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terça-feira, 5 de julho de 2011

Figos Lampos

Cedo chegaram...
Este ano por aqui, excelentes.
Escorregavam pela garganta sem passar pelos dentes.


Esverdeados, avermelhados, ensolarados, rogados, alguns bem gretados...


Em manhã fria, pela humidade inchado e colhido em manhã estreita, abre grêta... são os melhores... deleitam suores...


Por pardal ou estorninho provado, picado, em águas furtadas colhido, são um castigo.
Escanções da fruta, estorninhos e pardais pontuam a qualidade, podemos comer à vontade.
Mas, se não houver atenção, não há figo há cascarão...


Mal colhido, de pé torcido, pele dilacerada, rasgada, colhido em quintal, muito bom mas sem valor comercial.


Para quem passava figo,
Arrastando muitos trastes.
Ofereço estes três figos,
Ao meu amigo Zé Vasques.


Manuel Peralta

segunda-feira, 4 de julho de 2011

ONZE ÉPOCAS DESPORTIVAS NO CDA

José Maria Teodoro

Remonta à época desportiva de 1986/87, então como seccionista do futebol sénior, com o CDA na terceira divisão nacional, o início da participação do Zé Maria nas actividades da gestão desportiva.
É claro que o bichinho já por lá andava pois já tinha sido atleta do CDA, conforme a foto abaixo, então ainda com muito cabelo, reproduz.


Ainda como seccionista e na época seguinte, 87/88, desce o CDA para o campeonato distrital.
Naqueles tempos ainda havia o princípio de que, quando alguém participava na gestão de uma actividade tinha de a deixar melhor do que a tinha encontrado... portanto, entregar o CDA sem ser na terceira divisão, não lhe passava pela cabeça, muito menos à direcção então presidida por Mário Minhós.
Arranca a época 88/89, então já como chefe do departamento de futebol, num campeonato distrital muito competitivo, pois no ano anterior, tinham descido quatro equipas do distrito.
Subiu o CDA à terceira divisão, foi campeão distrital e vencedor da taça de honra da Associação de Futebol de Castelo Branco, ver foto abaixo com o campo de futebol ainda não relvado.


A direcção de grande qualidade e de grande união que nem sempre é fácil conseguir, festeja com champanhe a época de oiro de então, acompanhada de seccionistas e amigos do CDA que ajudaram.


Na época de 1990/1991 então com o Antero dos Reis da Anunciação como presidente, disputa o CDA sempre com o credo na boca a terceira divisão e também não se desceu.
Já com o Horácio Serrasqueiro em presidente do CDA, na época 91/92, e com a perspectiva do presidente de se arranjar uma direcção que fosse capaz de manter o CDA sem o credo na boca, um CDA tranquilo a não depender de azares dos outros, foi decidido contratar um bom treinador e, em primeira opção, falou-se com o Miguel Quaresma, actualmente adjunto do Jorge Jesus e que na altura treinava os juniores do Estrela da Amadora.
Perante a indisponibilidade deste, indicou então o Valter Costa que tinha sido seu colega quando jogadores.
No seu dizer, fizeram-se então épocas desportivas muito boas e nesse ano ficou o CDA, num excelente quarto lugar, o melhor lugar até então na terceira divisão nacional.
A foto mostra a equipa que consegui tal desiderato, tal feito.


Para memória futura e porque me parece de referir, guardar e manter para não esquecer, a foto seguinte mostra a equipa do departamento de futebol que conseguiu tal feito.


João Lucas, Zé Maria, Joaquim Pio, Joaquim Pequenão (falecido), José Ricardo, Zé Manel, João Roxo, Conhé e Joaquim Soares (falecido).
Merecem aqui referência especial os Joaquins Pequenão e Soares, entretanto falecidos, formiguinhas, adeptos discretos mas maiores do CDA, que tanto ajudaram sem nada receber e tudo dando em troca.
Há uma dívida ainda não vencida de gratidão do CDA e da Autarquia a saldar com estes dois excelentes Alcainenses...pelo seu trabalho e dedicação ao seu clube e concomitantemente à nossa terra.

Na época 1993/1994, uma comissão administrativa, liderada pelo José Manuel Sanches e pelo António Clemente entre outros, atingiu o CDA o seu melhor lugar de sempre, subindo à segunda divisão nacional.

Por ali se manteve o Zé Maria nas épocas de 94, 95, 96,97, e 1998, com altos e baixos, com persistentes e continuadas falta de elementos para a direcção e com muitas comissões administrativas.
A época 98/99 na terceira divisão, deixou um saldo financeiro bastante negativo aos que ficaram, ao contrário do que vinha sendo hábito no CDA.
Preside então o José Maria Teodoro à direcção nas épocas de 1999 a 2001.
Herdou o maior passivo até então registado nas contas do CDA.
Apesar disso, diminuíram o passivo para metade e o CDA subiu de novo à segunda divisão B. Foi um ano de grandes resultados.
Assembleias eleitorais de novas direcções continuavam desertas, e como pessoalmente tinha assumido na CGD um compromisso de pagar a todos os jogadores aquilo a que tinham direito, teve de continuar mais um ano à frente dos destinos do CDA.
Com a esclarecida ajuda do Carlos Aleluia que tanto o ajudou nesse ano difícil, mantêm o CDA na segunda B, e, milagre dos milagres, deixam um saldo positivo nas depauperadas contas do clube.
Recorda que, nesses anos, se fez também um excelente trabalho no futebol de formação, agora praticamente inexistente.
Naqueles tempos mais de metade dos atletas eram oriundos da formação do clube, gente da terra e terras vizinhas que representaram o CDA.
Onze anos de vida activa ao serviço do CDA, continua ainda no dirigismo desportivo como Presidente do Conselho Técnico da Associação de Futebol de Castelo Branco.
Pelo currícula desportivo aqui apresentado o Zé Maria é merecedor de ser mostrado aqui no Terra deles que é a nossa... é o que faço com prazer.
A seu tempo e intermediando futebol com outras actividades, trarei ao Terra dos Cães, outros testemunhos e outras gentes que são merecedoras de igual referência em trabalhar para o CDA.
Peço que, se quem nos lê tiver fotos sobre as épocas que aqui referi, que mas envie para dar nota das gentes que enalteceram o nome de Alcains.

Manuel Peralta

domingo, 26 de junho de 2011

General Ramalho Eanes

Um Alcainense Presidente da República
Há cerca de trinta e cinco anos, o Presidente da República era um dos nossos.

Estou a escrever a 19, e foi a 27 de Junho de 1976, que o alcainense António Ramalho Eanes, era eleito, à 1ª volta, com 61,6% dos votos, para a mais elevada magistratura do estado – a Presidência da República.
Nascido a 25 Jan. de 1935 em Alcains, é filho de Manuel dos Santos Eanes e de Maria do Rosário Ramalho, ambos já falecidos.
Do que foi o seu percurso escolar e militar está a NET repleta. Vamos abordar o tema da sua eleição, numa perspectiva alcainense, de como os alcainenses (re)descobriram, naquele militar de ar sisudo, o homem sensato, que em 25 de Novembro de 75, teve um papel fulcral nas operações militares, que se mal planeadas, poderiam ter conduzido o país à Guerra Civil. Que esteve muito perto!
Disciplinando os quartéis, os portugueses depressa entenderam, que por detrás daquele militar de perfil austero, que falava com um sotaque característico, adicionando um “e” a muitas das suas palavras, uma característica do sotaque “alcainês”, o Homem certo para a Presidência da República.


As principais forças partidárias iriam atrás, e Eanes tinha à partida a sua eleição praticamente garantida. Em Alcains, um núcleo, em que avultavam os nomes de José Reis Dias, Helder Rafael, colega de Escola Primária de Eanes, o então ainda Ten. Cor. Frutuoso Mateus, e eu próprio, recolhemos assinaturas que foram incluídas no processo de candidatura, recolhemos fundos e fomos um núcleo imune às tricas que o PS, o PPD e o CDS armavam entre si, a nível concelhio, sempre que era necessário fazer algo em conjunto.
Por isso resolvemos e bem, correr por fora.
Eanes quis vincar a sua ligação à terra em que nascera e às suas gentes e resolveu iniciar por aqui a campanha eleitoral. No Largo de Santo António, da varanda do edifício dos CTT, sob um sol que queimava, com algumas centenas de alcainenses e de terras vizinhas, Eanes foi por mim saudado e apresentou-se às gentes da sua terra.
Sóbrio, e vincando bem as suas palavras, disse ao que vinha, e aquilo que ambicionava para os portugueses, a quem queria dar como exemplo de trabalho, a sua Terra, os seus pais, os seus amigos, os seus conterrâneos.
Nesse dia o percurso era pela Lousa, onde o esperava Vasco Lourenço, e ainda se cantava o Hino Nacional de braço no ar, Idanha-a-Nova, outro banho de multidão e comício ao final da tarde em Castelo Branco.
E a campanha foi um percurso relativamente calmo, em que apenas no Alentejo, creio que em Beja, com apoiantes de Otelo, houve tiros, documentando os jornais, a figura de Eanes, de pé creio que no capô de um carro, num acto de coragem, demonstrando que não havia lugar para medo.


Em Alcains pintaram-se umas faixas e nas povoações vizinhas teremos colado uns cartazes, coisa pouca. Recordo o infausto Nuno Jorge, que colaborou nessas tarefas.
Deste modo a sua eleição em 27 de Junho, com os resultados a serem conhecidos noite dentro, foi absolutamente natural. E alguns jornais que deslocaram ainda nessa noite, algumas equipas de reportagem, esperando encontrar uma Vila em festa, deparavam na noite quente, com uma acalmia total.
O núcleo local fizera o seu trabalho e o candidato triunfara como era esperado.
A festa fez-se no dia a seguir, com a Banda Filarmónica do Louriçal, que deu umas voltas pela Vila, com estralejar de foguetes e uma caravana automóvel, que foi saudar a família mais próxima de Eanes, que residia numa transversal da Avª Nuno Álvares em Castelo Branco.
O seu percurso no 1º mandato, os seus discursos na AR em cada 25 de Abril, que punham os cabelos em pé a Soares e a Sá Carneiro, os governos de iniciativa presidencial que apadrinhou, enfim, auguravam o que viria a verificar-se. Não contasse com eles, para a (re) eleição visando um 2º mandato.


Internamente as Forças Armadas entravam nos eixos, a Constituição respeitada e o país ganhou credibilidade com a sua figura.
Inaugurou as presidências abertas, com uma vinda a Alcains, com os acompanhantes providos, que os tempos eram de austeridade, de ração de combate, para comerem à sombra das árvores na Santa Apolónia.
Seria o agricultor Armindo de Carvalho, também já desaparecido, a empenhar-se no reforço do almoço dos ilustres convidados, em que não faltaria o famoso queijo de Alcains.
Nem tudo terá corrido bem, refira-se. Na Alprema, outro alcainense que deu muito a esta terra, António Lourenço Barata, aflorou uma questão sensível à época, os Sindicatos, e isso foi explorado pelos jornalistas presentes.
Nesse dia ainda, à noite, aí vou eu a caminho do Fundão, onde o director do jornal onde eu colaborava, aceitou as explicações que eu lhe dei, relativas ao incidente verificado com a abordagem daquele tema, nos moldes em que o fora, e que não traduziam a realidade da forma como pensavam e agiam, a grande maioria dos empresários de Alcains.
E entretanto aproxima-se o fim do mandato. Desavindo com Soares, com o PS dividido, com a AD de Sá Carneiro, que ganhara as Legislativas, e apresentava um candidato forte, com a autarquia local nas mãos de uma Lista Independente, aí vamos de novo cumprir o nosso papel e apoiar sem margem para dúvidas o nosso candidato.


A Junta de Freguesia é a sede de campanha e a Casa do Povo, o armazém onde guardávamos tarjas e cartazes, para as surtidas nocturnas em acções de colagem. Quase taco-a-taco com a AD local, na disputa pelos lugares de maior visibilidade.
E Eanes, já a meio da campanha, vem da Covilhã, onde uma caravana de alcainenses o foi esperar, e sempre em crescendo de apoiantes, passa pelo Fundão onde Paulouro o recebe, e a caravana chega a Alcains, noite fechada e fria de 30 de Novembro, para um comício desta vez no mesmo Largo de Santo António, mas numa varanda da antiga casa da Brandoa.
No Fundão, seria o Manuel Pereira, que tinha um megafone, que liderou a caravana da Drª Manuela Eanes, passando por terras de Idanha, Ladoeiro, Escalos, vindo reunir-se ao marido já em Alcains. Antes, passaria pela Igreja Matriz, onde depôs aos pés da padroeira de Alcains, as muitas flores que lhe tinham sido entregues pelo caminho.


Perante um mar de gente, que fora engrossando ao longo daquela tarde, sem telemóveis para saber aonde vinham, lá fui entretendo os presentes de que a caravana chegaria pelas …horas, informação que fui corrigindo ao longo da tarde, tipo especialistas de sondagem, que vão encurtando as margens de erro, à medida que vão saindo os resultados finais.
Desta vez é mesmo a sério. O “homem do leme” presidente da Autarquia faz uma intervenção dura, falando dos boatos que circulavam e que cala fundo nos presentes e Eanes, corresponde com a mesma simplicidade com que nos habituara. Contava com os seus conterrâneos para vir a ser eleito, numa disputa que ainda não estava segura. Os seus conterrâneos já o conheciam e garantia não os vir a desiludir.


Faltava uma semana, continuamos as colagens pelas terras vizinhas, até aquela fatídica noite de 6ª feira, em que se dá o terrível acidente de Camarate, que vitima Sá Carneiro e acompanhantes.
Na Casa do Povo, preparava-se a última saída para colagens até à meia noite, quando consultando a comissão concelhia em Castelo Branco, nos mandam suspender todas as acções de campanha.
E a 7 de Dezembro de 1980, novamente à primeira volta, agora com 56, 4% dos votos, Eanes conquistava novo mandato.
Pressionados pela população que queria à viva força festejar e divididos face à morte de Sá Carneiro, lá tivemos eu e o Manuel Sousa da Lusitana, de encabeçar uma caravana, que passou por Castelo Branco e terras vizinhas, em que o slogan que passávamos era, recordo-me bem: «a vitória de Eanes não é a derrota de ninguém».
Pouco tempo depois, em 1982, Alcains fazia 10 anos de Vila, e um arraial popular, música, foguetes e papas na rua, acolheu Eanes mais uma vez na sua terra.
Foi talvez a visita da reconciliação, com convidados pela Autarquia, desde o antigo Governado Civil de Castelo Branco, Ascensão Azevedo, Vila Franca, presidente da Câmara, e outras individualidades. Dia soalheiro e repleto de emoção.
Mais tarde, estava eu a poucos dias do Natal, numa cama do Hospital de Évora, recuperando de uma operação, quando na sua visita na época pelos hospitais, entra no quarto e admirado : «você aqui»!


Depois saí de Alcains, em Abrantes ainda colaborei no PRD, mas terei estado presente apenas em mais dois ou três eventos com a sua presença.
Outros poderão falar com mais propriedade do que continuou a ser a ligação de Eanes a Alcains, à sua terra e problemas, que eu fui seguindo à distância.
E termino como comecei. Estão a passar 35 anos, sobre a data em que Alcains, teve um dos seus, na mais elevada magistratura do Estado – a Presidência da República. E isso é que conta. E disso nos orgulhamos.
Nota final : alinhavava este apontamento, quando e-mail do “homem do leme” me informa da morte do Engº João Ramalho Eanes. A vida tem destes desencontros. As minhas condolências à família enlutada.

MC

Outros textos e fotos de MC sobre a Guerra Colonial em : Panoramio photos by Jose Castilho

domingo, 19 de junho de 2011

Rafeiro de Lata

Inadvertidamente, quando reflectia em fresco banco, da linda capela do Senhor do Lírio, no cemitério, abro porta interior da capela com a curiosidade de quem pergunta!!!
O que é que para aqui haverá?


Fiquei atagantado...
A foto supra diz bem do estado de conservação de um exemplar único, do carro, carrêta, assim era chamado, que transportava as urnas nos funerais.
Recentemente, o Manuel Geada, um Alcainense de memória mais que desperta, acordada, referia-se em comentário a propósito, sobre o paradeiro deste carro.


Lembro-me de, em funerais de gente mais que pobre, o corpo do falecido, ser transportado em urna de lata, de nome esquife, e depois das rezas habituais assim ser sepultado, isto é, deitado na cova apenas embrulhado em lençol.


Agora, mal arrumado na arrecadação do cemitério, ali convive não sei se reformado se aposentado, com os colegas ainda em actividade, a pá, a picareta, a enxada, debalde como o balde, a corda, a esfregona, a vassoura, a lixívia, e o escadote todos com muito mais pó que sorte...
Se restaurado, poderia cohabitar na capela, mais cromado, pintado, envernizado para ser lembrado.
Mas como Alcains não ata nem desata, para os responsáveis, Rafeiro de Lata.

Manuel Peralta

sábado, 18 de junho de 2011

Maria “Rainha“

Maria dos Anjos Rainha.
Maria dos Reis Patrocínio Raposo.


Fez 99, repito, noventa e nove anos, no passado dia 5 de Janeiro de 2011.
É actualmente a segunda mulher mais idosa de Alcains.
Viúva de Joaquim dos Santos Rafael, mais conhecido por “Jaquim Seguérro” que, além da família, gostava muito de tabaco, cigarro, e ao que conta a história ainda mais da pinga...


O casal teve dois reis, o Manuel e o João e duas rainhas, a Céu e a Alice.
Residiram numa Travessa da Travessa Dr. Vicente Sanches.


A Tia Maria dos Reis Patrocínio Raposo, Maria Rainha, é irmã do Ti Zé Cego do cabeço, já falecido e com biografia no Terra dos Cães.
Passados tempos de casados, o ti Joaquim Cigarro, como gostava bastante da pinga aparecia por vezes entornado, e fumava mais que o forno do Cuco...


Não fazia questão onde o havia, pois morava a dois passos da taberna da Ti Marreca e do sempre prestável e incansável Ti Requeita.



As coisas não corriam bem, e a fama, devagar como um tropeço, passou do Outeiro para o Regato da Sola e deste para o Cabeço.
Não vendo, mas ouvindo de sua irmã a desdita, meditou, meditou em noites de calor e maresia e saiu esta poesia.


Onde vais Maria dos Anjos,
Onde vais tão triste a chorar.
Ai...Ai...Ai...
Vou a ver do meu marido,
Que está na taberna a jogar.
Ai...Ai...Ai...

Está na taberna a jogar,
Com uma grande borracheira.
Ai...Ai...Ai...
Se me querias fazer isso,
Deixavas-me estar solteira.
Ai...Ai...Ai...

Deixavas-me estar solteira,
Solteira é que eu estava bem.
Ai...Ai...Ai...
Em casa dos meus pais,
E à sombra da minha mãe.


Visitei a Ti Maria Rainha no Lar acompanhado pelo seu filho rei Manuel e a sua esposa, irmã do Zé Maria Cambalhota, que me desculpe, mas não me reconheceu, ela que tantas vezes, me falava no Degredo quando visitava sua familiar.
A minha mãe, ainda hoje canta esta cantiga que aprendeu, quando era mais nova.
Vidas duras de outros tempos, retratadas por um cego que via, em versos de um realismo duro como aquelas vidas.

Manuel Peralta