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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A RIBEIRA DA LÍRIA E O SEPNA/GNR

Em email dirigido ao Sepna/GNR, (Serviço de Protecção da Natureza da Guarda Nacional Republicana), denunciava não só a poluição da ribeira bem como a falta de limpeza do seu leito, que em caso de chuvada forte pode transbordar, inundar, e prejudicar moradores confinantes com a ribeira, como infelizmente tem acontecido.
Respondeu agora o Sepna/GNR, à minha denúncia que deu entrada no Sepna com o número 3406/2011.

De: GNR_CO_DSEPNA_SOSAmbiente [mailto:sepna@gnr.pt]
Enviada: segunda-feira, 3 de Outubro de 2011 16:25
Para: 'manuel-r-peralta@sapo.pt'

Assunto: Denúncia nº 3406/2011

Junto se envia a resposta à Denúncia acima mencionada.
Com os melhores cumprimentos;

A DSEPNA

(clique na imagem para aumentar)

Como diz agora o Tó Zé, também eu fiquei chocado com o teor do referido ofício pois nele se pode ler o seguinte:


1 - Que em 13 de Junho de 2011 a empresa OVIGER-Matadouro Industrial, solicitou a renovação da licença e que para tal, terá apresentado análises de recolha dos seus efluentes industriais, pela OVIGER recolhidos, e que estariam abaixo dos valores máximos permitidos.
A licença caduca em Fevereiro de 2012, pelo que só falta acontecer que director, presidente, assessor ou chefe de gabinete da entidade responsável pela concessão da licença, o tenha feito à sorrelfa e perante um facto consumado ainda peçam indemnização ao estado. Não é isto que tem acontecido?


Porque razão a OVIGER solicita tão cedo a renovação da licença?
Será possível que seja concedida licença para poluir, sem que as entidades responsáveis por tal se assegurem da situação actual, em que chega a correr sangue claro e em que efluentes industriais em alegre poluição misturados com efluentes domésticos também não tratados, poluam diariamente o ambiente causando elevados prejuízos a toda a comunidade?
Quem é responsável por esta situação?


2 - Quanto à limpeza é de rir, apesar de há tanto tempo solicitada, nada feito pelos responsáveis. A mesma autoridade que intima particulares a limpar e estes rapidamente limpam, avisa o dito poder local democrático, que assobia para o lado, pondo em causa o cumprimento da lei e dando mais um belo exemplo de democracia.


3 - Estes tropeções não me farão desistir... denunciarei, denunciarei, denunciarei, até que a voz me doa.

(Clique na imagem para aumentar)

Manuel Peralta

terça-feira, 4 de outubro de 2011

AS ÁGUAS DO CENTRO E A RIBEIRA DA LÍRIA.

INSISTÊNCIA

Em notícia anterior dei conta e estão aí digitalizadas as três folhas da carta que o senhor Administrador da Águas do Centro, Dr. Amável Santos me enviou, na sequência de reclamação sobre desempenho ineficiente da estação elevatória dos esgotos domésticos de Alcains.
Como é do conhecimento geral, a Câmara Municipal de Castelo Branco transformou os seus activos das redes de águas e esgotos em alta, em capital, vendendo assim às Águas do Centro por cerca de 30, (trinta) milhões de euros estes activos.
O número, admito que possa ser sujeito a correcção, mas andará à volta disto…trinta milhões de euros.


Como se está a gatar, repito gastar, este dinheiro é um problema de maiorias e de muita mudez…
Uma parte substancial deste património foi construído com taxas e águas caras pagas pelos munícipes, no tempo em que a água era escassa, e para se poupar, a autarquia da altura subiu imenso a factura da águas aos munícipes.
Como em nada se mexeu, os munícipes concelhios pagam a água das mais caras do país, em determinada altura, de acordo com estudo do jornal Público, Castelo Branco tinha a 5ª água mais cara do país, andava eu na oposição pela Assembleia Municipal.
Portanto, o funcionamento deficiente da estação elevatória dos esgotos domésticos de Alcains, transitou e bem, dos Serviços Municipalizados de Castelo Branco para as Águas do Centro.


Empresa com mais capital, mais recursos de toda a ordem, nomeadamente técnicos, tem agora a incumbência de resolver de vez este problema, herdado dos Serviços Municipalizados que sempre o empurraram com a barriga para a frente…até hoje.
Prometeu-me na referida carta, o Senhor Administrador Delegado que o Grupo Águas de Portugal estava a estudar uma solução técnica que iria resolver de vez este grave problema ambiental de Alcains.
É o que estou a fazer com este email, que abaixo podem ler, para que memória futura registe o conhecimento que tenho da situação.
E disso dou conhecimento público, para que não digam como o poeta…que não falei de flores.

Manuel Peralta

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De: Manuel Peralta [mailto:manuel-r-peralta@sapo.pt]
Enviada: terça-feira, 4 de Outubro de 2011 15:53
Para: 'amavel.santos@aguasdocentro.pt'; v.saraiva@aguasdocentro.pt

Assunto: FW: Maus cheiros da estação elevatóra de esgotos de Alcains na av 12 de Novembro. SUGESTÂO

Sr. Administrador Delegado das Águas do Centro.

Remeto novamente este email para o relembrar que com as actuais temperaturas, se torna insuportável residir na zona da vossa estação elevatória de efluentes domésticos em Alcains.
Melgas, maus cheiros, ratazanas enfim, toda uma relação de incomodidades que afectam drasticamente a qualidade de vida dos residentes no local e os Alcainenses em geral.
Em carta de 3 páginas que em tempos, amavelmente me enviou, criou-me a expectativa que uma solução de fundo em novo projecto, estaria a ser considerada.


Entretanto, já passou tanto tempo e apenas o vento me traz os maus cheiros, e, ao traze-los, relembro as 3 páginas que me enviou.
Sei que se está em mudança no Grupo…mas, seria oportuno caso possa, que me fizesse um ponto de situação sobre o projecto.
Obviamente trata-se de um pedido que o Senhor Administrador decidirá.
Melhores cumprimentos.

Manuel Peralta

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De: Manuel Peralta [mailto:manuel-r-peralta@sapo.pt]
Enviada: sábado, 30 de Abril de 2011 22:02
Para: amavel.santos@aguasdocentro.pt; v.saraiva@aguasdocentro.pt
Cc: junta.alcains@netvisao.pt; 'joao.carvalho@sm-castelobranco.pt'; sepna@gnr.pt; camara@cm-castelobranco.pt; geral@sm-castelobranco.pt

Assunto: Maus cheiros da estação elevatóra de esgotos de Alcains na av 12 de Novembro. SUGESTÂO

Frequentemente, sempre que a temperatura exterior, ambiente, se eleva um pouco, toda a zona envolvente à estação de bombagem, elevatória, de águas residuais, é inundada pelos maus cheiros provenientes da dita estação.


Vapores sulfídricos provenientes da fermentação das massas de esgotos residuais, que em exagerada quantidade em volume, ficam depositadas, fermentando por esta facto e concomitantemente exalando insuportáveis cheiros.
Esta situação, que ocorre com frequência torna insuportável a respiração dos moradores residentes na zona da central.


Sugiro:
1 - Que sejam accionadas as bombas não quando o poço está cheio, mas eventualmente a um terço do disparo actual das bombas.
2 - Sem ser especialista do assunto, empiricamente presumo que assim se poderia minorar a actual situação.
3 - Fico a aguardar que esta sugestão ou outra dos Serviços Técnicos das Águas do Centro resolvam a actual situação que afecta a qualidade ambiental do ar que por direito, inodoramente, temos o direito a respirar.

Melhores cumprimentos.


Manuel Peralta

RIBEIRA DA LÍRIA

DENÚNCIA DE CRIME AMBIENTAL.

Porque a situação tende a agravar-se, dou a conhecer as diligências que vou fazendo sobre a ribeira da Líria.
Sugiro que atentem no variado número de entidades que têm a ver com o tema, e que abaixo em cc: se referem.
Na verdade ninguem é responsável e só quem anda nisto, percebe melhor a situação a que “isto“ chegou.
Voltarei ao tema sempre que se justifique.

De: Manuel Peralta [mailto:manuel-r-peralta@sapo.pt]
Enviada: terça-feira, 4 de Outubro de 2011 15:13
Para: sepna@gnr.pt
Cc: 'info@draplvt.min-agricultura.pt'; 'igaot@igaot.pt'; 'alcindo@drapc.min-agricultura.pt'; 'drapc@drapc.min-agricultura.pt'; 'doai@drapc.min-agricultura.pt'; dga@dga.min.amb-pt; 'geral@min-agricultura.pt'; geral@sm-castelobranco.pt; 'geral@ersar.pt'; 'geral@arhtejo.pt'; 'nuno.lourenco@sm-castelobranco.pt'; 'nuno.maricat@sm-castelobranco.pt'; 'nirpc@drapc.min-agricultura.pt'; v.saraiva@aguasdocentro.pt; 'Claudia Leote'; 'amavel.santos@aguasdocentro.pt'; 'joao.carvalho@sm-castelobranco.pt'; camara@cm-castelobranco.pt; junta.alcains@netvisao.pt; julio.cruz@reconquista.pt; 'Nelson Mingacho'; 'Partido Ecologista "Os Verdes" "Os Verdes"'; joao.p.ben@gmail.com; 'celeste.capelo@gmail.com'; cmbpereira@netvisao.pt

Assunto: Denúncia pública de poluição.

Senhor Director Geral do SEPNA

1 - Mais uma vez venho denunciar o crime ambiental perpetrado esta manhã na martirizada Ribeira da Líria, que as fotos seguintes documentam.
Da responsabilidade dos Serviços Municipalizados de Castelo Branco, há uma fuga do colector dos efluentes domésticos não tratados e estes correm a céu aberto, na parte descoberta da Ribeira da Líria, em plena zona dita de Lazer, onde forma deitados à rua 350.000,00 euros dos contribuintes.


2 - As fotos seguintes dizem respeito ao poluidor mor da ribeira da Líria, denominado matadouro industrial OVIGER, onde, segundo os proprietários confinantes com a ribeira, esta manhã correu sangue claro no leito da referida ribeira.
As fotos, tiradas hoje pela manhã, mostram em plenitude como é possível que os serviços do ministério respectivo, tenham aceite a renovação da licença para poluir a ribeira, baseados em recolhas feitas pelo poluidor, presumo que sem qualquer controlo das entidades, tantas, que consomem os impostos dos contribuintes sem qualquer respeito.
Entidades inúteis? Pergunto.


3 - Pela comunicação social soube hoje que o Engº Pedro Serra se demitiu do cargo de Presidente das Águas de Portugal.
Foi esse senhor que avalizou com o Engº Sócrates, na data ministro do ambiente, e uma plêiade de autarcas no séquito, a maioria mudos, o desperdício dos dinheiros públicos num projecto cujos resultados estão à vista, na Ribeira da Líria, em plena Zona dita de Lazer.
Na altura o signatário com mais dois Alcainenses, de máscara na boca e nariz contra os maus cheiros, foram apelidados de palhaços por autarcas menores, moluscos políticos, abafados na gelatina dos seus interesses, quando se preparavam para fazer perguntas para esclarecer o projecto… os democratas partiram de imediato com o respectivo aparato de seguranças.
Eles partiram… deixaram esta herança aos Alcainenses.

Senhor Director Geral peço-lhe que não desista e que, me, ou nos ajude, a punir os responsáveis por esta calamidade.
O SEPNA/GNR que obrigou e bem os particulares a limparem os terrenos dos seus lotes, e em tempo recorde os particulares cumpriram e não puseram em causa a autoridade do SEPNA, perguntam hoje porque é que os autarcas desobedecem ao SEPNA e não cumprem a lei?
Pelos serviços que tem prestado não posso crer que o SEPNA tende a ser fraco com os fortes e forte com os fracos.
Por favor não me desiludam!!!!

Aguardo do Senhor Director Geral que a eficiência até aqui demonstrada seja nesta segunda fase transformada em eficácia.

Melhores cumprimentos

Manuel da Paixão Riscado Peralta
Av 12 de Novembro lote 8
6005-001 Alcains

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

LÊTCHA

SIMÃO LÊTCHA

Simão Barata

Filho de João José Barata, Ti João Grilo, ou Motchacha era ganhão no Frisemão, quinta da família Ulisses Pardal na Lousa.

O ti João Grilo era um homem baixo mas corpulento e sempre que me encontrava tinha de levar um grande apertão de partir costelas ao mesmo tempo que me desafiava para jogar com ele às quédas... eu era seu vizinho e, claro, uma criança.

Sua mãe, Emília Clara Barata, a ti Emília da Zebreira para as vizinhas, era uma mulher alegre, de prantos, que com três anos com os pais, rumou da Zebreira até Alcains visto que seu pai, avô do Simão, era na altura cantoneiro vindo para Alcains exercer esse mester.


A casa do Simão era das melhores casas para as caqueiradas, presumo que a chave nunca terá fechado a porta, dormia no trinco, e as escadas de madeira amplificavam em muito o som das braseiras velhas, dos penicos de resmalte, um ou outro bocal de candeeiro ou caqueiro que se apanhavam na galarissa do ribeiro do pinheiro, quando pelo carnaval se deitavam as caqueiradas.

O Simão nasceu em Alcains no dia 27 de Dezembro de 1944, benjamim de mais quatro irmãos, a Antónia, o Manuel, a Eliana que foi casada com o Zarelho, e o José Francisco, vulgo zéfcisco.

Este zéfcisco, seu irmão, tornou-se quando novo, um especialista na espreita sentado em batoréis...

Nem as catchópas muito menos as mulheres casadas podiam sequer mostrar o joelho ou artelho, e, nos patinhos e batoréis tinham de se recatar não fosse o fcisco espreitar...

Seus pais, criavam normalmente um ou dois marrantchos, tinham sempre um enorme pote de azeitonas, arteiras e sapateiras, e para surpresa minha na aloje do rés-do-chão, uns enormes arcazes repletos de feijão-frade, de trigo e milho que o Motchacha seu pai recebia de fôrra ou fórra.

Ali, no meio da semente, metiam muito verde melão para acabar de maturar, pois vinha verde do Frisemão.

Como toda a rapaziada da Unha Negra, foi na Tapada da Senhora que iniciou a dura escola da vida.


Como era novo e as dificuldades dos pais também não lhe permitiam comprar ferramenta, trabalhava com canêlos, pelo que nas pedreiras era sempre dos primeiros a ser despedido.

No entanto, ali, no seu pavilhão gimnodesportivo, na Tapada da Senhora juntamente com o Manuel Galante, o Balhinhas, o Reguinga, o Manuel Barrigana, e o Malha Preta era depois de um dia de trabalho um verdadeiro artista.

Um galgo nas corridas, um John Waine com as pistolas, um Elvis Presley na dança, e um exímio “danseur” de twist frente à taberna do Ti Domingos, tornaram o Simão num verdadeiro artista da rádio tv e disco, e da cassete pirata.

Nos jogos, nas corridas, no ferro quente, e nas bulhas de canalha, por ser muito rápido, alcunharam-no de flêtcha, (flecha).

Mas como naquele tempo ainda não havia Novas Oportunidades, e um problema de dislexia não tratado em moço que tinha muita dificuldade a pronunciar o F, começou a chamar-lhe “Lêtcha”, Smã Lêtcha.


A partir daí passou a ser conhecido por Smã Lêtcha, e diz que gostava que Deus lhe desse vida e saúde para que, daqui a cinquenta anos, ainda lhe chamassem Smã Lêtcha.

Após a quarta classe, o Simão também não escapou à regra e, aos onze anos, lá foi a caminho das pedreiras. Começou por ser aguadeiro, e passado algum tempo começou a aprendizagem de canteiro com o Ti Zé Pires.

Mais tarde também trabalhou com os Ti António Valadeiro, Ti António Bento e por fim com o Ti Zé Escudeiro (marido da Manuela do Ti Domingos) até que foi para a tropa.

Com o ti Zé Escudeiro, em Reguengos de Monsaraz aconteceu-lhe a pior aventura da sua vida.

Naquela época, segundo ele, vestia à tédiboy: blusão, calça justinha à perna, botas à mexicana, um chapéu enterrado até ás orelhas, cabelo grande e um senhor bigode.


Quando passeava pelas ruas de Reguengos, as mulherzinhas por ele vestir assim, temiam-no e ficavam sempre a cochichar quando o viam. Por vezes, olhava para trás e apercebia-se que estavam a falar de dele.

Um dia alguém assaltou uma casa em Reguengos, e, as mulheres, logo pensaram que fosse o tediboy e chamaram a GNR.

Estava o Simão num café com o Zé Pichorro e outros canteiros de Alcains que ali trabalhavam, quando a GNR o abordou.

Ao pedirem-lhe a identificação, a sua rapidez mais uma vez o traiu... ao meter a mão ao bolso para tirar a carteira com os documentos, os GNR pensaram que ia tirar a pistola deram-lhe logo voz de prisão.


Ao ter conhecimento do que aconteceu, o Ti Zé Escudeiro que era muito conhecido e respeitado em Reguengos, foi ao posto e conseguiu inocentá-lo mas, para susto chegou.

Nos anos sessenta o Simão era o rei do ROCK e do TWIST em Alcains e não só.
Agora uma valsa, um tanguinho, já o satisfaz, mas não esqueceu os tempos em que punha toda a malta a dançar, ao cantar o seu “inglês alêtchado” e a bater palmas.

Se os paralelos em frente da venda do Ti Domingos falassem, muito teriam que contar.

Mesmo sem nenhum instrumento musical, o Smã Lêtcha igualava os Beatles.
Desses tempos recorda aquando duma descasca, (descamisada) na ti Maria da Silva, ao começar com o seu repertório e toda a mocidade começou a dançar e a bater palmas, uma senhora já com uma certa idade, começou a criticar a nossa dança mas, também não resistiu à tentação.

Arregaçou a saia até aos joelhos salta para o meio de nós a dançar e, acabou por cair de cu de cansaço... toda a gente apladiu.

A guerra colonial também levou o Simão até Moçambique, (Nampula), onde permaneceu três anos. Foi aí que numa época de Natal apareceu por lá um fotógrafo, e como não tinha roupa adequada emprestaram-lhe um fato, camisa e gravata para tirar uma fotografia.

Foto tirada em Nampula e fez grande sensação quando enviou à família

No início dos anos 70 emigrou para França onde esteve cinco anos sem vir a Portugal, exercendo durante este tempo a profissão de motorista de pesados.

De regresso a Portugal casou com Maria da Piedade Valente (falecida).

Voltou novamente para França juntamente com a sua esposa, e começou a exercer a sua antiga profissão de canteiro, na restauração de monumentos e edifícios históricos.

Actividade que mais tarde exerceu por sua conta até à idade da reforma.

Sua esposa, Piedade, “costureira” também trabalhou por conta própria em França onde chegou a ter algumas empregadas.

Mas o Simão tem outras histórias, hoje, quando ia à sua maison para recolher estes elementos e não o encontrava, perguntei a dois amigos que se encontravam frente ao café do Ti Domingos na praça, se o tinham visto.

Contaram logo, que em tempos, em Gonçalbocas, perto da Guarda, passou a ser enfermeiro quando tentava encantar uma professora, que por ali andava.

Fui durante a minha juventude vizinho do Simão e da sua família.

Apesar de mais velho não me lembro de cascar na canalha, era muito brincalhão e era o animador da rua...

Este texto foi escrito a duas mãos, o Manuel Geada, actualmente seu vizinho que fez a recolha, e eu que acabei por ajudar com as lembranças de rua quando o Simão era um vizinho de quem guardo boas recordações.

Manuel Geada
Manuel Peralta

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

CABO VERDE

ILHA DE S. VICENTE – MINDELO

DSFOM – Direcção Serviços Funcionários Obras Militares

Reuniu-se dia 24 de Setembro de 2011, em Belmonte, o Pelotão de Engenharia da DSFOM, que de 1973 a 1974 cumpriu a missão militar à Pátria, nas ilha de S. Vicente, na linda cidade do Mindelo.
…em nhós terra, com morabesa e pé na tchon, Cabo Verde…


O quartel que acima a foto reproduz, é o lugar que serviu de casa a um grupo de 30 a 40 militares, que durante cerca de 18 meses e em rendição individual, ali cumpriram a solidão da ausência de amigos e familiares, ali desesperadamente contaram cada dia, na esperança de um regresso à desejada e então designada Metrópole.


A solidão e a ausência da família era minorada com os aerogramas do SPM-0077, e com as futeboladas em campo de futebol cuja relva era calçada portuguesa, com balizas de trave e postes feitas pelos carpinteiros e redes pelos pescadores em que mais tarde, um ou outro, rumou qual novo emigrante, ao Canadá.
Por vezes, e, porque o pré de soldado mal dava para coçar a carapinha, lá se ia jantar ao restaurante do Bana, sim o Bana que viria a ter projecção musical a nível nacional, e que lá actuava para os clientes.
A foto supra reproduz precisamente um desses convívios.


No dia da arma de Engenharia, com um grande almoço na praia da Baía das Gatas, uma enseada lindíssima onde se observa o Monte Cara, comemorou-se em excelente convívio de cerca de 40 militares, o já referido dia da Arma e que a foto, infelizmente a preto e branco, reproduz.
Quando em serviço da Portugal Telecom estive em Cabo Verde, fui várias vezes à linda cidade do Mindelo.
Os edifícios da época colonial bem conservados, uma praça central bem arranjada com um coreto de música que faz lembrar os de muitas vilas de Portugal, uma vida cultural bastante intensa, o festival anual da Baía das Gatas, o carnaval do Mindelo, enfim uma série de eventos que em muito rivalizam com a capital cidade da Praia.
As rivalidades sentidas em Portugal entre Lisboa e Porto, são em tudo muito semelhantes às existentes entre Praia e Mindelo, foi o que observei entre os Caboverdeanos de ambos os lados, nos cerca de dois anos que por ali trabalhei.


As fotos e estas recordações pertencem ao Domingos Farias Bispo, um na altura carpinteiro Alcainense que, para Cabo Verde foi mobilizado.
Trabalhava na arte fazendo carpintarias para as câmaras frigoríficas da Intendência, na construção da messe de Sargentos, com outros colegas que calcetavam estradas, e que com cerca de 50 civis caboverdeanos contratados pelo exército, ajudavam a desenvolver a sua terra.
Os milícias do recrutamento local e que também cumpriam o serviço militar, eram normalmente escriturários.
Refere no entanto o Domingos Bispo, que tinha um ajudante Caboverdeano a quem ensinou a arte de carpinteiro, de nome Manuel Almeida, e que nunca mais viu.
Na foto acima e contando da esquerda para a direita e de pé, é o Caboverdeano, bastante jovem, que está de pé.
Refere que, quase não há dia em que não se lembre dele…por onde andará? Também o Manuel Almeida se lembrará do Domingos, pergunto agora eu?


O Domingos que recorda o caminho de cabras para ter acesso à praia denominada de João Évora, e onde com os colegas apanhavam os excelentes percebes, as lapas, os búzios e os caranguejos que por ali abundavam, pretende que através do Terra dos Cães, se dê conhecimento aos que ali prestaram serviço e não se conhece o seu paradeiro, entrem em contacto com ele, para os telefones 272 906 821, e 969 345 994.
Ponho é claro o blog e o meu email à disposição para ajudar a aproximar amigos que se abraçam quando se reencontram.
Aproximar, estar disponível para a amizade são valores perenes do Terra (deles, a) dos Cães, a nossa…

Manuel Peralta

Nota: Enquato escrevia este texto tive a notícia de que a Grande Cesária Évora decidiu por fim à sua carreira artística. Foi operada ao coração recentemente em França.

Segunda Nota: Com o envio de abraço amigo, o ilustre Alcainense, General Frutuoso Pires Mateus ao ler este post, informou-me que no período de Maio de 1967 a Maio de 1969, foi o Comandante da Engenharia e Chefe da D.S.F.O.M. – Direcção do Serviço de Fortificações e Obras Militares – do Comando Territorial de Cabo Verde.


Convívio dos militares da DSFOM de 2010

Num BEM-HAJAM tipicamente Beirão, militarmente acamaradado pela notícia e fotos do local que bem conhece, pede para informar o Domingos Bispo, nosso conterrâneo, que ia remeter email ao Sr. Coronel Sá Viana Rebelo que foi o comandante do Domingos Bispo, para lhe dar conhecimento desta notícia do Terra deles…
Já cumpri a deprecada do Senhor General Frutuoso Mateus, e o Domingos Bispo informou-me que para o ano lhe cabe a ele, Domingos Bispo, organizar o Convívio destes camaradas militares, nos fins de Setembro de 2012 em Alcains.
Cá os espera.

Manuel Peralta