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sábado, 9 de outubro de 2010

Rafeiro de Lata - TANQUE DAS FREIRAS

Ali, no Tanque das Freiras
Há um pouco de tudo...
Giestas, codêços, tremoceiras
Ervas altas, baixas, e até rasteiras.


Seco, face suja... sem polimento,
Doente.


De esquerda...
Quer de direita olhado.
Triste, só, e abandonado.


Em França, Estados Unidos, na Suiça, no Brasil, no Canadá, no Luxemburgo, no Reino Unido, em Itália, no México e até em Beja, Caféde e Taiwan...
Vai ser olhado.


Para quem devia cuidar
Por tal ter ordenado.
RAFEIRO DE LATA
Sem custos, vai ser dado.

Obrigado

Manuel Peralta

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Filho de sapateiro, se não doutor...

A tábua da lixa, o ferro de burnir, a forma de ferro e as formas de madeira, a cera, a sola, a tomba, as gáspeas e as meias gáspeas, a alma, a cerda, a linha e a anilina, a borracha e o atacador, os pregos, a sovela da borracha e a sovela da sola, as meias solas, uns pontos, os ilhós, a graxa, o cuspinho, o martelo, o sapato, as botas, as sandálias, o molde, a cola, o salto, o meio salto e o salto alto, a vira, o protector, a máquina de coser, o contraforte, a fivela, a escova preta e a castanha, o calfe, o pêz e a torquês...
A tábua de negra lixa, elemento indispensável de autoridade, qual beca de advogado, funcionava como uma espécie de paternal régua de professor primário para os filhos de sapateiro, se não endireitavam prego, se não regavam horta ou se jogavam bola em vez de escola.


Tábua de lixa, qual férrea viúva negra trajando de preta lixa, que afiava faca na vira que aparava e emparava a vida...
Tirar o molde para ajustar a fôrma, de pé no chão para homens e mulheres já entradotes, contrastava com pé posto em elevado banco por donzela ainda sem noivo mas com dote, ou noiva casadoira já com pregões corridos e relidos na porta da matriz...como se diz.
Vi-lhe a perna do joelho ao artêlho, gabava-se ele sapateiro arteiro, pois vinha de saia plissada na Menina Camilinha comprada, e tirava molde para o direito e para esquerdo explicando que com os pés ainda a crescer, por certo, tinha de tirar molde outra vez..
Enquanto o “menino” acendia e rescendia no fogareiro, mexendo com ponta de torquês, aquecendo ferro de burnir para em vira pôr pêz, o “galinha”, por vezes de “vela acesa”, endireitava prego ouvindo o Ti Zé Cego... e galinhas tenho sete, e uma delas não tem crista, também lá tenho um marreco, que agora é contrabandista...
Anquetil, ciclista em foto esparramada em parede, rádio enforcado com corda pendurado em caibro com prego, bancos sem espaldar mas com emoções que serviam em matações, em almoços de sapateiro matador de “marrantcho”, sempre atrasado, qual primeiro ministro, artista, que para importância se dar, todos fazia esperar.
Sapateiro artista, aparador de viras e barba rija de semana, envolvidas em cachaço de pó de arroz sem aparato, com amaciador 444.
Perguntando e dizendo muito depressa, atirava enquanto barbeava...
Quemdevintecincotiraquantosficam?
Vinte, respondia! Quinze, dizia.
Ou parodiando lisboeta, que tentava gozar com safões de pastor sem calor, cumprimentava, perguntando.
Bom dia, pastor de vinte ovelhas! Respondia o pastor, ao alfacinha. Vinte ovelhas, não. Estas ovelhas, outras tantas como esta, e metade destas, é que são as vinte ovelhas. Com a breca, quantas ovelhas são, seu alfaceca?
Espalhados pelos bancos, de botas uns, de tamancos, outros, pais e avós aguardavam ansiosos por resposta de filho ou neto, caso afilhado não estivesse por perto.
E, um côvado, quanto é? E uma grosa? E um alqueire? De semente ou azeite, perguntava afilhado com receio de rasteira, às perguntas de algibeira.
Das pedreiras, muitos, da terra, bastantes, todos conviviam em família esperando vez sem senha de fila, sem rixas, ali não se faziam bichas, cada um contando pouco das suas apertadas vidas, espreitando o sempre diligente Requeita ou a circunspecta Marreca, que serviam tinto, traçado, ou “champerrion” adoçado.


Por ali aparecia, um homem, Matias, intelectual a dias, que entre dentes aplicava palavras de sete mil e quinhentos.
Intelectual que era, atagantava Manuel, já sapateiro, que em semana e meia em nova oportunidade, no Ti Sebastião Palhaço, sai barbeiro, diplomado.
Desafiando o saber ao bi diplomado, atirava.
Ó Manel, o Requeita queria que eu ao Domingo fosse buscar a Sexta. Disse-lhe que não porque hoje é Domingo e não é dia de trabalho, mas amanhã Segunda, vou à Terça, trago a Quarta, levo-a à Quinta, trago então a Sexta porque só é precisa para Sábado.
Sala de aula em silêncio... até o Rogante, cão da Rita, enfiou as orelhas entre as patas e ganiu...
Os homens alunos, descobertos, coçavam parcos cabelos e cofiavam barba assustada na iminência de corte rente.
Entra ainda mais gente, e a sala, qual cartório, passou a auditório.
Manuel que tinha feito quarta classe com distinção, enfrenta Matias, qual Lente, de pente.
Porque tudo era de ouvido, em linguagem falada, homónimas e homógrafas entram em debandada mas, Manuel, elevando o tom de voz, qual catedrático sem cátedra, responde.
Domingo e Segunda estamos confessados, a Terça é a terça de terceiras, terra onde se ganhava um terço do que se colhia, a Quarta é uma medida de volume, uma quarta de feijão ou milho, a Quinta, é a quinta de propriedade, e a Sexta, é a cesta que o Requeita queria que ao Domingo, fosses buscar.
Era, foi assim durante vidas o ambiente em sapatarias e barbearias, ponto de encontro entre saberes, entre dizeres, no interim dos afazeres. Ensaiavam-se por ali também os primeiros passos da esperteza que nem sempre é prima do saber...mas uma fonte de simplicidade, cultura popular e amizade.
Se quem me lê, percorrer mentalmente as ruas da terra deles onde sapatarias e barbearias existiram, e se se lembrar de quem lá viveu, poderá perceber o título desta aperaltada prosa.
É que eu tenho em Beja um bom amigo, filho de sapateiro, não doutor, engenheiro.

Manuel Peralta
Texto publicado no Reconquista de 8 de Outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Conjuntos Musicais - ÁGUIAS NEGRAS

Ao mesmo tempo que os Tranquetenas do Ritmo, oriundos do Chafariz Velho, tentavam singrar no meio musical, para os lados do Largo de Santo António, mas já a caminhar para o cemitério, aparece igual febre musical, treinada em serenatas, descascas em ruas pacatas...
O Manuel Barata Ruivo, vulgo, Manel do Cemitério, e vulgo ainda Manuel Camilo, em companhia do António Geada e do Jaime Godinho, baptizaram este trio de amizade e boa vizinhança, com o nome de CONJUNTO ÁGUIAS NEGRAS, conforme está escrito no verso da foto que o Manuel Ruivo, Manuel Camilo e Manuel do Cemitério, gentilmente me cederam para aqui publicar.


Da esquerda para a direita, Manuel Ruivo (Camilo), António Geada e Jaime Godinho.
O Manuel Ruivo, que ficou órfão de pai pelos quatro anos e foi educado em colégio nos arredores do Porto, esteve com destino marcado para aplainar almas, ser padre, mas a tempo, recuou, e decidiu em Janeiro que queria ir aplainar tábuas... no Parteiro.
Construiu o seu próprio instrumento, a viola, e, depressa, passou a viola solo das Águias Negras.
De fatinho completo com gravata, mostra a foto um estilo de músico que nem necessitava de olhar para a escala para solar o “The house of the rising sun”... por outro lado o António Geada, marcador de ritmo em bateria que era uma bacia tapada com pano, pele que durava todo o ano, por ser no dizer do Manel já um artista, ficou baterista.
O Jaime Godinho, que usava lacinho, e trazia viola em costas de artista, porque cantava bem era o vocalista.
A especialidade, era a grande vontade, como disse mais atrás, mas não havia semana que ora uns ora outros não contemplassem cinco a seis, queridas meninas, em serenatas.
Inicia-se por estes tempos nestas lides, um tal José Pedro Amoroso, contemporâneo dos Águias Negras que despertava em fado para uma verdadeira e exclusiva vida de artista.
Falo é claro do Alcainense, cujo nome artístico é o PEDRO VILAR...
Por morar pegado ao cemitério, alcunharam-no de Manel do Cemitério, por ser neto materno de avô Camilo, sobrecarregaram-no com Camilo, ele que em criança não podia dar uivo, assim ficou Manuel Barata Ruivo.


Na sua residência pegada ao cemitério, especializou-se em trótinetes com rolamentos já rolados da oficina do António Ramalho, em guiadores de corridas de canalha em que padalavam em imaginária bicicleta, de guiador nas mãos em corridas, eu sei lá até onde...e em que partidas.
Estes três amigos nunca solfejaram partitura, de Conservatório, só conheciam o do Registo Predial, mas viveram bons momentos de elevada amizade, de aposta na sua capacidade de se superar, de ir mais além, quais amigos alegres sempre a cantar.
Esta liberdade e amizade, da rua, de todos e não apenas tua, perdurou... e o sonho de Águias Negras, tal como a febre, quando passou, acabou.

Manuel Peralta

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Líria doente

...doente, irremediavelmente doente e sem tratamento. Assim está a Líria, a ribeira sem eira nem beira...


Câmara e Serviços Municipalizados hoje realertei, não cumprem lei...


GNR da natureza, SEPNA, e à Hidráulica Tejo também fotos enviei...


RTP, SIC, TVI
... e à televisão local, recomendei...


Autarquia local muito longe da grei!!!



Prometo, não desistirei.

Manuel Peralta

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

BALHINHAS, Manuel Simões Roque

A avó materna embalava, e, muitas vezes ao colo e em pé em plena rua dançava com o seu filho, Joaquim enquanto cantava esta cantiga...

Baila, baila, meu saco de palha...
Quanto mais balha, mais escangalha...

E, de tanto dançar e balhar, bailou bailou até que BALHOU...
A sua balhada forma de ao filho festar, causou espanto e o Joaquim Simões Roque que bebia água da talha, foi baptizado de “Xequim Balha”. Joaquim Simões Roque, (Balhas), casou a tempo com Maria Clara de Jesus (Clemente).
Entre outros, (Adriano, Cesaltina e Rosa) tiveram filho, o primeiro, Manuel Simões Roque, e claro filho de Balhas, Balhinhas.


Mas quem é que em Alcains, Caféde, e até lá longe nas alminhas, conhecerá o Manuel Simões Roque se não lhe chamar Balhinhas?
Tem agora 66 anos, casado e dois filhos.
Faz e fez muitas coisas boas na vida, Canteiro, Relojoeiro, Ciclista e Músico.
Fui vizinho desta família no Degredo e sempre me impressionou como é que um homem das pedras pode ser relojoeiro?
Mãos que partem pedra que sensibilidade terão de ter para ajustar rodas de escape de terceiros e até de balanço? Claro, não se pode ser tanso.
Já o seu pai me impressionava pela sua aparente calma, quando suado regressava da pedreira e passava o resto da tarde, sentado em pedra de rua, a tocar apenas duas a três notas no seu enorme para mim, contra-baixo...

Mas voltemos ao Mné Balhinhas.

- Canteiro

Acabada a 4ª classe aos 11 anos, sai da escola directamente para as obras, para os Escalos de Baixo por vezes com 6 picos às costas.
Ia de “Orlando”, que é como quem diz, “uma parte a pé e a outra andando”...
Aprende a canteiro com o Ti António Valadeiro, (Cartuxinha) fazendo cantarias para obras, tamancas que são as pedras que suportam as pedras que “trabalham” nas estruturas que as suportam.


Por conta própria, em 1969, foi para o Eirado, Aguiar da Beira fornecer toda a cantaria para o Palácio da Justiça de Trancoso, regressando a Alcains por volta de 1975.
Pelo meio, entretanto, fez a tropa, 1º cabo clarim.
Não emigrou.

- Relojoeiro

Dizia-me, sabes, sempre gostei de mexer naquilo!!!
Dos muitos biscates, só herdou trastes... de corda, automáticos, mecânicos, de tambor e corda, rodas de centro, de segundos e terceiros e até de escape, a que faz o barulho do relógio, a âncora, que segura a rotação e o balanço, e para mostrar desoras, mostrador que mostra horas.


Aprendeu, sem novas oportunidades, a seu custo, com a sua vontade, o seu engenho e arte, adquirindo curso por correpondência para conhecer as peças e poder encomendar material.
Digital, monos, em ilhas, a pilhas.

- Ciclista

Febre de infância, gosto de andar de bicicleta, sair do rame-rame, do anonimato, ter fama, famoso...
Comprada a primeira bicicleta ia para o trabalho com o pai... para lá ia de bicicleta o pai, e, para cá, no regresso, vinha na bicicleta o Manel.

Da esquerda para a direita, Zé Tomé da Mata, Vicente da Lousa e Manuel Simões Roque, Balhinhas, de Alcains, em prova em festa nos Escalos de Baixo.

Destes tempos de ciclismo, tambem o Zé Pires (ver foto) por lá andou, contemporâneo do Manel e do Zé Treze.
Recorda o Manel Balhinhas que, a primeira prova em que concorreu com o Zé Treze, foi na festa do São Luis nos Escalos de Baixo.
Não tinha sequer equipamento.
Já na última volta, vinha à frente e caíu na curva da igreja matriz de Escalos de Baixo.
O Guitarras, assim era conhecido no meio ciclista o Guitarreiro, que participava em todas as corridas mas chegava sempre com a meta já inundada de gente, não lhe emprestou a bicicleta muito menos o Zé Treze que em carro de apoio do Mourinha tinha rodas, pneus e sobressalentes em quantidade e, para a época de qualidade.
E por ali ficou.

Da esquerda para a direita, ciclista de nome, por enquanto desconhecido, Manuel Simões Roque, Balhinhas de Alcains e Zé Pires de Alcains.

O Zé Treze era dois anos mais velho que o Balhinhas, rivais, dividiam adeptos do ciclismo de Alcains.
O espião que vei-o do frio de então, era o Américo Manco, Sportinguista de todos os costados, que terá contado em muito segredo ao Balhinhas que, o Mourinha, tinha arranjado uns rolos que permitiam que, o Zé Treze, treinasse na oficina do Mourinha mesmo em dias de chuva.
Descoberta a tramóia, mais o Balhinhas se encarniçou para bater o Zé Treze em provas futuras.
Mas...
O Mourinha, que conheci e me falava muito dos excelentes ciclistas de Alcains, comprou para o Zé Treze uma moto.
Eles, Muorinha e Zé Treze, iam naquela manhã de 12 de Janeiro de 1965 a uma matação ao Padrão, freguesia de Almaceda.
Tentavam chegar a acordo sobre se deviam ir de moto ou em automóvel, no passeio verde em Castelo Branco junto ao quiosque Vidal, com o Balhinhas presente.
Decidiram-se pela moto...
No regresso, e ao descer as curvas do Padrão, despistam-se, morre o Zé Treze e o Mourinha fica muito mal tratado.
Foi a última vez que estive com o Zé Treze, dizia-me o Balhinhas.
Este, passou então a ser o ídolo da região...o seu forte era a resistência de caixa, toráxica...Gáfete, Alpalhão, Monforte, e nas redondezas onde corria, limpava tudo e todos.
Diz-me o Domingos Bispo, tambem ele ciclista, que era corrente na altura perguntar se o Balhas tambem lá ia...à corrida claro, o que desencorajava outros ciclistas a participar.
A prova rainha que lhe deu mais nome e fama, foi na festa de Santo António em Alcains com duas voltas a começar em Alcains, Escalos de Cima, alto da Lousa, Lardosa e Alcains e à terceira volta ir ao alto da Gardunha e regressar a Alcains.
Vizinho que fui, o Manel distinguia-me sempre no meio da malta que atrás dele ia, com uma palmada nas costas o que aumentava exponencialmente a minha cotação entre a canalha daquele tempo.
Era o meu herói.

- Músico

Pai músico, filho músico teria de ser.
E aos 14 anos foi para a banda tocar Trompa de Nossa Senhora, sabendo já nessa altura as duas primeiras páginas de Solfejo do Freitas Gazul.
Tambem por ali, eu aprendi, com o Ti Manel Pratinha em história de música que por ora interrompi.
O Ti Anselmo na altura Mestre da música, ouvia o pai dizer-lhe que o filho já sabia muita música...e assim foi, começou pelos instrumentos mais simples que são as Trompas.


Com jeito para o compasso, ritmo, vai para a tropa e é desafiado a fazer uns testes nas cornetas.
Sentindo-se noutro nível, lá aceitou a contragosto e quando lhe mandam tirar umas notas, de música claro, fez logo o Toque de Recrutas.
Aprovado com Distinção e Louvor foi de imediato, na 2ª Região Militar, a fazer os “casting” como agora se diz, de futuros Corneteiros e Clarins.
Aprendi com ele que os Corneteiros pertencem à arma de Infantaria e os Clarins às armas de Cavalaria, Artilharia, etc...
Concluída a tropa, regressa à banda assentando agora praça em Trompete.
Era mestre da banda nessa altura, o Sr. Madeira, grande músico no dizer do Manel, que falecera entretanto.O Manel faz então o curso de Maestro e na colónia de férias de São Fiel o Curso de Aperfeiçoamento de Regentes.


Esta foto, tirada na porta principal da Igreja Matriz de Alcains data de 1978 e a banda era constituída pelos seguintes músicos:
De cima para baixo e da direita para a esquerda:

-Francisco, Pintor
-Joaquim Estorino
-Joaquim Simões Roque, Balhinhas.
-Sebastião Paciência
-Joaquim Anes
-Vasco Churro, Moacho.
-José Amoroso Eanes, Muxagata.
-Antero Raposo
-João da Póvoa
-Martinho Carrega, Mochinho, com muita capacidade e gosto.
-Carlos Carvalhinho
-Luis Madeira, ex-maestro
-Manuel Ricardo, Grilo
-António, Morcela
-José Pequenão, Fortunato
-João Robalo
-Manuel Carlos, o caixinha
-Manuel Simões Roque, Balhinhas, maestro em 1979
-Jorge Canhôto
-António Aleluia, Roque
-Carlos Bispo Sousa

Com o falecimento do Mestre, Sr. Madeira, a maestria passou para o Sr.Manuel Leitão, natural do Fundão que acabou por abandonar, e, por unanimidade dos músicos da banda, o Manel Balhinhas acabou por assumir a responsabilidade de Maestro da Banda Filarmónica de Alcains, em 1979.
Actuaram em todas as festas nos arredores, e conta que, certa vez foram convidados para irem tocar à Mata, numa segunda feira de Páscoa à festa de S. Pedro.
Havia no entanto um festeiro que, só autorizava que a banda fosse tocar à festa, se soubesse tocar o S. Pedro.Manda o Manel que o festeiro entoasse um pouco da música, e, chega à conclusão que se trata da peça Alvíssaras, que também tocavam à Santa Apolónia apenas com outra letra.
Fez a partitura com as partes cavas, e o desdobramento da partitura para cada instrumento e lá cumpriram o contrato.


Esta foto foi tirada frente ao edifício da Câmara Municipal de Trancoso, em 1979.
Os músicos pela mesma ordem eram os seguintes:

-Joaquim Simões Roque, Balhinhas
-Ana Paula Simões, Balhinhas
-Fernanda, Cantôa
-Manuel Ricardo
-Esmeralda Pequenão, Pireza
-Carlos Bispo
-António, Morcela
-Vasco Churro, Moacho
-João Robalo
-Jorge, Canhôto
-Martinho Carrega, Mochinho
-Carlos Carvalhinho
-Manuel Carlos, Caixinha
-Sebastião, Paciência
-Jose Anes Amoroso,Muxagata
-Joaquim Estorino
-Francisco, Pintor
-João da Póvoa
-Manuel Simões Roque, Balhinhas, maestro 1 mês depois.
-Antero Raposo
-Manuel Leitão, era o maestro do Fundão.

A convite do Sr. António Loureço Barata, Terlé, foram à Feira Internacional de Lisboa a um encontro de Alcainenses, visitaram o Palácio de Belém onde foi servido um Porto de Honra oferecido pelo nosso conterrâneo Gen. Ramalho Eanes, à data Presidente da República.
Hospedados em hotel a estrear, visitaram com o Sr. J.Pimenta os seus empreendimentos de hotelaria em Talaíde, e não se esquece de ter visto entre 30 a 40 carros a que os trabalhadores deitaram fogo, nos idos do 25 de Abril.
Porque por essa data estava de serviço à Junta da Freguesia de Alcains, acompanhei de muito perto a actividade da banda e por tal facto insiro foto de inauguração do Infantário da Pedreira.


O Manel Balhinhas regeu pela última vez a banda em 8 de Dezembro de 1982, na festa em Alcains, da Nossa Senhora da Conceição.
Acabou assim a banda de Alcains, da qual tantas histórias de músicos se contam, que todos desde pequenos ouvimos, postal ilustrado de uma terra que alegrou tantas e tantas gentes, dinamizadora cultural de rudes homens das pedras, de sapateiros, pintores, canteiros e pedreiros, agricultores, estudantes, homens e mulheres, que através da música, da lei da morte se libertaram...
Se com esta fotos e do longo texto contribuir para o não esquecimento desta gente, cumpri parte do meu objectivo.
O Manel Balhinhas, canteiro, ciclista, relojoeiro e músico fez muito por Alcains, com a sua votade o seu esforço e principalmente com a sua seriedade, não tem sequer um instrumento em casa, dos muitos que havia e que todos desapareceram...
Honrou a sua terra, saiba agora a sua terra reconhecer o mérito a este HOMEM.
Obrigado, Balhas...

Manuel Peralta