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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

LASSIE, LAIKA e RIM-TIM-TIM

Os Cães que povoaram o nossos sonhos de meninos…

Num Blog com este nome tão singular, não é de todo despiciente, que falemos dos ditos, que na TV e no Cinema a preto branco, durante muitos anos, nos deixavam de olhos arregalados, perante as aventuras que eles Cães, protagonizavam. E como primeiro são sempre as senhoras, vamos falar da Lassie, uma Collie, que teve mais 8, sucessores, e cujas aventuras povoavam os nossos sonhos. Foi Lassie a cadela mais famosa no mundo do cinema, protagonizando séries para a TV e até livros.

Aos menos distraídos, não passou despercebido, quando em finais da década de 50, uma cadela de nome Laika, a bordo da nave soviética Sputnik II, foi enviada para o espaço. Estávamos a 3 de Novembro de 1957, e aquela simpática cadelinha, seria o primeiro ser vivo terrestre, a circular em torno da Terra. Terá morrido, entre cinco a sete horas depois do lançamento, muito antes do planeado. Causas prováveis: stress ou sobreaquecimento do habitáculo, causado por problemas técnicos. Este facto, porém, só veio a ser assumido em público, algumas décadas depois do voo da simpática cadelinha, que nos pôs com ar de parvos, a olhar de noite o céu, para tentar ver alguma coisa de diferente. Talvez o focinho da simpática Laika, uma raça Siberiana.

Laika - Raça Siberiana

Outro canídeo famoso, participante em filmes, séries de TV e livros de banda desenhada, foi o Rin Tin Tin, figura emblemática do reino animal que até tem uma estrela no passeio da fama em Los Angeles.
Começou a ficar famoso na década de 20 do século passado, e passou para as décadas seguintes, substituído quando morreu, por cães da mesma raça. Teve 5 sucessores. O original, um Pastor Alemão tem uma história no mínimo insólita. No final da 1ª Guerra Mundial, em França, as tropas americanas encontravam num canil, parcialmente destruído pelas balas alemãs, num buraco, uma cadela que acabara por dar à luz 5 cachorrinhos. Enlevados com o achado, o Regimento fez dele a sua mascote.

Lassie - Raça Collie Americana

E quando regressaram aos Estados Unidos, os cães foram com eles. Um dos militares ficou com um dos cachorros, ao qual pôs o nome de Rin Tin Tin. Educou o animal durante cinco anos, o animal era inteligente e aprendeu a fazer vários truques. Era um Cão de pelo escuro e olhos negros.
O Cão aprendeu habilidades, a saltar de grandes alturas, começou a entrar em shows, e chegou ao cinema em 1923, no primeiro filme vestindo até o papel de Lobo. Actuou em 22 filmes até 1930. O Rin Tin Tin, morreria pouco depois. Mas o filão estava descoberto. Logo surgiu o Rin Tin Tin Júnior, e depois outros, em filmes até 1955.

Raça - Pastor Alemão

O êxito do Rin Tin Tin I,II,III,IV,V, com o sucesso alcançado despertaram outros concorrentes, o mais famoso dos quais terá sido o Lancer.
Os seus filmes e os livros de quadradinhos que então devorávamos, eram o encanto, das crianças que então éramos.
Num Blog que tem um Cão no seu logotipo, a evocação que aqui fazemos de alguns deles, faz-nos recuar à nossa infância, ao deslumbramento, à fantasia. Tínhamos então ainda uma vida inteira pela frente...

MC

domingo, 23 de janeiro de 2011

“ESCUDEIRO”, JOSÉ LOURENÇO LOPES

Era um tipo muito avançado em relação à época... afinado... um bom artista... educado... bem posto, recolhi entre outros, estes testemunhos de pessoas que com ele trabalharam.


JOSÉ LOURENÇO LOPES, por alcunha JOSÉ ESCUDEIRO, nasceu em Fevereiro de 1936 e faleceu em Janeiro de 1997, casado, tem dois filhos.
Genro do Domingos da Ti Mariana, que não conheceu mana, do Domingos da Miquelina, durante o namoro, e do Ti Domingos da Venda, primeiro e local único de encontro de Alcainenses com e sem raça, na praça...
Fez a 4ª classe, criado com os avós maternos em Pinhanços, Seia, para Montemor-o-Novo parte, para, ao pé dos pais, aprender a arte.
Seu pai, João Lourenço Escudeiro tinha em Montemor, vários canteiros de Alcains a trabalhar com ele.
Por ali esteve até aos 23 anos, fazendo obra, em Estremoz, Évora e também em Borba, com canteiros de pouco vinho, de Alcains e do Minho.
Era conhecido por lá, década de sessenta, como o Mestre Zé ou Zé das Pedras, tendo efectuado obra de relevo no Hospital de S. João de Deus em Montemor, na capela cujo púlpito é uma pedra única, bem como os candeeiros em forma de romã, claro tudo em pedra.

Solteiro, com 19 anos

S. João de Deus, que deu nome ao hospital de Montemor, terá sido objecto de uma profecia, uma predição do futuro, a Profecia de Granada que dizia... Granada será a tua cruz... na data habitada por muçulmanos... Granada que em hebraico quer dizer romã... daí a razão dos candeeiros em forma de romã, que ali podem ser observados.


Em 1965, regressa a Alcains para concorrer às cantarias do actual edifício do Tribunal de Castelo Branco.
Tinha muito mais entusiasmo pelas pedras que pelo dinheiro, derretido a olhar para tanta cantaria, ganhou a obra... não ganhou dinheiro, mas artista é artista não pelo dinheiro, mas pela obra que fica.
Dotado de elevada intuição para de imediato analisar projecto, um “dom “ popularmente designado, depressa executava em cartão os moldes para se talharem as pedras que, depois de trabalhadas, seriam obras de arte.

Brasão do Tribunal de Castelo Branco

Conta-me o António Marques Lopes da Silva, que com ele trabalhou mais o seu pai, José dos Santos Lopes da Silva, vulgo José Neco, que foi sob orientação do patrão José Escudeiro que seu pai, esculpiu o brasão que as fotos aqui retratam.
O brasão tem duas peças a coroa e o brasão propriamente dito, nele tendo trabalhado entre outros canteiros o Martinho Escudeiro.


Naquele tempo não existiam máquinas para alem da massêta e dos muitos cinzéis, e o António Marques Lopes da Silva relata com orgulho que fez sem qualquer furador a base para o mastro da bandeira, que a foto de abaixo reproduz.


“Foi uma alma nova que me nasceu”... assim se referiu o José Lopes Baltazar, ao patrão Zé Escudeiro quando na primeira quinzena de trabalho de lhe deu 20 escudos para os copos.
Ele José Escudeiro, que o tinha admitido a inculcas, pedido, cunha, do avô do Zé Baltazar de quem era amigo, sem nada pagar e com direito a salário.
Outros, pedreiras, carpintarias, oficinas, cobravam para aprender a arte, 500 escudos e meio ano de borla.
Conta-me, com memória de bancário reformado, o Zé Baltazar, que chegaram a trabalhar 20 a 25 trabalhadores nas cantarias do tribunal, que as fotos bem documentam, entre outros o Domingos Marujo, André Paciência, Jorge Leituras, José Pionto.


Homem tolerante, jogava matrecos com os empregados e tinha até uma finta à Zé Escudeiro, imbatível.
Brincalhão e vivaço que era, na tropa com mauser, capacete de ferro, mochila, verão, 40 graus, sol, parada, sargento chico, a marcar passo, que cansaço... descobre à sombra sargento com banda de música.
Cabisbaixo, vai ter com ele dizendo que também sabia das notas, da música, claro.


Então arranca aí um DÓ, pedia o sargento, metendo-lhe ao mesmo tempo ao pescoço, pesada e quase maior que ele, enrolada, trompa atubada...
Que não podia, pois tinha os beiços gretados por ter comido figos marmelões, muito aleitados.
Passado pouco tempo, era ele Zé Escudeiro que marcando passo, não dava... metia DÓ, esquerdo, direito, um, dois... esquerdo, direito, um, dois...


Em tentativa frustrada de abertura de Escola de Canteiros, foi convidado mas não aceitou. Previa a falta de consistência da proposta.
Relembra quem com ele trabalhou que quando as coisas não corriam bem, também se zangava, mas não maltratava muito menos humilhava as pessoas.
Não havia medo ao patrão.


Quando por lá passarem, Tribunal de Castelo Branco, ou pelo Hospital de S. João de Deus em Montemor-o-Novo, detenham-se um pouco, observem através das cantarias a glória de quem tanto porfiou.
São todos merecedores da nossa estima e elevado apreço.
O Ti Zé Escudeiro, que sempre me cumprimentava com simpático sorriso e amigável vénia, tem pela obra que nos deixa e amizade que semeou, direito a não ficar esquecido.
Cumpro aqui, no Terra dos Cães, o meu dever para com ele.

Manuel Peralta

CÃES...

Como bebem água

Observamos...
De tão rápido que é, não está a nossa visão preparada para se aperceber do modo como, de cabeça para baixo, consegue um cão, ingerir água.
Conta o Manuel Geada que, o Américo Manco, conseguia beber de cabeça para baixo um copo de meio quartilho vinho, sem verter uma gota.
E explica como. Mais, parece até, que terá assistido. Voltando aos cães.


Mão amiga, fez-me chegar um vídeo, que em câmara lenta mostra de forma espectacular como os cães bebem água.
Depois de abrir o vídeo, clicando na imagem, poderão observar e eventualmente aprender como o cão bebe água.



Por considerar de interesse, aqui fica o registo no Terra Deles.

Manuel Peralta

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ESPOSAS DEDICADAS

MÃES EXTREMOSAS

Era assim...

Nas Freiras, Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, que por volta de 1968, no Solar dos Goulões, hoje Museu do Canteiro, esta Comunidade Religiosa prestou relevantes serviços a Alcains.
Chamava-se então CASA do BEM, onde se desenvolviam várias actividades que cobriam as necessidades de desenvolvimento humano, religioso e artístico da comunidade Alcainense, a nível infantil, juvenil ou adulto, sobressaindo o Jardim Infantil.


Esta Comunidade Religiosa, prestava serviço no Lar Major Rato, no Seminário de S. José, apoiava e deu novo alento à vida religiosa, nomeadamente na celebração da missa que chegou a ter um Grupo Coral de elevada qualidade.

A foto abaixo que foi tirada há 41 anos, mostra de hábito branco e da esquerda para a direita, as irmãs Natália e Jacinta, de óculos escuros a Jacinta Clara Godinho e a Maria da Conceição Minhós, acompanhadas de duas auxiliares que acompanhavam as freiras.


A princípio, não eram permitidos rapazes, e cerca de 300 raparigas, chegaram a frequentar as actividades que esta prestimosa Comunidade, com elevado mérito desenvolveu em Alcains.
Com aulas de Civilidade e Etiqueta, Costura, Bordados, Cozinha, muitas jovens de então desenvolveram as suas capacidades.
Fizeram ali a 4ª classe de adultos, a Jacinta, a São Amaro, a Ilda Quinhentas, o António Alice, a Maria de Deus Aleluia... entre muitos outros.
Porque se trabalhava, era aos fins de semana que as actividades se desenvolviam com mais intensidade.
Ensaiar peças de teatro, animação, jogos, festas de Natal, passeios com os idosos e ensaios para o Grupo Coral, eram actividades que animavam os fins de semana da juventude.
Com o ensaio do grupo coral, começaram por participar os primeiros jovens, nomeadamente o Cocas, o Félix o João Preto entre outros e assim se alargou a Comunidade aos rapazes.
Este grupo coral, cantava aos domingos na missa do meio dia, preparou todos os cânticos para a ordenação sacerdotal do Sr. Padre Bonifácio, e saíram pela primeira vez cantando as Janeiras, tradição artilhada por escuteiros, que com interrupções se vai mantendo.
No fim de cada ano lectivo, faziam festa onde as alunas apresentavam o que, durante o ano, tinham aprendido.


Como vem sendo hábito, não indico os nomes das lindas moças que fazem parte da foto que acima coloco.
É um exercício de memória para o qual convido quem me lê...
Em comentário, por favor, digam quem conhecem.
A Comunidade das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, deixou Alcains em Dezembro de 1990.
Quando autarca acompanhei de muito perto a sua acção, agora com a Irmã Conceição à frente dos destinos da Comunidade.
No Lar Major Rato, no Infantário, na Actividade Religiosa, no apoio aos pobres… estas Irmãs, contribuíram imenso para elevar as capacidades das gentes de Alcains.
Saíram como entraram, discretas, mas ficaram por cá muitos órfãos da amizade que, como as estrelas, nem sempre se vêm, mas estão lá.
Repito-me, é certo, mas Alcains devia relembrar quem cá esteve, desinteressadamente, para ajudar...

Manuel Peralta

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

RAFEIRO DE PRATA

CIVILIDADE, RESPEITO PELO MUNÍCIPE

Desta vez a autarquia esteve quase bem.
No cruzamento da Avenida 12 de Novembro, com a rua Dr. Fernando Ataíde Ribeiro, vários anos depois, decidiu fazer aquilo que já deveria ter sido feito.
Pintar uma passadeira para peões, no referido cruzamento.


Ao mesmo tempo, e indo ainda a tempo, alteraram decisão de colocar um traço contínuo a meio da Avenida 12 de Novembro, contíguo ao nóvel posto da GNR de Alcains.
Substituíram e bem, o projectado traço contínuo, pelo prolongamento do separador central, com passagem a meio da avenida... e bem.


Uma equipa excelente em simpatia, e de capacidade e conhecimento técnico apurado, da empresa PLENAVIA Ldª, do grupo JJR, Quinta da Sardinha - LEIRIA, coordenada pelo gerente Nuno Ferreira e pelos trabalhadores, João Mendes, António Barata e Kozac, natural de Ternopol, Ucrânia, tornaram Alcains mais disciplinado, menos perigoso, e deram um ar mais urbano à freguesia e aos fregueses.


Esteve quase bem... porquê?
Ver foto abaixo.


Reparando na foto, observa-se que o passeio não foi rebaixado no lancil.
Assim se dificulta a passagem a deficientes em carro de rodas, a carrinhos de bebé e todas as pessoas com dificuldades de locomoção.
Alertei o Presidente da autarquia para o facto.
Não se pode fazer tudo de uma vez, retorquiu.
Aguardo, aguardam todos os que por ali circulam.
Pelo trabalho bem feito e em vias de conclusão, um RAFEIRO DE PRATA, prémio que não é de lata...

Manuel Peralta