Páginas

domingo, 23 de outubro de 2011

Ponte Salazar / Ponte 25 de Abril

Por, em meu entender, se tratar de um documento técnico de inquestionável valor, por repor no conhecimento público informação técnica de elevada qualidade, e porque na voracidade dos tempos correntes tudo se “deleta”, se apaga, decidi colocar no terra dos cães, para memória futura, o documento que se segue.


Manuel Peralta

- Antecedentes Históricos -
O atravessamento contínuo do rio Tejo na área urbana da capital, uma aspiração quase secular, foi traduzido em termos técnicos, e pela primeira vez, pelo Eng.º Miguel Pais que propôs em 1876, em desenho, uma ponte entre o Grilo e o Montijo.
Esta proposta contemplava uma solução mista para o tráfego rodoviário e ferroviário, de tabuleiro duplo e com setenta e seis tramos, dos quais setenta e quatro tinham 60 m de vão e os dois extremos, 48 m.
Apesar do grande apoio que colheu nos meios técnicos, na opinião pública e em departamentos oficiais, este projecto não teve seguimento, tendo surgido ao longo dos anos outras ideias para a ligação da capital à margem Sul.


Em 1888 o Eng.º Lye, de nacionalidade norte-americana, propõe a construção de uma ponte entre Almada e a zona do Tesouro Velho (actual Chiado) com uma estação ferroviária próxima do Largo das Duas Igrejas.
Posteriormente, em 1889, os engenheiros franceses Bartissol e Seyrig propõem uma ligação mista entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada, através de uma ponte com 2500 m de comprimento, que seria assente numa série de arcos com vãos diferentes.
Em 1890 surge nova proposta subscrita por uma empresa metalomecânica de Nuremberga que pretendia construir uma ponte entre o Beato e o Montijo, sugerindo uma localização muito próxima à que tinha sido proposta pelo Eng.º Miguel Pais.


Já no século XX, em 1913, foi proposto ao Governo, por uma firma portuguesa, fazer a ligação entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada.
Porém, em 1919, a empresa H. Burnay & C.ª, considerava que a travessia do Tejo deveria ser feita através de um túnel e não de uma ponte. Este túnel teria 4500 m de extensão e ligaria a capital a Almada entre Santa Apolónia e Cacilhas.
Dois anos mais tarde é feita nova sugestão para outra ponte mista, pelo Eng.º Alfonso Pena Boeuf, espanhol, a implantar entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada, com um comprimento total de 3347 m. Curiosamente, esta proposta previa apenas um tabuleiro com via férrea dupla e quatro vias para circulação rodoviária. Em 1926, estando ainda de pé esta proposta, a empresa do Arq.º José Cortez - Cortez & Bruhns, apresentou, em esboço, a sugestão duma grande ponte suspensa de três vãos a lançar entre a parte alta da Rua do Patrocínio e as proximidades de Almada.
O Eng.º António Belo, em 1929, solicitou a concessão de uma linha férrea a construir entre o Beato e o Montijo, que incluía a respectiva ponte para a travessia. Esta proposta mereceu, por parte do Ministro Duarte Pacheco, a atenção devida, tendo-se aberto para o efeito um concurso público em 1934, que não teve resultados concretos, visto que nenhuma das propostas correspondeu ao que o caderno de encargos estipulava sobre o regime de concessão.


Quatro anos mais tarde, retomada por um dos concorrentes - United States Steel Products - esta proposta também não obteve acordo, apesar da simplificação e redução de custo apresentadas.
Em 1942 foi nomeada uma comissão para o estudo das comunicações entre a zona oriental de Lisboa e o Sul do país, como consequência de diligências promovidas pelas Câmaras Municipais do Barreiro, Alcochete, Moita e Seixal para a melhoria das comunicações entre as sedes dos respectivos concelhos e Cacilhas. Porém, com a decisão da construção da Ponte de Vila Franca de Xira, foram suspensos os trabalhos desta comissão.
O Eng.º Pena Boeuf, em 1951, sugeriu uma nova travessia entre Almada e o Alto de Santa Catarina em Lisboa, propondo uma ponte suspensa.

- O Empreendimento -
Finalmente, para o estudo e resolução do problema das ligações rodoviária e ferroviária entre Lisboa e a margem Sul do Tejo, foi nomeada, por Portaria dos Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações de Junho de 1953, uma nova comissão que concluiu pela viabilidade técnica e financeira da travessia através de uma ponte ou de um túnel. O Governo optou pela construção de uma ponte e pelo Decreto-Lei n.º 42 238, autorizou o Ministério das Obras Públicas a abrir concurso para a sua construção.


Em Dezembro de 1960, foi criado, na dependência do Ministro das Obras Públicas, para a condução deste empreendimento, o Gabinete da Ponte sobre o Tejo, dirigido pelo Eng.º José Estevam Abranches Couceiro do Canto Moniz, na altura director dos Serviços de Conservação da Junta Autónoma de Estradas.
Em Março de 1960 abriu-se concurso internacional para a execução da obra, tendo esta sido adjudicada à United States Steel Export Company em Maio de 1962. Compreendia a construção da ponte sobre o rio, a realização de um complexo rodoviário que incluía 15 km de auto-estrada, trinta e duas estruturas de betão armado e pré-esforçado, o Viaduto Norte sobre Alcântara (com 945,11 m de extensão e catorze vãos, cujo tabuleiro de betão pré-esforçado é apoiado em pilares gémeos de betão armado, ligados por uma travessa horizontal a 10 m do topo, destinada a suportar o tabuleiro ferroviário), um túnel sob a Praça da Portagem (com cerca de 600 m de comprimento e destinado a receber a plataforma ferroviária do eixo de ligação da rede a Norte com a rede a Sul do rio Tejo), a sinalização e iluminação de toda a obra.


Iniciada em Novembro de 1962 a ponte é constituída por uma estrutura metálica, suspensa, com cerca de 2300 m de comprimento entre ancoragens, dos quais 1013 m vencem o vão central.
As duas torres principais de aço carbono, atingem uma altura de 190,5 m acima do nível da água e estão situadas a cerca de meio quilómetro de cada margem. A construção das suas fundações, sobretudo as da torre Sul, constituiu um dos aspectos mais interessantes da obra. Implantada em pleno rio, a fundação em betão armado, realizada empregando o método do caixão aberto, assenta na rocha basáltica a 82,5 m abaixo do nível da preia-mar de águas vivas.


As torres são jorradas transversal e longitudinalmente e cada uma tem duas pernas ou montantes principais, contraventadas entre si por cinco peças em X e duas travessas horizontais, uma no topo da torre e a outra abaixo do nível da viga de rigidez.
No topo de cada torre foram fixadas duas grandes selas de aço fundido, que dão apoio aos dois cabos principais de suspensão, constituídos por fios de aço paralelos, organizados em 37 feixes com 304 fios cada um, cintados e apertados de modo a formar, em todo o percurso suspenso, um cabo com 58,6 cm de diâmetro. A viga de rigidez e o tabuleiro são suspensos desses grandes cabos que amarram a dois maciços de betão, localizados nas margens.


A grande viga de rigidez, com 21 m de largura e 10,65 m de altura, contínua em toda a sua extensão, é constituída por elementos soldados que foram depois fixados com parafusos de alta resistência. Sobre ela assenta o tabuleiro, constituído por um conjunto de longarinas e carlingas de aço sobre as quais assentam painéis formados por uma grelha do mesmo material.
A Ponte 25 de Abril, como passou a ser conhecida desde 1974 foi, no tempo da sua construção, a maior da Europa, considerando a distância entre ancoragens e a maior fora dos Estados Unidos da América.


Projectada para ser uma ponte mista - rodoviária e ferroviária - foi logo planeada no projecto a construção em duas fases, pelo que os seus elementos estruturais fundamentais (fundações, torres e pilares) previam já as sobrecargas ferroviárias de uma via dupla.
A ponte abriu ao tráfego rodoviário com duas vias em cada sentido, divididas por um separador central metálico. Devido ao grande aumento do tráfego médio diário, em Junho de 1990 foi aberta uma quinta via, reversível, obtida à custa da remoção do separador central e sem qualquer alargamento físico. Esta decisão e o aumento de capacidade resultante, obrigou à reformulação da Praça da Portagem e à inversão do sentido de cobrança da portagem, obra lançada em 1992.


O grande desenvolvimento urbano e regional da margem Sul e o consequente aumento de tráfego, provocaram a saturação da capacidade de transporte da ponte, tornando evidente a necessidade de ampliar o tabuleiro rodoviário para a capacidade máxima de seis vias e proceder aos estudos de lançamento da fase ferroviária.
Em 1990 iniciaram-se as diligências para a elaboração do projecto que foi adjudicado à firma Steinman Boynton Gronquist & Bridsal e ficou concluído em 1994. Os estudos foram conduzidos pelo Gabinete de Gestão das Obras de Instalação do Caminho de Ferro na Ponte sobre o Tejo em Lisboa, GECAF, sob a orientação do Eng.º Mário Pinto Alves Fernandes, ex-Presidente da JAE e um dos técnicos do extinto Gabinete da Ponte sobre o Tejo. Posteriormente, em Abril de 1997, este Gabinete foi integrado na REFER-EP (Rede Ferroviária Nacional).


Após concurso internacional aberto em 1995, as obras de reforço, alargamento do tabuleiro e inclusão da via férrea na ponte e seus acessos, iniciaram-se nesse mesmo ano. No esquema ferroviário adoptado, foi incluido o túnel construído durante a fase inicial sob a Praça da Portagem.


As obras efectuadas por forma a permitir a circulação diária de cerca de 250 comboios, incluiram os trabalhos seguintes:

• reforço estrutural da ponte, com a construção de dois cabos de suspensão secundários e respectivas ancoragens nas duas margens;
• reforço da viga de rigidez;
• construção do tabuleiro ferroviário para via dupla no interior da viga de rigidez, incluindo as respectivas catenárias e toda a aparelhagem de sinalização e controlo;
• alargamento do tabuleiro rodoviário para seis vias, com separador central;
• beneficiação geral da estrutura existente, incluindo decapagem e pintura total;
• renovação da instalação eléctrica, de sinalização e decorativa;
• construção do tabuleiro ferroviário sob o tabuleiro rodoviário do Viaduto de Alcântara;
• beneficiação geral do tabuleiro rodoviário do Viaduto de Alcântara, com supressão de algumas juntas e substituição de outras.


Foi a primeira vez que se levou a efeito um reforço neste tipo de estrutura tendo em vista a sobrecarga motivada pelo modo de exploração ferroviário. O peso dos comboios considerado foi duas vezes e meia superior ao que foi tido em consideração aquando da elaboração do projecto em 1960/1961.
A manutenção e a exploração desta ponte foram feitas, até Janeiro de 1973, pelo Gabinete da Ponte sobre o Tejo e entre esta data e 31 de Dezembro de 1995 pela Junta Autónoma de Estradas. A partir de 1 de Janeiro de 1996 a exploração e a manutenção corrente passaram, de acordo com o Decreto-Lei n.º 168/94 de 15 de Junho, a ser feitas pela Lusoponte, SA., (através da Gestiponte) concessionária da nova travessia entre Lisboa e Alcochete - Ponte Vasco da Gama - inaugurada em Março de 1998.

- Documentário «A Ponte Salazar sobre o rio Tejo em Lisboa - 1966» -
De José Leitão de Barros Documentário «A Ponte Salazar sobre o rio Tejo», do Gabinete da Ponte sobre o Tejo

Comprimento do vão principal - 1.012,88m
Distância entre amarrações - 2.227,64m
Altura livre acima do nível da água - 70,00m
Altura das torres principais acima do nível da água - 190,50m
Diâmetro dos cabos principais - 58,60cm
Número de fios de aço por cada cabo principal - 11.248
Diâmetro de cada fio de aço, cabo principal - 4,877mm
Comprimento total de fio de aço nos cabos principais - 54.196km
Diâmetro dos cabos secundários - 35,44cm
Número de fios de aço por cada cabo secundário - 4.104
Diâmetro de cada fio de aço, cabo secundário - 4.98mmm
Comprimento total de fio de aço nos cabos secundários - 20.000km
Profundidade do pilar principal sul abaixo do nível da água - 80m
Profundidade do pilar principal norte abaixo do nível da água - 35m

Viaduto do acesso Norte, construído com betão pré-esforçado
Comprimento total - 945,11m
Número de vãos - 14
Vão maior - 76m

Acessos rodoviários Norte e Sul
Comprimento total aproximado - 30Km
Número de estruturas de betão armado e pré-esforçado - 32
Vão maior - 76m

Quantidades aproximadas
Aço trabalhado e montado - 72.600t
Betão necessário para a construção - 263.000m3
Remoção de terras e rochas - 6.500.000m3

Empresas que trabalharam directamente na obra (das quais 11 portuguesas) - 14
Máximo de trabalhadores que diariamente estiveram na obra - 3.000
Número de homens-dia empregados na execução da obra - 2.185.000
Custo da ponte e acessos rodoviários - 2.145.000 contos

Localização AE 2 Sul, km 5, lanço Lisboa / Almada Concelho - Lisboa / Almada

Publicações:
A Ponte Salazar / Ministério das Obras Públicas, Gabinete da Ponte sobre o Tejo. - [Lisboa] : GPST, 1966 (reimp. 1992).
Le pont Salazar / Ministério das Obras Públicas, Gabinete da Ponte sobre o Tejo. - [Lisboa] : GPST, [1966?] (reimp. 1992).
The Salazar bridge / Gabinete da Ponte sobre o Tejo, Ministério das Obras Públicas. - [Lisboa] : GPST, 1966 (reimp. 1992).

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Câmara de Castelo Branco e as cortinas dos seus SMAS

Em trabalho conjunto, recente, dos jornalistas Lídia Barata e Nelson Mingacho do Reconquista, relativo à “Poluição na ribeira da Líria em Alcains“, a Administradora dos SMAS da Câmara de Castelo Branco, doutora Maria José Batista, informou os jornalistas de que o derrame dos esgotos domésticos, não tratados da responsabilidade dos SMAS, e que poluiram a infeliz e martirizada ribeira, se ficaram a dever ao facto de o colector ter sido “ entupido com fraldas, toalhas e outros resíduos que deveriam ter outro destino“, devido à “notória falta de consciência cívica e ambiental dos cidadãos“.
Li, reli, tresli e não acreditei...
Como é possível que uma administradora paga com as minhas taxas de disponibilidade, de saneamento fixo, de resíduos sólidos, entre outras, se permita tal topete, e esfregue na cara dos Alcainenses a notória falta de consciência cívica e ambiental dos cidadãos?
Sim, a doutora Maria José Batista com o pomposo nome de administradora dos SMAS da Câmara de Castelo Branco, deveria ser a última das entidades a falar de consciência ambiental, uma vez que, enquanto administradora dos SMAS, é a principal e directamente responsável pelos esgotos domésticos, que sob sua responsabilidade poluem incessantamente a ribeira da Líria.
Ou a senhora doutora não se reconhece na cortina que a foto reproduz? Cortina essa colocada por trabalhadores sob sua gestão, e que se confessam envergonhados com as soluções técnicas que a descapitalizada inteligência existente, implementa?
Sabe senhora administradora, o que aconteceu em Alcains não foi um entupimento do colector, e, porque, mesmo sobre os esgotos da mentira a verdade vem ao de cima, o que aconteceu foi apenas isto.
Um mal equipado trabalhador dos SMAS que Vossa Excelência dirige, entrou pela ribeira dentro e frente à praça de Alcains, descobriu que um pote de esgotos entrou em rotura, e todos os esgotos a partir dali correram para a ribeira da Líria.
Assim o diz quem viu. Andei por lá, não aproveitei o feriado para fazer ponte, e, como tal, quando vi passar a auto bomba fui de bicicleta dar um passeio atrás dela.
Falta de consciência cívica e ambiental dita por quem tanto polui Alcains, e que, como solução para minorar os maus cheiros sentidos um pouco por toda a vila, manda por uma cortina?
Sugiro-lhe que quando aconteça situação idêntica que venha ao local, que continue a acreditar no que lhe dizem, mas, meta a mão na massa, como São Tomé, ver para crer...
Os trabalhadores com muitos anos de tarimba sabem quem sabe da poda... por vezes até se riem entre eles dos chefes verdes, macios, porreiros, digo-o por experiência própria, e só no terreno aprendemos as debilidades das equipas que vão fazendo o que é possível com meios muito escassos.


Os SMAS da Câmara de Castelo Branco, de que munícipes da cidade e fregueses das aldeias vão pagando água das mais caras do país, merecem que os seus direitos sejam acautelados.
A um bom ambiente, a uma boa limpeza, e a não beberem água que lhes entra em casa por canos de lusalite, que as entidades de saúde intimaram a substituir.
Uma parte substancial da rede de águas de Alcains, na rede mais antiga da vila, continua nestes canos. Tem-se feito alguma coisa neste domínio, mas é ainda confrangedoramente muito pouco.
As dezenas de milhões de euros recebidos pela venda da rede de água e esgotos às Águas do Centro, deveriam em meu entender resolver primeiramente este problema, pois foi com as taxas e as águas pagas a peso de oiro que tal património se construiu.
Não podem os fregueses estar a consumir àgua que circula em canos que as autoridades sanitárias, têm muita dúvidas quanto aos efeitos causados à saúde.
Voltando às cortinas, sei que, quando as notícias são deste teor se procura internamente averiguar, quem foi, quem disse, onde, quando...
Cortinas, cortinas, empurrar o problema com a barriga para a frente... é o que os SMAS da Câmara de Castelo Branco têm feito ao longo dos anos aos fregueses de Alcains, enquanto se anuncia nova ETAR para os munícipes da cidade.
Hoje percebo melhor a razão do mutismo existente... o futebolista, cativo do acordo da troika deixou de marcar golos e os restantes é melhor continuarem caladinhos, pois com declarações como as que, na qualidade de administradora dos SMAS prestou, só complicam a vida de quem ainda faz...
Com enorme satisfação, assisti hoje, sexta feira dia 14 de Outubro, à descarga de uma máquina que presumo irá proceder à desejada e necessária limpeza da ribeira da Líria.
Vou seguir o exemplo dominante, estar calado, para não atrapalhar.

Manuel Peralta

Texto publicado no Reconquista de 20 de Outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Os SMAS da Câmara de CB, e a Consciência Ambiental

De: Manuel Peralta [mailto:manuel-r-peralta@sapo.pt]
Enviada: terça-feira, 18 de Outubro de 2011 11:15
Para: geral@sm-castelobranco.pt; camara@cm-castelobranco.pt
Cc: sepna@gnr.pt; 'geral@min-agricultura.pt'; 'geral@arhtejo.pt'; 'geral@ersar.pt'; 'igaot@igaot.pt'; 'info@draplvt.min-agricultura.pt'; 'Partido Ecologista "Os Verdes" "Os Verdes"'; 'drapc@drapc.min-agricultura.pt'; 'doai@drapc.min-agricultura.pt'; 'cristina.pereira@ersar.pt'; v.saraiva@aguasdocentro.pt; 'nuno.lourenco@sm-castelobranco.pt'; 'nuno.maricat@sm-castelobranco.pt'; 'joao.carvalho@sm-castelobranco.pt'; 'amavel.santos@aguasdocentro.pt'; rogerio.b.martins@gmail.com; 'lidia.barata@reconquista.pt'; julio.cruz@reconquista.pt; 'Frutuoso Mateus'; 'Anselmo Cunha'; camara@cm-castelobranco.pt
Assunto: A consciência ambiental dos SMAS da Câmara de Castelo Branco

Agora tudo fica mais claro...digo eu mais escuro.
Iniciaram-se ontem os trabalhos de limpeza da desgraçada ribeira da Líria, que corre a céu aberto na ambientalmente dita, Zona de Lazer de Alcains.
Estou a pensar colocar pela feira de Todos os Santos, dia 1 de Novembro, um cartaz do tipo... Tenha ainda mais prazer... Visite a zona de lazer.
As fotos, para quem tem dúvidas, ajudam a esclarecer como é possível tanta negligência ambiental que, diariamente polui a ribeira neste troço, da exclusiva responsabilidade dos SMAS da Câmara de Castelo Branco.
O Sr. Daniel Ribeiro Março, proprietário da empresa que procede à limpeza, pode descrever as inúmeras ratazanas, os milhões de melgas, a expressão é dele, que ontem deixaram de conviver com os esgotos não tratados que poluem a ribeira.
Não tratados, se tiver dúvidas e puder, venha ver agora o leito da martirizada ribeira.
Haverá na Câmara de Castelo Branco um vereador do ambiente?
Peço às entidades a quem dou conhecimento muito mais que eficiência, eficácia, precisa-se.

Muito bom dia para todos.

No blog terra dos cães, vou colocar mais fotos elucidativas sobre o tema.

Manuel Peralta

Esgoto corre após romper barragem

Esgoto dentro da ribeira e que provoca maus cheiros

O que resta do repuxo de esgotos na Zona de Lazer.

Mais esgotos domésticos não tratados.

Consciência ambiental

Máquina com mais de dois metros de altura, entre tabuas, e não tábuas, assim são conhecidos estes arbustos, que em muita quantidade infestam a ribeira.
Estas tabuas fazem autêntica barragem ás águas, e acerca de quatro anos, quando choveu exageradamente a ribeira por falta de limpeza destas tabuas transbordou e causou elevados prejuízos aos proprietários confinantes com a ribeira.

Esgotos, poluição em plena ZONA de LAZER

...o Sr. Daniel Ribeiro Março, da firma Daniel Ribeiro Março e Filhos Lda, da Isna, o homem que melhor conhece a ribeira, pois tem sido a sua firma que, por enquanto, tem procedido à limpeza da ribeira da Líria, na zona de Lazer.
Ele tem soluções para o problema, pois trata-se de homem com experiência de vida, e que acompanha no local os trabalhos, mete a mão na massa como se diz, acredita no que lhe dizem, mas, pelo sim e também pelo não, quer ver, como São Tomé, para crer...

...luta contra tabuas

...fazendo limpeza, retirando esgoto.

...sem palavras.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ALCAINS - Quem é amigo, quem é?

Quem é amigo, quem é?


Imagine o leitor que tem uma casa em Alcains, na rua Dr. Francisco Alves Pereira Mateus e que há três anos não consegue ter acesso à sua garagem?
Continue a imaginar que, todo o seu quintal, está invadido pelas árvores da via pública e que os autarcas da sua Junta da Freguesia, presidente, secretário e tesoureiro, não permitem sequer que se toque, num ramo do que é deles, público.
Esta proibição foi e é acompanhada de ameaças... se te metes com a junta, levas.
Pedindo ainda mais um esforço, que faria se visse o seu muro do jardim desconjuntado, aberto portanto, porque as árvores dos ditos autarcas sob o efeito das suas raízes, levantaram o muro que ameaça ruína?


E se em rua transversal à rua supra mencionada, observasse que igual munícipe arrancou ou os autarcas permitiram que se arrancassem duas árvores, apenas por questões estéticas, para não tirar a vista à casa?
Será que a razão residirá no facto de que um dos munícipes nasceu na Póvoa do Rio de Moínhos e o outro nasceu em Alcains?
Mas mais!!!
Sabia que os autarcas, presidente secretário e tesoureiro, mandaram cortar um figueira, abebreira branca, que dava excelentes figos, propriedade do munícipe nascido na Póvoa do Rio de Moínhos que estava a ocupar a via pública num canto ermo, na mesma rua?


E qual foi o crime que o munícipe nascido na Póvoa do Rio de Moínhos, mas que foi criado em Alcains, cometeu, para ser assim socialisticamente tratado?
A vítima tem nome, é um trabalhador humilde, civilizado, de nome António Rosário Duarte, que cometeu o crime de ter investido todas as poupanças de uma vida digna de emigrante honrado, na que já foi a maior aldeia de Portugal, hoje, Vila de Alcains.
A pastelaria do mercado, uma das melhores, senão a melhor de Alcains, é investimento seu, o restaurante Santo António, idem, a quinta Trigueiros de Aragão e a tapada do falecido Sr. José Marques Rafael, foram os crimes cometidos pelo senhor António Duarte, e que merecem por parte dos autarcas esta punição.
Querem melhor incentivo ao investimento particular na freguesia de Alcains? Quem é assim tratado que vontade tem de prosseguir? Mas é assim que a equipa de autarcas que não gere, está por lá, na junta, trata quem engrandece Alcains, convicta de que os autarcas desta terra, são gente que ajuda quem quer ajudar a desenvolver Alcains.


Quem me lê e se puder passar por lá, que vá e veja o tratamento dúplice dado aos munícipes... para os da terra, veludo, para os da Póvoa lixa grossa.
Assim não, os elevados prejuízos morais e materiais causados ao senhor António Rosário Duarte, cuja responsabilidade é da junta da freguesia, não podem passar incólumes.
Numa sociedade com valores e princípios de equidade, a autarquia seria obrigada a repor, sem custos materiais para o senhor António Rosário Duarte, a situação anterior, cortando as árvores, desentupindo o colector de esgoto, fazendo novo muro, fixando as grades do jardim, repondo o pavimento de acesso á garagem, pintar os muros, etc, etc, etc.


Os prejuízos morais, as insónias, os nervos, o cansaço de expor a situação sem êxito, as idas sem êxito à junta, o dizer aqui e ali ficando só, a angústia de não conseguir, a admissão de falhar, são raivas e dores que consomem apenas as pessoas com vergonha na cara.
Esta gente, leve, que usa os cargos públicos para humilhar cidadãos, sonegando-lhe os seus mais elementares direitos, não é digna de plagiar o nome de autarca, pois conheço muitos, sérios e que tratam os munícipes não em função do amiguismo mas sim dos verdadeiros valores da ética que foram o apanágio de quem pensou que com a liberdade tudo viria por acréscimo.
Estas são as injustiças que me chegam, factos, não má vontade contra quem quer que seja.


Estas são as questões que por serem fáceis de resolver, me inquietam, e não posso sob pena de trair a minha passagem por cá, de publicamente denunciar.
Uma sociedade de calados, de mudos, é uma sociedade com medos, medo de perder o lugar, medo de desagradar, medo de frente ao chefe opinar...
A continuar assim, não vamos lá.

Manuel Peralta

Nota - Para os leitores que não se podem deslocar ao local dos factos, convido-os a irem à internet, ao blog, Terra dos Cães, onde poderão observar um conjunto de fotos que evidenciam os prejuízos causados.

Texto publicado no jornal Reconquista de 13 de Agosto de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A ribeira da Líria e os serviços do ministério da Agricultura e da administração da região hidráulica do Tejo em CB


Para conhecimento público, dou nota de mais esta diligência sobre o crime ambiental que diariamente se pratica na ribeira da Líria, na vila de Alcains, infeliz freguesia do concelho de Castelo Branco.

Manuel Peralta


De: Manuel Peralta [mailto:manuel-r-peralta@sapo.pt]
Enviada: terça-feira, 11 de Outubro de 2011 18:46
Para: 'Anselmo Cunha'
Cc: 'Partido Ecologista "Os Verdes" "Os Verdes"'; 'lidia.barata@reconquista.pt'; 'geral@min-agricultura.pt'; geral@sm-castelobranco.pt; 'geral@arhtejo.pt';
'geral@ersar.pt'; 'drapc@drapc.min-agricultura.pt'; 'doai@drapc.min-agricultura.pt'; sepna@gnr.pt; camara@cm-castelobranco.pt; 'celeste.capelo@gmail.com';
'v.saraiva@aguasdocentro.pt; junta.alcains@netvisao.pt; 'joao.carvalho@sm-castelobranco.pt'
Assunto: RE: Portal MADRP - Reclamação - 873

Sr. Anselmo Cunha

Agradeço a resposta que me enviou, relativamente à minha denúncia de 21 de Fevereiro de 2011.
Foram oito, repito, oito meses de silêncio ensurdecedor…
Agradavelmente, fiquei surpreendido que a questão da renovação da licença que o matadouro industrial OVIGER detém, e que lhe tem permitido poluir a ribeira da Líria na vila de Alcains, freguesia do concelho de Castelo Branco, depende dos serviços do ministério da agricultura, com sede em Castelo Branco.
Como a proximidade pode ajudar a resolver as questões, ficaram na resposta que me enviou, por responder as seguintes questões.

1 - Por informação do SEPNA/GNR, fiquei a saber que recentemente o matadouro, solicitou a renovação da licença e que em auto análise, repito, auto análise, os parâmetros por eles recolhidos estavam abaixo dos valores máximos permitidos, presumo que na licença que os seus serviços lhe concederam. Será que se vai repetir a situação, face ao pedido de renovação existente?

2 - Sugiro que sejam encetadas diligências para que a recolha das análises, ao que presumo efectuadas pela ARH/TEJO, seja efectuada à saída do colector do matadouro da OVIGER, na ribeira da Líria, ainda dentro, reparem na ironia, na Zona de Lazer da vila de Alcains, freguesia do Concelho de Castelo Branco.

3 - A eventual concessão de licença sem que a OVIGER resolva de vez a questão do tratamento capaz dos seus efluentes, não passará sem que o Ministério Público averigue responsabilidades, pessoais e profissionais.

Aproveito para lhe enviar mais umas fotos, tiradas esta tarde, para documentar a calamidade ambiental.
Por baixo daquilo a que não se pode chamar água, os efluentes são vermelhos pelo sangue claro que ali corre e por ali se deposita.
Peço desculpa por a si me dirigir, mas foi quem assina o email. Agradeço no entanto o favor de fazer chegar esta minha resposta ao responsável dos seus serviços.

Melhores cumprimentos.

Manuel Peralta


De: Anselmo Cunha [mailto:anselmo.cunha@drapc.min-agricultura.pt]
Enviada: segunda-feira, 10 de Outubro de 2011 11:57
Para: manuel-r-peralta@sapo.pt
Assunto: Portal MADRP - Reclamação - 873

Exmº Senhor Manuel Peralta

Reencaminha-se informação da Divisão de Licenciamento e Apoio Laboratorial relativamente ao tratamento dado à situação denunciada na reclamação referenciada e apresentada através do Portal MADRP:

Bom dia,
Encarrega-me a Chefe de Divisão de Licenciamentos e Apoio Laboratorial de elaborar um resumo do tratamento dado à reclamação supra referida.

A 21-02-2011 foi recepcionada na DRAPC um documento relativo a "denúncia sobre descargas de resíduos do matadouro industrial e de águas residuais na Ribeira da Líria - Alcains - Castelo Branco", emitido pela IGAOT, solicitando diligências no sentido de se averiguar da situação denunciada (este documento, por lapso, foi enviado para a DRAPLVT, que o reencaminhou);
A 18-03-2011 esta DRAP oficia a IGAOT solicitando parecer sobre a denúncia em causa, dado considerar que o objecto da denúncia constitui matéria da competência da Inspecção Geral e remete cópia da Licença de Exploração e do TUHR;
A 15-09-2011 é recepcionado no mail da Chefe de Divisão de Licenciamentos e Apoio Laboratorial um reencaminhamento da reclamação 873 apresentada novamente pelo reclamante junto do portal do MADRP;
A 22-09-2011 a DRAPC oficia a OVIGER no sentido de dar conhecimento da existência da reclamação apresentada junto desta DRAP;
A 22-09-2011 a DRAPC oficia a ARHTejo no sentido de se pronunciarem em matérias julgadas da sua competência;
A 22-09-2011 a DRAPC oficia a IGAOT no sentido de dar conhecimento a esta Inspecção Geral das diligências tomadas pela Direcção Regional através do envio de cópia dos ofícios atrás referidos.

CMC,

Maria João Franco Frazão
Divisão de Licenciamentos e Apoio Laboratorial
DRAPCentrcc
Tel: 272 348 600


----- Original Message -----
From: "DRAPC"
To: "DIRECCAO SECRETARIAS" ; "'Anselmo
Cunha'"
Sent: Wednesday, September 14, 2011 11:59 AM
Subject: FW: Portal MADRP - Reclamação - 873

-----Mensagem original-----
De: manuel-r-peralta@sapo.pt [mailto:manuel-r-peralta@sapo.pt]
Enviada: quarta-feira, 14 de Setembro de 2011 11:31
Para: drapc@drapc.min-agricultura.pt
Cc: reclamacao@min-agricultura.pt
Assunto: Portal MADRP - Reclamação - 873

Recebeu do PORTAL do MADRP a seguinte RECLAMAÇÃO

Número: 873
Nome: Manuel P. R. Peralta
NIF:
Entidade:
Correio Electrónico: manuel-r-peralta@sapo.pt
Telefone:
Fax:
Morada: Av 12 de NOvembro lote 8
Código Postal: 6005-001 - Alcains
Distrito: CASTELO BRANCO
Concelho: CASTELO BRANCO
Assunto: Poluição da Ribeira da Líria em Alcains

Organismo/Entidade: Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro

Texto: Desde há vários anos que a ribeira da Líria em Alcains é um vazadouro de esgotos dos Serviços Municipalizados de CBranco, por vezes também das Águas do Centro mas principalmente pelo matadouro industrial OVIGER que ao que parece tem licença para poluir. Tal licença caduca em Janeiro de 2012.
O que solicito é que a licença não seja renovada sem que a OVIGER garanta as condições de tratamento que não poluam a ribeira. Mandei por email fotos que testemunham a situação.Ando há város anos a tentar que resolvam a situação e nada até hoje.
Por favor venham ao local e observem o gravíssimo atentado ao AMBIENTE.
Aguardo por resposta e espero um dia por visita ao local Melhores
cumprimentos.