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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

RIBEIRA DA LÍRIA

A luta continua...

De: Manuel Peralta [mailto:manuel-r-peralta@sapo.pt]
Enviada: quinta-feira, 8 de Setembro de 2011 17:35
Para: sepna@gnr.pt
Cc: 'igaot@igaot.pt'; 'info@draplvt.min-agricultura.pt'; 'irar@geral.irar.pt'; 'joao.carvalho@sm-castelobranco.pt'; junta.alcains@netvisao.pt; geral@sm-castelobranco.pt; 'geral@arhtejo.pt'; 'geral@ersar.pt'; dga@dga.min.amb-pt; camara@cm-castelobranco.pt; v.saraiva@aguasdocentro.pt; 'nuno.maricat@sm-castelobranco.pt'; 'nuno.lourenco@sm-castelobranco.pt'
Assunto: Ribeira da Líria. Alcains, Freguesia do Concelho de Castelo Branco.


As fotos deste email dão a imagem real da situação em que se encontra a Ribeira da Líria em Alcains.
Passou-se o mês de Agosto em que o pequeno caudal que correu na ribeira era razoavelmente limpo.
Mas, desde o princípio desta semana que deverá ter ocorrido novo entupimento na rede de esgotos domésticos, da responsabilidade dos Serviços Municipalizados de Castelo Branco, que transbordou dos colectores para a ribeira.


Observa-se na saída da ribeira junto à casa de móveis Esteves, do grupo Aquinos, o corrimento de esgoto doméstico claro.
Por outro lado e após contacto com a autarquia local na pessoa do seu Presidente, este mostra o seu desespero pela incapacidade em meios materiais e humanos da autarquia, para proceder à desmatação, limpeza da referida ribeira, que as fotos bem documentam.
O ano passado a ribeira não foi limpa e a probabilidade de inundações é elevada se um regime mais elevado de chuva ocorrer.


As Águas do Centro têm mantido um nível de serviço na estação elevatória a caminhar para o esperado… nota-se no entanto com as temperaturas mais elevadas um cheiro insuportável em toda a zona dita de Lazer.
Aguarda-se conforme carta em meu poder por solução definitiva para o problema, conforme ali se descrevia.
Mantenho no entanto que noventa por cento da poluição da ribeira é ocasionada pela OVIGER, que ao que se conhece nada tem feito para resolver a situação.
A licença que a Oviger possui para poluir a ribeira, termina em Janeiro do próximo ano.Aguardo que a renovação da licença se faça apenas na condição da proibição da Oviger poluir a Ribeira da Líria.


Dirijo-me ao Sr. Presidente do SEPNA para que à semelhança de anos anteriores, promova o necessário junta das entidades respectivas para que estas questões sejam solucionadas, nomeadamente a limpeza, desmatação da ribeira bem como a questão Oviger.
Muito obrigado

Manuel Peralta

Vejam por favor a foto que se segue.


Ver igualmente a lista de entidades a quem venho colocando esta questão.

RAFEIRO DE PRATA

Lá diz o ditado popular... não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe... e, desta vez, temporariamente, algum mal, muito mal digo eu, está a acabar.
Então não é que, pela primeira vez, pelo menos nos últimos oito anos, que a autarquia local, Junta da Freguesia, decidiu e bem, remediar o mal que vem há vários anos causando aos moradores da denominada Zona de Lazer, contígua à Avenida 12 de Novembro de 1971, data em que se deixou de ser a Maior Aldeia de Portugal, para passar a ser uma Vila, hoje, de futuro incerto, deprimida, queixosa e mal tratada pelos poderosos citadinos supra municipais...


As sargetas estão a ser pela primeira vez desassoreadas, com levantamento das grelhas e limpas de folhas, plásticos e terra, terra, muita terra.


As frondosas tílias, as ameixeiras de vista, os plátanos da avenida que por incúria não foram podados, estão a ser devidamente tratados, com poda de ramos de acesso fácil aos vândalos do costume.


A calçada raspada de ervas daninhas, as folhas secas varridas e até prometem que vão rectificar o estado de minas gerais que são os passeios, repletos de buracos, poças que se enchem de água sempre que alguma, infelizmente pouca, chuva cai.


Limparam muito bem, como se vê pela foto, a barroca que atravessa toda a zona de lazer, prometem repor as guardas de protecção, repor a calceta em falta, eventualmente dar tratamento capaz ao mobiliário urbano existente, mesas e bancos, repor os dois fontenários em serviço, calcetar o passeio do lado dos plátanos, promessa de Presidente com dois anos e ainda não cumprida, papeleiras do lixo, etc, etc, etc...


O trabalho não está acabado, mas, como se pode observar pela foto, já o espaço começa a ser utilizado.
É certo que ao lado a Ribeira da Líria está no caos do costume, mas... lá iremos.
Pelo que se está a fazer, e bem, pelo que se promete que ainda vão fazer, é merecida a atribuição de um Rafeiro de Prata aos responsáveis pelos trabalhos em curso.

Manuel Peralta

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Festas de Alcains

Festas do Verão

Festa de Santo António

Quando o ano passado, para o Terra dos Cães, fiz um trabalho sobre o Ti João Moleiro, relativo à sua arte de canteiro, e enquanto me mostrava de dentro de um arcaz embrulhadas em papel de jornal, as suas obras de arte em cantaria, deparo com um programa das festas de Santo António, realizadas em 1961.
Mil novecentos e sessenta e um, relembro para os menos atentos, foi o ano em que, em Angola, rebentou a guerra colonial, e em que, o Presidente do Conselho de Ministros de então, Dr. Oliveira Salazar terá dito esta frase que ficou célebre... ”para Angola, rapidamente e em força“.
Voltando ao documento refiro que a pedido meu, o ti João Moleiro acabou por me o oferecer.
Por se tratar de documento que presumo único, em muito bom estado de conservação, com meio século de existência, e por retratar de forma excepcional como eram as festas de Alcains, não resisti a digitalizar tal documento, e para a posteridade dar-lhe vida aqui no Terra deles...
Sendo ainda mais rigoroso, não se trata de um programa habitual inserido apenas numa folha de formato A5, mas mais propriamente de um livro, plaquete, de capa, contracapa e oito folhas interiores com publicidade e programa das festas ao centro.


A capa que acima se reproduz, trata-se de um trabalho de linóleista, em linóleo, uma placa de material que manualmente recortado permitia a impressão em equipamento gráfico e a respectiva reprodução.
Mais sofisticado que a “Janela“ do 5 de Outubro, com o Lafrau à tabela...
O linóleista foi na altura o António Alves, da Tipografia Artis Alves, tipografia que era de seu pai, um tipo porreiro, localizada então ao fundo do lado direito de quem desce a avenida da praça de Castelo branco.
Hoje o António Alves é um jornalista do Povo da Beira e de uma das rádio locais do concelho.
O desenho, lindo desenho diga-se em abono da verdade, representou durante muitos anos a actividade principal de Alcains, numa junção feliz, e que perdurou até que a autarquia presidida pelo Engº Rogério Martins apresentou a bandeira que hoje, e bem, representa Alcains.


Delicioso é todo o texto da página supra, bem esgalhado, muito bem adjectivado, e de um apelo à união de todos, para que a MAIOR ALDEIA DE PORTUGAL tivesse, no presente e no futuro, as maiores festas de todas as aldeias de PORTUGAL.
Muito denodado e acrisolado BAIRRISMO...


Porque se trata de uma plaquete, a comissão de festas de então recolheu publicidade das principais actividades, empresários e empresas que existiam em Alcains em 1961.
Compilando as actividades inscritas no programa apurei o seguinte:



Duas fábricas de moagem, Branca de Neve e Sicel, a Metalurgia Isidros, oito empreiteiros, dezassete actividades comerciais onde se incluem entre outros, sapatarias, alfaiatarias, venda de máquinas..., uma barbearia, dois cafés, duas oficinas de automóveis, uma actividade de serviços, uma chapelaria, duas carpintarias, uma caldeiraria, uma casa de fotografia com representação em Alcains, uma farmácia, duas padarias e uma oficina de pirotecnia.


Com algum esforço de visão e clicando sobre as fotos para as ampliar, podem deliciar-se com nomes de casas e pessoas que connosco se cruzaram, a quem comprámos ou vendemos algo, que nos deram boleia, e que com todos conviveram.


Desta página presumo que apenas o Sr. Manuel de Oliveira Ramos é vivo, e, observem as frases de um despertar comercial, muito incipiente ainda mas em que se procurava a diferenciação nos modos de vender cada um o seu produto.


Nesta página é bom de observar que ambos os empresários, pagaram meia página cada, decerto mais cara, resultado evidente de maior desafogo financeiro, ou tambem de maior vontade de ajudar a comissão das festas.
Não posso deixar de relevar o Sr. José Marques Rafael, alfaiates diplomados, e de que tantas e lindas histórias se contam daquela personalidade ímpar naqueles tempos... mas isto fica para futuros comentários dos leitores e seguidores deste blogue.




Quem atentamente ler este programa das festas, decerto não ficará indiferente.
Quem não viveu o que aqui se reproduz?
Os nomes, os conjuntos, o arraial, um simpático grupo de meninas da localidade, enfim toda uma organização que, anualmente, esforçados festeiros punham de pé.


De referir o logótipo do Sr. António Lopes Crujeiro Galvão, dois cães a tentar esfarrapar um chapéu, honrando claro a sua terra...


A Sicel de tempos áureos, exportadora... hoje em acelerado estado de degradação, fechada.


Dizia o Ti Chico Preto que o nosso lar será cem vezes mais atraente, se nele estiverem as suas mobílias... dos restantes da página, já todos faleceram.


Quem não se lembra do Sr. João Baptista, da Casa do Povo, do ciclismo... e do Simão Trindade Vicente que introduzia o tema, de pagamento a prestações, eventualmente uma inovação na época?


E do Sr. Soares da Farmácia Nacional, que pregava partidas de carnaval frente à farmácia, colando no alcatrão moedas de cinco escudos, que as pessoas tentavam arrancar...


E do Sr. Joaquim Teixeira, que tão bem tocava violino, acompanhando nos teatros as operetas e as variedades na Casa do Povo?
E do Sr. Henrique Caniça que se encarregava de todos os trabalhos, mesmo os mais difíceis?



Passar por estas fotos, por este programa, passa-se um pouco pelo Alcains de há cinquenta anos...

A comissão das festas que nos dias 22, 23 e 24 de Julho de 1961 as realizou era a seguinte:

João José Baptista
Porfírio Isidro Almeida
Helder José Marques Rafael
José da Cruz Soares
João Farias Baltazar
José Lopes Escudeiro
Francisco António Maguejo
Adriano Barata

Tinha eu nessa data quase 12 anos, decerto por lá andei.
Guardo da festa de Santo António excelentes recordações, do ciclismo, dos bailes, dos passeios pelo arraial, do fogo preso, das bulhas, do jogo da vermelhinha, dos arremessos com bola de pano às latas, das barraquinhas de tiro, dos tendeiros que ao fim da noite se iluminavam a gasómetro, das orquestras que com aqueles instrumentos de sopro entoavam os boleros, o tchá-tchá-tchá, os tangos e as valsas em ritmos sul americanos.

Agora, é a festa da malta da tropa, da malta do pavilhão, a onomástica, a da malta que foi à inspecção no mesmo ano, das esposas que nasceram no mesmo ano quando acompanhadas pelos cônjuges, a festa da gente que nasceu na mesma rua, um baptizado aqui, um casamento acolá... tanto festejo que quase morro... mas lá diz o meu pai, “não pode a cadela com tanto cachorro“.

Manuel Peralta

quinta-feira, 28 de julho de 2011

GDA – GLÓRIAS DOUTROS TEMPOS

TPF – TRABALHOS PARA FÉRIAS

O descobridor mor do reino, Manuel Geada, decidiu presentear-nos com as relíquias seguintes.

Inauguração do primeiro campo de futebol, na tapada do Ti Júlio.

A equipa, convidada de honra para a dita inauguração, foi o Escalos de Cima que acabou por vencer o desafio, ganhando por 1-0.
Havia foguetes para celebrar a quase certa vitória, mas… o GDA teve de meter viola e foguetes no saco. De pé e não deitados, assim ficaram os foguetes.

Equipa do GDA, com camisola verde e vermelha e calção branco.

TPF – Trabalho para férias
Por em comentário e por foto, os nomes dos desportistas e dirigentes de ambas as fotos.
Agradeço ao Manuel Geada mais este contributo, ao Terra dos Cães.

Manuel Peralta

domingo, 24 de julho de 2011

INSPECÇÃO MILITAR

“...e para beber,
não há manias.
Torna-se a encher,
na taberna do Tobias...“

...o garrafão, claro.
Assim diziam estrofes da cantiga que, a malta nascida em 1949, acompanhada de três acordeonistas, cantava pelas ruas de Alcains, quando da sua inspecção militar.


Era uma semana de festa, de borga, de folia... um dia para a ribeira, outro para a inspecção, outro para levantar guia.
Iam uns de 19 para 20, se tivessem nascido de Janeiro a Junho e, outros de 20 para 21, se nascessem de Julho a Dezembro.
Mas antes, meses antes, e no ano anterior à ida à inspecção tinham a responsabilidade de fazer a fogueira de Natal.


Era ali o primeiro encontro, depois da escola em que todos se juntavam, já homens feitos com as virtudes e os defeitos...
Naquele tempo era tudo feito à mão... assim me dizia a memória do Domingos Farias Bispo, também ele nascido em 1949, ciclista quase todo o ano e que corria muito mais que o Massano...
Não havia motosseras, trabalhava-se a machado no corte de carvalhos e a vinho, algum pão e latas de atum.
Em carros de bois e muito excepcionalmente de tractor, transportavam o enormes madeiros que aqueciam fiéis, em portas, camarinhas, patinhos e batoréis.


...entretanto, nos meses anteriores ao dia da inspecção, 24 de Junho, subindo a varandas e terraços como ases, às namoradas, roubavam vasos...
Na véspera do dia da inspecção, começava a higiene com banho na ribeira da Ocreza, na Ponte Pedrinha, pois tinha-se abandonado o Laréco, bastante cedo, por lá se ter afogado um mancebo.


Iam a pé.
As bicicletas eram luxo.
Automóveis dois ou três em Alcains.
Acompanhados pelos acordeonistas e de toalha ao pescoço, cantavam a marcha da inspecção que o acordeonista principal havia composto com a respectiva letra.
Uns em cuecas, outros já de calção assim saltavam ou davam cambalhota... e assim saía eventual badalhoca.


De tarde, agora de táxi, iam para Castelo Branco levantar a guia... de marcha... sempre acompanhados pelos acordeonistas e de voz afinada e pandeireta na mão, davam largas à sua euforia, dançando e cantando de acordo com a idade pelas ruas da cidade.


Regressavam a Alcains, de guia na mão, dando de táxi voltas pelas ruas em ruído semi infernal de buzinas, pandeiretas e vozes atreitas.
No dia da inspecção, 24 de Junho, levantavam-se cedo pois a tarefa começava com o transporte dos vasos para o adro da igreja Matriz.
Entretanto e agora já de fato e sapatos novos, davam uma volta ao adro com os acordeonistas, entravam nos táxi e de vidros abertos acenando a amigos e familiares, partiam par a inspecção.
Por cá, no adro, era agora tempo de recuperar os vasos...


A inspecção militar decorria no quartel de Caçadores, hoje transformado em prisão, e consistia no seguinte.
Uma Junta médica militar observava os mancebos que, nus e em fila eram inspeccionados.
Peso, altura, maleitas ou doença, com observação da ferramenta.
Tiravam então “a sorte“.
O meu avô materno, Manuel da Paixão, que nasceu em 1893 dizia-me que tinha ido “às sortes“... queria dizer inspecção militar.
A sorte consistia em tirar de uma bolsa, um número que era o número mecanográfico e que nos identificava no serviço militar.


Perguntado ao mancebo a sua profissão, poderia por vezes vir a ser a especialidade na tropa. Dali se regressava de fita vermelha se apurado, de fita verde se esperado e de fita branca se livre.
Nesse dia almoçava-se em Castelo Branco regressando-se de táxi a Alcains onde se dava volta pelas ruas, com os acordeonistas, de pandeireta e fita na camisa, por vezes no chapéu ou até na bainha das calças para os que tendo ficado livres, ficavam livres de passear por todo o lado. Claro à frente sempre o garrafão, o palhinhas, de duas asas onde pegavam dois rapazes mais novos que serviam vinho aos que o bebiam.
Acertava-se ainda o dia do jantar da malta da inspecção, e marcava-se para o domingo seguinte o Baile da malta da inspecção.


Nesse ano, o baile foi na Casa do Povo, abrilhantado pelo então famoso conjunto os KAKOS de Vila Franca de Xira.
A partir de Janeiro do ano seguinte ia-se então para a tropa, numa das quatro chamadas trimestrais, a que correspondiam os quatro turnos de incorporação militar.
Assentar praça, recruta, especialidade, colocação em unidade e mobilizado para o Ultramar...


De memória cito uma cantiga da inspecção militar de 1959.
Era assim:

Chegou,
o dia,
da nossa inspecção.
A nossa alegria,
é o garrafão.

Nós vimos,
dizer,
A todos cá do fundo.
Que a nossa,
inspecção,
é a melhor do mundo.

Venha de lá o garrafão,
para que toda a gente prove.
O vinho da inspecção,
de 1959...

Lá, lá, lá... lá, lá, lá...

Pandeireta, acordeão, fita, vinho, garrafão, era assim a festa da inspecção.

Manuel Peralta