CAPELA DO SENHOR DO LÍRIO
Assim se referia, Maria da Conceição Saraiva, Zeladora da Capela do Senhor do Lírio a uma das capelas, se não a Capela, mais bem estimada de Alcains.

Por volta de 1980, quando veio morar para perto do cemitério, apurou que a capela estava muito abandonada.
Só excepcionalmente a Menina Arminda, por altura das festas de Natal, da Páscoa e dia de Todos os Santos, com sacrifício, vinha da estação de caminho de ferro, onde morava, colocar umas flores e fazer a limpeza possível a algo abandonado.

A idade, a distância, o cansaço acabaram por tornar as visitas da Menina Arminda ainda mais excepcionais e é então que a Maria Saraiva pede a capela à Menina Arminda.
E esta, deu-lha.
Assim me contou a Maria da Conceição Saraiva.
Faltava entretanto vencer outro obstáculo, o Coveiro.
Alentejano, muito simpático, sem qualquer letra mas de trato e educação esmeradíssima, o senhor Manel que, por vizinha, tratava a Maria da Conceição Saraiva, de imediato anuiu ao pedido da sua vizinha.
Este coveiro alentejano era uma paz santa, reparem, paz e ainda por cima, santa, burrena, dizia-se no Degredo, uma bondade infinita, dava bom conselho a qualquer pessoa, não volta cá a entrar outro homem como ele... assim se referia a Maria da Conceição Saraiva ao seu falecido vizinho.
A Capela não tinha toalha, a Nossa Senhora do Carmo não tinha dedinhos, a Santa Rita, muito velhinha caiu porque uma pomba que entrou na Capela deitou-a abaixo, as paredes degradadas sem pintura, salitre por todo o lado, enfim muita degradação.
Mas a vontade de fazer bem era tanta que a Maria da Conceição Saraiva meteu mãos à obra, limpou, lavou, pediu, organizou, e com muita fé no Senhor do Lírio, tirou a Capela e as Santas de tal martírio...
Hoje, graças ao seu persistente trabalho, vale a pena sentarmo-nos no banco e em reflexão pessoal observar um local de culto, muito, mas mesmo muito agradável.

Mulher de fé que é, pediu consentimento à Senhora do Carmo que não a levasse a mal, por a mandar arranjar, reparar...
Com o pouco dinheiro das poucas esmolas que iam caindo, mandou reparar a santa, reparação que custou cerca de 38 contos, 190 euros... como não chegou, pôs ela o que faltou.
Custeou as flores ao longo dos anos, pagou se seu bolso as 4 lanternas da capela, tendo as pinturas, azulejos e banco sido custeado pela autarquia.
Antes de o actual cemitério estar onde está hoje, o cemitério de Alcains situava-se no local onde era a antiga Associação, hoje Biblioteca, e na oficina e forja do Ti Joaquim Russo, em terrenos frente à antiga loja e taberna do saudoso Ti Tobias no “rochi”, largo do Rossio.
Quando da transferência do cemitério ter-se à desencaminhado a imagem que acima se observa, e, ao que popularmente se conta, terá sido um lavrador que ao lavrar a terra com junta de bois, nas margens da Ribeira da Líria, terá levantado da terra a imagem até então soterrada.

Exposta na Capela do Cemitério actual, é então chamada de Capela do Senhor do Lírio.
A imagem, que retrata Cristo na Cruz, foi então apelidada de Senhor do Lírio, porque o Santo era Homem, caso fosse imagem de Santa, eventualmente, teria sido apelidada de Senhora da Líria... digo eu.
Recentemente, casal que não deu nome nem morada, bateu à porta da Zeladora da Capela do Senhor do Lírio e, depois de breve contacto, oferecem a imagem de Nossa Senhora das Graças para expor na Capela.
Deixam 50 euros para a compra da mísula, ficando de passar mais tarde pela capela…
Já lá vão trinta anos, o marido, António dos Reis Sanches, de apelido Tchau, mais a família que o digam.
Na verdade, a maior parte das gentes de Alcains, não conhece a obra que a Zeladora fez e faz.
Nada pede em troca, conversa com os Santos e as Santas como se de pessoas de carne e osso se tratassem... sentada ou de pé... com fé.
O Terra dos Cães, ao trazer à luz do dia estes casos de solidão na fé, de trabalho desinteressado para os outros , cumpre o seu dever para com a gente simples, que faz grandes coisas.
Comunhão, partilha, solidariedade... palavras... palavras... palavras gastas em púlpitos e em ministros com pastas.
Continue Maria da Conceição Saraiva, os Alcainenses de fé agradecem o seu excelente trabalho.
Manuel Peralta
...esta capela faz parte da minha casa... tenho-lhe um amor... eu nem sei... já são muitos anos.
Assim se referia, Maria da Conceição Saraiva, Zeladora da Capela do Senhor do Lírio a uma das capelas, se não a Capela, mais bem estimada de Alcains.
Por volta de 1980, quando veio morar para perto do cemitério, apurou que a capela estava muito abandonada.
Só excepcionalmente a Menina Arminda, por altura das festas de Natal, da Páscoa e dia de Todos os Santos, com sacrifício, vinha da estação de caminho de ferro, onde morava, colocar umas flores e fazer a limpeza possível a algo abandonado.
A idade, a distância, o cansaço acabaram por tornar as visitas da Menina Arminda ainda mais excepcionais e é então que a Maria Saraiva pede a capela à Menina Arminda.
E esta, deu-lha.
Assim me contou a Maria da Conceição Saraiva.
Faltava entretanto vencer outro obstáculo, o Coveiro.
Alentejano, muito simpático, sem qualquer letra mas de trato e educação esmeradíssima, o senhor Manel que, por vizinha, tratava a Maria da Conceição Saraiva, de imediato anuiu ao pedido da sua vizinha.
Este coveiro alentejano era uma paz santa, reparem, paz e ainda por cima, santa, burrena, dizia-se no Degredo, uma bondade infinita, dava bom conselho a qualquer pessoa, não volta cá a entrar outro homem como ele... assim se referia a Maria da Conceição Saraiva ao seu falecido vizinho.
A Capela não tinha toalha, a Nossa Senhora do Carmo não tinha dedinhos, a Santa Rita, muito velhinha caiu porque uma pomba que entrou na Capela deitou-a abaixo, as paredes degradadas sem pintura, salitre por todo o lado, enfim muita degradação.
Mas a vontade de fazer bem era tanta que a Maria da Conceição Saraiva meteu mãos à obra, limpou, lavou, pediu, organizou, e com muita fé no Senhor do Lírio, tirou a Capela e as Santas de tal martírio...
Hoje, graças ao seu persistente trabalho, vale a pena sentarmo-nos no banco e em reflexão pessoal observar um local de culto, muito, mas mesmo muito agradável.
Mulher de fé que é, pediu consentimento à Senhora do Carmo que não a levasse a mal, por a mandar arranjar, reparar...
Com o pouco dinheiro das poucas esmolas que iam caindo, mandou reparar a santa, reparação que custou cerca de 38 contos, 190 euros... como não chegou, pôs ela o que faltou.
Custeou as flores ao longo dos anos, pagou se seu bolso as 4 lanternas da capela, tendo as pinturas, azulejos e banco sido custeado pela autarquia.
Antes de o actual cemitério estar onde está hoje, o cemitério de Alcains situava-se no local onde era a antiga Associação, hoje Biblioteca, e na oficina e forja do Ti Joaquim Russo, em terrenos frente à antiga loja e taberna do saudoso Ti Tobias no “rochi”, largo do Rossio.
Quando da transferência do cemitério ter-se à desencaminhado a imagem que acima se observa, e, ao que popularmente se conta, terá sido um lavrador que ao lavrar a terra com junta de bois, nas margens da Ribeira da Líria, terá levantado da terra a imagem até então soterrada.
Exposta na Capela do Cemitério actual, é então chamada de Capela do Senhor do Lírio.
A imagem, que retrata Cristo na Cruz, foi então apelidada de Senhor do Lírio, porque o Santo era Homem, caso fosse imagem de Santa, eventualmente, teria sido apelidada de Senhora da Líria... digo eu.
Recentemente, casal que não deu nome nem morada, bateu à porta da Zeladora da Capela do Senhor do Lírio e, depois de breve contacto, oferecem a imagem de Nossa Senhora das Graças para expor na Capela.
Deixam 50 euros para a compra da mísula, ficando de passar mais tarde pela capela…
Já lá vão trinta anos, o marido, António dos Reis Sanches, de apelido Tchau, mais a família que o digam.
Na verdade, a maior parte das gentes de Alcains, não conhece a obra que a Zeladora fez e faz.
Nada pede em troca, conversa com os Santos e as Santas como se de pessoas de carne e osso se tratassem... sentada ou de pé... com fé.
O Terra dos Cães, ao trazer à luz do dia estes casos de solidão na fé, de trabalho desinteressado para os outros , cumpre o seu dever para com a gente simples, que faz grandes coisas.
Comunhão, partilha, solidariedade... palavras... palavras... palavras gastas em púlpitos e em ministros com pastas.
Continue Maria da Conceição Saraiva, os Alcainenses de fé agradecem o seu excelente trabalho.
Manuel Peralta











