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domingo, 23 de janeiro de 2011

CÃES...

Como bebem água

Observamos...
De tão rápido que é, não está a nossa visão preparada para se aperceber do modo como, de cabeça para baixo, consegue um cão, ingerir água.
Conta o Manuel Geada que, o Américo Manco, conseguia beber de cabeça para baixo um copo de meio quartilho vinho, sem verter uma gota.
E explica como. Mais, parece até, que terá assistido. Voltando aos cães.


Mão amiga, fez-me chegar um vídeo, que em câmara lenta mostra de forma espectacular como os cães bebem água.
Depois de abrir o vídeo, clicando na imagem, poderão observar e eventualmente aprender como o cão bebe água.



Por considerar de interesse, aqui fica o registo no Terra Deles.

Manuel Peralta

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ESPOSAS DEDICADAS

MÃES EXTREMOSAS

Era assim...

Nas Freiras, Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, que por volta de 1968, no Solar dos Goulões, hoje Museu do Canteiro, esta Comunidade Religiosa prestou relevantes serviços a Alcains.
Chamava-se então CASA do BEM, onde se desenvolviam várias actividades que cobriam as necessidades de desenvolvimento humano, religioso e artístico da comunidade Alcainense, a nível infantil, juvenil ou adulto, sobressaindo o Jardim Infantil.


Esta Comunidade Religiosa, prestava serviço no Lar Major Rato, no Seminário de S. José, apoiava e deu novo alento à vida religiosa, nomeadamente na celebração da missa que chegou a ter um Grupo Coral de elevada qualidade.

A foto abaixo que foi tirada há 41 anos, mostra de hábito branco e da esquerda para a direita, as irmãs Natália e Jacinta, de óculos escuros a Jacinta Clara Godinho e a Maria da Conceição Minhós, acompanhadas de duas auxiliares que acompanhavam as freiras.


A princípio, não eram permitidos rapazes, e cerca de 300 raparigas, chegaram a frequentar as actividades que esta prestimosa Comunidade, com elevado mérito desenvolveu em Alcains.
Com aulas de Civilidade e Etiqueta, Costura, Bordados, Cozinha, muitas jovens de então desenvolveram as suas capacidades.
Fizeram ali a 4ª classe de adultos, a Jacinta, a São Amaro, a Ilda Quinhentas, o António Alice, a Maria de Deus Aleluia... entre muitos outros.
Porque se trabalhava, era aos fins de semana que as actividades se desenvolviam com mais intensidade.
Ensaiar peças de teatro, animação, jogos, festas de Natal, passeios com os idosos e ensaios para o Grupo Coral, eram actividades que animavam os fins de semana da juventude.
Com o ensaio do grupo coral, começaram por participar os primeiros jovens, nomeadamente o Cocas, o Félix o João Preto entre outros e assim se alargou a Comunidade aos rapazes.
Este grupo coral, cantava aos domingos na missa do meio dia, preparou todos os cânticos para a ordenação sacerdotal do Sr. Padre Bonifácio, e saíram pela primeira vez cantando as Janeiras, tradição artilhada por escuteiros, que com interrupções se vai mantendo.
No fim de cada ano lectivo, faziam festa onde as alunas apresentavam o que, durante o ano, tinham aprendido.


Como vem sendo hábito, não indico os nomes das lindas moças que fazem parte da foto que acima coloco.
É um exercício de memória para o qual convido quem me lê...
Em comentário, por favor, digam quem conhecem.
A Comunidade das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, deixou Alcains em Dezembro de 1990.
Quando autarca acompanhei de muito perto a sua acção, agora com a Irmã Conceição à frente dos destinos da Comunidade.
No Lar Major Rato, no Infantário, na Actividade Religiosa, no apoio aos pobres… estas Irmãs, contribuíram imenso para elevar as capacidades das gentes de Alcains.
Saíram como entraram, discretas, mas ficaram por cá muitos órfãos da amizade que, como as estrelas, nem sempre se vêm, mas estão lá.
Repito-me, é certo, mas Alcains devia relembrar quem cá esteve, desinteressadamente, para ajudar...

Manuel Peralta

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

RAFEIRO DE PRATA

CIVILIDADE, RESPEITO PELO MUNÍCIPE

Desta vez a autarquia esteve quase bem.
No cruzamento da Avenida 12 de Novembro, com a rua Dr. Fernando Ataíde Ribeiro, vários anos depois, decidiu fazer aquilo que já deveria ter sido feito.
Pintar uma passadeira para peões, no referido cruzamento.


Ao mesmo tempo, e indo ainda a tempo, alteraram decisão de colocar um traço contínuo a meio da Avenida 12 de Novembro, contíguo ao nóvel posto da GNR de Alcains.
Substituíram e bem, o projectado traço contínuo, pelo prolongamento do separador central, com passagem a meio da avenida... e bem.


Uma equipa excelente em simpatia, e de capacidade e conhecimento técnico apurado, da empresa PLENAVIA Ldª, do grupo JJR, Quinta da Sardinha - LEIRIA, coordenada pelo gerente Nuno Ferreira e pelos trabalhadores, João Mendes, António Barata e Kozac, natural de Ternopol, Ucrânia, tornaram Alcains mais disciplinado, menos perigoso, e deram um ar mais urbano à freguesia e aos fregueses.


Esteve quase bem... porquê?
Ver foto abaixo.


Reparando na foto, observa-se que o passeio não foi rebaixado no lancil.
Assim se dificulta a passagem a deficientes em carro de rodas, a carrinhos de bebé e todas as pessoas com dificuldades de locomoção.
Alertei o Presidente da autarquia para o facto.
Não se pode fazer tudo de uma vez, retorquiu.
Aguardo, aguardam todos os que por ali circulam.
Pelo trabalho bem feito e em vias de conclusão, um RAFEIRO DE PRATA, prémio que não é de lata...

Manuel Peralta

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

LADAINHAS

Memórias, tradições, ritos iniciáticos

Recuando no tempo, 50 anos atrás, as Tradições e as manifestações de Fé em Alcains ainda uma aldeia, seriam muito diferentes das que nos dias de hoje se vivem.
Nomeadamente as Ladaínhas, que durante as semanas da Quaresma, partindo da Igreja, faziam o percurso dos Passos pela aldeia. Manifestação de inequívoca religiosidade, nela participavam apenas homens adultos, excluindo a canalha.

Alminhas do açougue, sede do CDA, barreira da Pedreira

Não sei se por motivos, que da sua presença irreverente, resultasse afectada a religiosidade e o respeito associados aquela manifestação de Fé.
Recordo-me que o antepenúltimo Passo, era já no Adro da Igreja, do lado da Rua – então Longa -, depois o Passo seguinte era já no Largo de Santo António e depois era o regresso à Igreja Matriz, sempre num cortejo em que o silêncio e o respeito predominavam.
Rebusco na Memória e surge-me a recordação de um ritual iniciático, que nunca vi praticar, mas do qual ouvia falar.
A canalha, que se atrevesse a ir na Ladaínha até ao Passo do Largo de Santo António, findas as orações, era sujeita a um ritual iniciático, ao qual se dava o nome de “Levar com o Cú na Safra”! O mesmo consistia no seguinte: os homens adultos, pegavam um nos braços e outro nas pernas da canalha que se atrevera a ir até ali, e balançando os braços, batiam com o traseiro das “vítimas” na parede.

Alminhas da Casa do Povo

Seria aquele ritual, como que um “castigo” pela pouca religiosidade com que tinham efectuado o trajecto dos Passos, uma espécie de castigo aos “pequenos diabretes” daquela genuína manifestação de Fé! Seria a punição pelo seu comportamento menos próprio.
Verdade!? Mentira!? Nunca vi. Mas à cautela eu nunca passei do Passo, existente no Adro da Igreja, o antepenúltimo da celebração. Será que era uma mentira piedosa, uma fantasia familiar, para que não me afastasse de casa! Ou seria mesmo verdade, esta do “Levar com o Cú na Safra”!?
Talvez o “homem do leme” ou o JG, conhecedores de usos, costumes e tradições da década 50, possam contribuir para aclarar este assunto, que no extremo, significariam uma dose de ingenuidade invulgar!
Há Memórias que nunca mais esquecem... e esta do “Cú na Safra” é uma delas.
Venha de lá essa confirmação ou “gozo” pela assumida ingenuidade dos meus, na altura, oito, dez anitos!...

MC
Textos e fotos de MC na Guerra Colonial, em:
Panoramio photos by jose Castilho
Galeria Noqui.

LEVAR COM O CU NA SAFRA

Quer o Zé Castilho, quer o Manuel Geada, ambos participaram nas Ladainhas que a tradição popular e religiosa manteve por vários anos em Alcains.
Só que...
O Zé Castilho, criança medrosa que era, ”cagão”, diria a canalha do Degredo, marcava passo, no último passo, na frontaria da casa do Martinho Cartaxo.

Passo ao lado da Igreja, residência de Martinho Cartaxo

Neto e filho dos últimos Regedores de Alcains, não poderia ser apanhado a levar com o cú na safra… lei é lei, e mesmo neto de Regedor era ali mandado à fava, no adro da igreja, do tribunal popular, não se safava.
O melhor era marcar passo...
Já o Manuel Geada, privilegiado que era, assistia em criança à ladainha, não em passo, mas de pé, ainda sem salário, no Calvário.
Morava perto.

Passo do Largo de Santo António

Durante as semanas da Quaresma, de jejuns para uns, e, para outros a eito, de jejum isentos, por bulas compradas a preceito, partindo da Igreja, com o Sr. Vigário com Ti Manel Sacristão de vermelha opa, que deu nome a Zópas, grupo de homens à frente com muitos rapazes atrás, seguiam a via sacra dos passos e do calvário, transportando e envolvendo despida e negra cruz, que passava de homem para homem, em cada passo, isto é, em cada estação de via sacra...
Mais ainda atrás, em passo sim, mas de corrida, sem se importar com quem ralha, ia a canalha...
LADAINHA, oração em que se pede à Virgem e aos Santos, para intercederem pelos fiéis, silabada e vocalizada em cântico arrastado, monótono e continuado, ramerrão anasalado com voz de constipado.
Assim se dava a volta à aldeia, passo a passo, de passo em passo, na Ti Maria Jacinta do Passo, ao poço novo, ao lado da igreja, na frontaria da casa do Martinho Cartaxo, na capela do Espírito Santo, no ex-calvário, agora passo, no largo de Santo António.
Terminava-se na Igreja, à porta principal, em pleno adro...
Rezava-se... porque era quaresma, o cântico arrastado era manifestação de dor e recolhimento, no entender de que “Devem ser dadas muitas graças a Deus, e poucas graças com Deus...”
Rebentava então qual apogeu assolapado, o grito de revolta, por todos repetido e berrado...

Passo da Ti Maria Jacinta do Passo, ao poço novo.

MORRA O FACINA... gritavam uns... MORRA... de braço no ar, berravam outros.
Ainda mais alto
MORRA O FAXINA... gritavam uns... MORRA... de braço no ar, berravam outros.
Enquanto estes gritos ecoavam, homens e rapazes caçavam canalha.
A expressão correcta do grito é “Morra o Facínora“, que a linguagem de Alcainês traduzia por espírito santo de orelha, por morra o facina, no Largo de Santo António, e no outeiro, de orelha mais suja, por morra o faxina...
O Facínora, era um ataque a Pôncio, não Monteiro, mas ao Pilatos, um homem do banco central da altura, que presidindo ao tribunal que julgou CRISTO, e perante a SUA iminente crucificação , dali lavou as mãos, qual Pilatos...
Numa versão mais eclesiástica, a expressão "morra o facínora" também se refere à traíção de Judas.
Já com a sua presa pela mão, sempre a esgadanhar e já com poucas tchanias, homens e rapazes, pegando ao mesmo tempo na canalha assustada, por uma mão e pelo pé, balançavam o corpo, batendo com o cu, rabo, na parede da igreja, safra.
A safra, é uma bigorna grande e quadrada, feita de ferro, e só com uma ponta.
Utilizada por ferreiros, para bater ferro quente, afiando, guilhos e cinzéis, depois de passarem pela forja, um alto forno rudimentar para quase liquefazer ferro, tornando-o maleável para se fazerem os utensílios de uso artesanal.

Passo do Largo do Espírito Santo

Era uma reprimenda pela ousadia de participarem clandestinamente, em cerimónia só para homens, mas ao mesmo tempo uma brincadeira de acolhimento que nos incentivava a furar e participar.
Os que conseguiam escapar, riam-se, tentavam puxar-nos e restituir-nos à liberdade, mas...
Passei por lá… ainda hoje tenho umas contas para ajustar, de amizade claro, com o Reguinga... mais velho e leve que eu, agarrava-me sempre... e... claro, cu na safra.

Manuel Peralta

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

AMOR À CAMISOLA - GDA - CASA do POVO

Quando observo estas fotos e, por momentos, me detenho, nas caras das pessoas que as compõem, não posso ficar indiferente.
Relembro primeiro os que já partiram… em viagem… para o outro lado da margem!!!


Depois, o inesquecível GDA, Grupo Desportivo de Alcains, de tantos êxitos, feitos, glórias e vitórias.
Os muitos pedreiros, alguns canteiros, carpinteiros, serralheiros, estudantes, empregados de escritório, alfaiates entre outros, que depois de um cansativo dia de trabalho, treinavam, jogavam, organizavam, e, semanalmente, qual lindo postal ilustrado, levavam a sua terra, ALCAINS, a toda Beira Baixa que em jornal se lia, com pundonor e galhardia…
O geral sorriso, o peito para a frente, a uniformidade na pose que só muito trabalho alcança, inspiram confiança.


Esta minha memória sem arestas, a que chamo SAUDADE, é para partilhar através destas fotos, cedidas pelo Manuel Geada, que por sua vez, lhe foram cedidas pelo José da Conceição Churro Barata, vulgo, Zé Motchinho.
Façam aqui o que eu faço, cliquem sobre as fotos, ampliem caras e sejam solidários… façam comentários.
A lição de AMOR À CAMISOLA dado por atletas e dirigentes bem o merece.
Reconhecer o muito que fizeram sem exigir receber, é um dever.

Manuel Peralta