu “exlibris”.


Minimizada a poluição sonora, o passo seguinte que perseguirei, será o de ter a ribeira a correr água limpa, como a foto mostra e expulsar as sujas e inquinadas águas do matadouro que a pouco e pouco foi, vai, matando a Líria e o ambiente.
Ligar o coletor de águas sujas que a foto mostra à ETAR de Castelo Branco, é a solução.

Manuel Peralta
 
Nota: Tarefas pendentes

1- A Câmara de Castelo Branco tem de resolver de vez, reformulando o atual projeto da zona de lazer. O abandono e a degradação atual não podem e muito menos devem ser a imagem da autarquia concelhia. A zona de lazer necessita de um outro olhar.
2- Os Serviços Municipalizados não podem continuar a iludir os Alcainenses com cortinas contra os maus cheiros, muito menos continuar a consumir recursos em manutenção corretiva nos esgotos de Alcains, que presumo darão mais trabalho e custarão mais que toda a rede concelhia. Para o erário municipal, é já uma PPP...
Solução de fundo precisa-se.
3- Das Águas do Centro espera-se que, enquanto o governo decide o futuro do setor, estudem solução que seja possível enquadrar em orçamento futuro, uma solução que retire a sanita da dita zona de lazer de Alcains.
Até lá vigilância apertada e filtro de carvão contra os maus cheiros.