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domingo, 12 de setembro de 2010

“MOLEIRO”, JOÃO DOS SANTOS.

...dos diabos não conheço nenhum, mas dos Santos, todos claro, conheço vários Joões... um calceteiro, um canteiro e um empreiteiro que me lembre.
Mas, quem conhecerá João dos Santos, canteiro, se não lhe chamar Moleiro?

Este sorriso que a custo consegui arrancar, retrata um momento feliz em casa de artista, agora em sofá sentado, enquanto com lista de espera de nove meses, aguarda serenamente por intervenção cirúrgica a uma hérnia que tanto o incomóda.
Oitenta e nove anos, tantos quanto a esposa, Joaquina Lopes dos Santos, com quatro filhos, um rapaz e três raparigas, vivem ali na Travessa das Pedras do Sal em casa de quintal com atelier ali à mão.

MOLEIRO porquê?

Os seus pais, António Dias Opinião e Maria da Conceição, (Mergulha), eram moleiros e até aos 17 anos o Ti João por ali viveu lado a lado com a Ocrêza, por vezes de águas têsas, com bordalos e barbos no açude que lhe deu saúde...
Portanto, aquilo que foi a profissão dos pais e a dele até aos 17 anos, passou como apelido para ele, e, claro como em leira de terra fértil, houve mais moleiros que vinho mas agora sem moinho...
Naqueles tempos, 1910, 20, até 1960, havia na ribeira da Ocrêza, seis moinhos, dos quais refiro os seus proprietários:


-de António Dias Opinião
-do Cartucho
-do Mergulho
-do Simão Martins

-do Carvalho, e

-do António Albano.

Sobre moinhos, relembro uma das quadras que em pequeno cantava, dirigida à Ti Ana Castilho, casada com o Ti António Opinião e que durante muitos anos viveram no moinho, e, ali com o meu pai e outros amigos, comêmos excelentes migas de peixe. Cantava assim:

Óh ti Ana do moínho,
Do moínho do outeiro.
Vale mais o seu moínho,
Do que vale o mundo inteiro...

Cansado daquela “moadeira”, que lhe moía a vida, e já que condenado estava ao pó, decide então trocar o pó da farinha pelo pó da pedra e lá foi aprender a arte de canteiro.
Andavam então os trabalhos na estrada nacional 18 entre Castelo Branco e Covilhâ, cujo sub empreiteiro era o Sr. João Dias, (Grêlo) que foi seu mestre.

As “primeiras luzes” foram em lancil, depois em vergas, pontões, fontenários até que subindo de categoria e à medida que amadurecia, o seu talento foi desabrochando, suando, andando...
Porque estão por aí, dispersas, relembro algumas das obras mais relevantes do Ti João Moleiro:

-Brazão da praça de Sertã.

-Brazão da praça do Tortozendo.
-Brazão do quartel da Guarda Fiscal de Almeida.
-Brazão da família Resende em Vale de Azares.

-Brazão do Palácio da Justiça da Covilhâ.

-Brazão da Escola Técnica da Covilhã.(Por cima do Palácio da justiça)
-Emblema da cidade da Guarda, que foi oferecido à Nossa Senhora de Fátima, em Fátima.
-Cruzeiro do Bom Jesus em Famalicão da Serra. Este cruzeiro tem braços de dois metros o que dá uma ideia do monumento.
-Em Aldeia do Souto, para o Sr. António Dias Freire, vários fontenários para quinta particular.

Esta é a arte dos canteiros Alcainenses, a que eu chamo “eternamente emigrada”, sem retorno às mãos que as fizeram...(se alguém passar por estes locais e quiser ou puder tirar foto, que a envie para o Terra dos Cães para ser publicada e aqui ficar registada), até que entidade responsável se decida a recolher, classificar, e ordenar para memória futura em museu ainda muito pouco de canteiros...
Passou a Mestre e a ensinar quem queria aprender...o Samarra, o Oliveira, o Zé Martinho, o Esgueira e até o seu filho, José Lopes dos Santos que chegaram a ter a cargo pedreira com cerca de 20 canteiros.
Foram poucos os canteiros de Alcains que não trabalharam para e com o Ti João.

Ia para a Covilhâ tirar medidas e o filho que tomava conta da pedreira ia à noite para Castelo Branco estudar, e claro abandonou as pedras.
Desemborrassava, que palavra de canteiro, linda de Alcainês das Pedras do Sal, os que queriam e não sabiam, mas pouco havia a fazer com os que não sabiam e não queriam trabalhar.

Da sua arca de tesouros, retira colecção que a foto abaixo reproduz, de “arte em pedra” esculpida sem molde, de cabeça e mãos que tantas vezes içaram o fio de prumo, braços cansados do bater da picóla, mão calejadas do cabo de carvalho e do peso da massêta, da bola em pedra com que tantos canteiros honraram o GDA, do machado que não cortava “a raíz ao pensamento” aos pedreiros livres que havia...

Por tudo o que foi dito, bem se pode considerar o Ti João Moleiro como um ESTATUÁRIO.
E por tal relembro o Padre António Vieira, que viveu no século XVII, natural de Lisboa, e que faleceu com cerca de 90 anos.

Coligida em Sermões e Cartas a obra que nos legou, é marco importante da cultura e da língua portuguesa, e o seu poema O ESTATUÁRIO, retirado do livro, Leituras da quarta classe, enquadra também POESIA EM PEDRA DO TI JOÃO, em obra recentemente por si esculpida.

O ESTATUÁRIO

Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas,
Tosca, bruta, dura, informe.


E, depois que desbastou o mais grosso,
Toma o maço e o cinzel na mão,


E começa a formar um homem.

Primeiro, membro a membro
E depois feição por feição, até à mais miúda.

Ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa,
Rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz,


Abre-lhe a boca, avulta-lhe as faces,
Torneia-lhe o pescoç
o, estende-lhe os braços,

Espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos.
Lança-lhe os vestidos,


Aqui desprega.
Ali arruga,


Acolá recama,

E, fica um homem perfeito,

E, talvez um santo,

Que se pode por no altar.

Padre António Vieira

Durante cerca de mês e meio, quase todos os dias, tive o grato prazer de conviver de perto com o Ti João na elaboração do POEMA EM PEDRA que acima se reproduz.
ANJO “NAIF” DE GRAVATA ÀS RISCAS, trabalhado com uma colecção de cinzéis, quais bisturis de cirurgião, quais canetas de escritor em pedra, com riscóte riscado em pedra de granito cortada, por detrás do Infantário da Pedreira.
Relembro o Ti João de boné na cabeça, sentado no seu atelier de ar livre, qual sala de operações, em que cada pancada falsa em pedra pode matar obra sonhada de “homem perfeito, e talvez um anjo que se pode por no altar”...
Foi um prazer ter estado tão perto do Ti João Moleiro.

Manuel Peralta

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ALCAINS - RUA DOS MORTÓRIOS, PORQUÊ?

Descia Degredo abaixo a caminho da Levandeira e depois de, à esquerda, dobrar a primeira galariça, avistava-se então o cólo da Líria ali denominado por ribeiro do Pinheiro em homenagem a um pinheiro, negligentemente abatido, de enormíssimas dimensões em porte e altura, que era um devaneio para Pios, Cambalhotas, Lêtchas e Zópas no treino de calhoada em pinhas, prenhes de pinhões pendurados em pescoços com linhas...
Depois da ponte o lagar, e, pelo lado nascente entrava na rua dos Mortórios.
Mortórios, nome receoso para candidato a rapaz então com sete a dez anos, de marrafa feita com mistura ténue de água e açúcar que entre duas “crutas” cocorutas, afunilavam profundo risco lateral a caminho da missa dominical.
Ia por ali, a mando de minha mãe, pedir a bênção à minha tia Ana Minhós, solteira, da Dona Josefina Marrocos Taborda Ramos, cozinheira, do Sagrado Coração de Jesus, devota, de Deus, temente, e que nunca rezava menos que uma unidade, isto é, três terços, Fátimamente apelidado de Rosário e a quem o meu avô materno, com quem vivi até aos vinte anos, enxofrava de forma solene... quem muito reza de alguma coisa se teme!!!
Assim como naquela imagem que, no meu quarto com marmelos e uvas pendurados nos caibros do soalho, de menino a atravessar ponte em ruina protegido por Anjo da Guarda, a rezar me ensinava o meu pai, enquanto fiscalizava colheita de bago... Deus é bom, e o Diabo tem dias ...
E assim, por mortórios, ia à missa dominical do Sr. Vigário e ao Tantum Ergum, Sacramentum, do Ti Manuel Sacristão.
Mas Mortórios, porquê?
Em tempos muito idos, houve uma praga que dizimou por todo o lado as videiras.
Esta praga começava pelo amarelecimento das folhas, pela secagem dos gomos, das vides, e por fim das cêpas que lentamente iam perdendo a acção, adormecidas, do lado oposto das vidas.
Esta praga, denominada “FILOXERA” matou as vinhas, e a estes cemitérios de videiras chamaram então Mortórios, vindo daqui presumo eu, o nome de Rua dos Mortórios.
Para toda a Europa vieram então dos Estados Unidos porta enxertos híbridos, que permitiram debelar a praga e hoje até as Terras de Granito, ao que consta, dão bom vinho.
Só que a rua dos Mortórios, em Alcains, diz-me o Palhinhas e eu constatei no local, ainda está com a “Flóqséria”, isto é a calçada é uma vergonha, desde o tempo dos esgotos que nunca foi mexida, a erva nasce e prolifera desde a entrada da rua do Ribeirinho até à quelha do “Polainas”, a calçada ainda é do tempo em que o Ti Domingos Barata esteve na Junta, e a Ribeira da Líria que por ali em esgoto corre, é todos os anos tamponada com plástico preto pelos Serviços Municipalizados de Castelo Branco, tentando com este passo de mágica, persuadir os maus cheiros a irem em êxtase explodir, em perfume raro e casto, nas sarjetas do Lar Major Rato.
Aquele ecran preto que convido a visitar, atesta bem a consideração e o respeito pelos moradores e é o espelho dos Serviços...
Por cá esta filoxera é muito comum, a maioria das ruas de Alcains são autênticos Mortórios, sem limpeza, com falta de projecto, agressivas na escuridão da iluminação deprimente, sem gente, ausente.
Ali nos Mortórios pouco ou nada mudou, o Palhinhas, o Bonanza, o Finfas o António Barata e outros moradores limparam a sua testada, cumpriram a sua missão, melhoraram as casas, limparam quelhas mesmo no meio de muitas casas velhas.
Pagam IMI, e taxas aos Serviços, se não limpam, vivem nos lixos.
A água que abastece os moradores ainda corre em tubos de lusalite, quando é sabido que, até nos telhados das escolas, as autoridades sanitárias intimaram os responsáveis a retirá-los.
Entretidos que andam com o projectos da dita modernidade, os reponsáveis esquecem as suas obrigações nas necessidades básicas dos munícipes.
Em Alcains, nos Mortórios, aquela rua que ainda é o que era, continua com filoxera.

Texto publicado no Reconquista de 09.09.2010

Manuel Peralta

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CONJUNTOS MUSICAIS - Tranquetenas do Ritmo

Em página anterior dei a conhecer um pouco do que a minha memória recorda, em passos muito largos, sobre a evolução das actividades musicais que timidamente despontavam em Alcains.

Já com os Beatles em consolidação, um pouco por todo o país e também em Alcains, apareceram os conjuntos musicais.

Tal como o nome indica TRANQUETENA, parece ser assim uma "coisa sem jeito", "fora do comum", "que não tinha por onde se pegar" assim me dizia o Tó Damas que aparece na foto em pose de viola solo, com casaco de músico a assertoar de seis botões.
No entanto penso que Tranquetena, derivará popularmente de Traquitana, que era um carro desconjuntado e reles, segundo o Torrinha de boa memória.
Foi ele Tó Damas que, aprendiz de serralheiro na Metalúrgica ISIDROS, construiu a caixa e da pele curtida de um borrêgo do tio, fez assim o primeiro instrumento dos Tranquetenas do Ritmo.

Entretanto, nos intervalos das corridas das festas populares, calhou ao Domingos Bispo o lugar de Baterista, que a foto documenta de melena ao léu, gravatinha centrada na camisa branca de TV, e de sapatinho engraxado marcava o ritmo dos Tranquetenas com as báguétes de mogno ressonando na caixa e no réco-réco.
Mas o verdadeiro ideólogo de tal aventura, qual Jonh Lennon em ascenção, era o Tonéca Caldeireiro que de micro em punho, casaco desapertado , cabelo maior que as orelhas e de porta chaves pendurado na presilha das calças, desafiava pelo estilo e concentração, qualquer Calvário ou Garcia.
Diz-me o Domingos Bispo que ele, Tonéca Caldeireiro lia muito, nomeadamente a Revista Plateia e por aí sabia o que se passava no meio musical, já tinha em casa um rádio, e tudo isso era uma vantagem adicional.
Era no dizer do Domingos o que tinha mais jeito.

Por último,o João Tchéna que não cantava, pois fumava, tinha estilo quase igual ao do Tonéca e parece que tocava banjo ou banjola, solista eventualmente quando o Tó Damas decidia fazer de viola ritmo.

Eram estes quatro jovens que não compondo,cantavam as cantigas dos outros, na eira do Ti Caldeireiro, pai do Tonéca, e ali podiam berrar à vontade, ninguém os ouvia, e nem os seminaristas incomodavam... ensaiavam à noite à luz de petromax... não havia por ali luz eléctrica.
Nenhum deles sabia uma nota de música, mas conheciam as cordas, faziam algumas posições... pois não sofriam das costas... aquilo era para cima e para baixo,com palhêta a silvar nas cordas.

O maior êxito conhecido, com música de "Coimbra Menina e Moça" foi uma letra não protestada que rezava assim:

O amor é de nós dois,
De nós dois e mais ninguém.
Quero que tu sejas minha,
Pra te amar ó meu bem.

Mas... há sempre um mas... e, recebendo um convite para ir tocar a um casamento de amigo aos Escalos de Baixo, acompanhando um acordeonista, iam "a de comer", um deles faltou e foi suibstituído pelo Manuel Pereira e parece ter havido um "quiprócuó" com o emblema que era uma clave de sol sob estrela de três pontas...

Quando passou a febre, acabou.

Manuel Peralta

MÚSICOS/MÚSICA - Bandas e Fadistas, Conjuntos e Acordeonistas... demais artistas.

Onde hoje está o edifício da praça, existiu antes um café propriedade do Sr. José Fortunato, baptizado popularmente por "café do Fláitas", que, pelo entusiasmo do Sr. Fortunato e pelas suas inatas qualidades musicais, funcionou por volta de 1965 durante meia dúzia de anos como a sala de ensaios dos "a caminho de músicos" de então.
Zé Ribeiro, falecido, Manuel "Vaquinha", irmãos Messias, Manuel "Bálhinhas", Sr. Fortunato... e apareciam por lá dois aspirantes a artista, um a baterista, João Preto, e outro a vocalista, Manuel Peralta.
Ficaram pelos ensaios, e, por vezes, actuavam frente ao café do Sr.Fortunato para ali atrair clientes.
Como se vê, não foram muito longe...
Antes, e por espírito santo de orelha meu, isto é de ouvido, Alcains teve um "jáze" onde os Rafaéis, Moisés, João, dois Josés, entre outros com Joaquim Teixeira incluído, com instrumentos de sopro e violino, formaram o dito "jáze" que parece ter deliciado e encantado as gentes de Alcains, em serenatas, nas festas de Natal e sempre que alegria familiar a tal convidava.
O Vaquinhas com o seu acórdeon seguiu o seu caminho em casamentos, descascas e voltas da malta da inspecção por vezes, acompanhado pelo João Preto de bateria (2 pratos, taróla, bombo e réco-réco), e uma vez por outra o Peralta, munido de voz e massanêtas oferecidas pelo Sr. Fortunato.
Os manos Messias actuavam nas variedades nos teatros, acompanhando o Anselmo, a Deolinda (Pirilau) um ou outro fadista de Castelo Branco e o próprio Manuel que tinha e tem voz...
O Manuel Bálhinhas vinha da banda e para lá retornou...
Entretanto na Europa, o Maio de 1968 em França, decretou que era proibido proibir... e a libertação de ditos velhos usos e costumes entrou pela casa dentro como cão em vinha vindimada...nada a fazer portanto.
O Simão Lêtcha, qual Elvis Presley do Degrêdo, ensaiava e ensinava na praça frente à tasca do Ti Domingos da Venda, os passos de “twist” para gáudio de todos os aspirantes a cabeludos de melena a tapar olhos e calças à boca de sino...
Elas, as moças, enquanto iam de caldeiro de encher à fonte, começaram a por algodão em rama para encher as malgas dos “soutiens” a calçar socas que lhes aumentava a altura, e uma ou outra mais ousada começou em testes de mini saia...
Entretanto, nas comédias da rua da Fonte, o Raúl Pirilau que se oferecia sempre como voluntário para as mandingas dos palhaços, alçava o rabo onde o palhaço introduzia o bico do funil e de lá saíam metros e metros de rolos de fita de carnaval par júbilo de toda a canalhada que pensava que iam sair sardinhas...
Baladas, baladeiros, zip-zip, página um, este disco é intocável mas não é inquebrável que deu que falar... o soldadinho não volta... do outro lado do mar...
Bailes à porta aberta e fechada, de estudantes, das costureiras do Sr. José Marques e Dª Palmira, mestra, com o gira discos do Alírio e do Rabeca...
Escuteiros e anti-escuteiros, fogos de conselho, acampamentos, teatros, dramas... matei o meu filho, advogado da honra, entre giestas... comédias, operêtas pelo que o demais são trêtas.
Conjuntos...

Manuel Peralta

PARDAL - João Rodrigues Barata

Pardal viajado, o Ti João, suportou os calores do Baixo Alentejo construindo o Quartel de BEJA, na ampliação do Liceu de NUNO ÁLVARES em CASTELO BRANCO, onde se destacam umas primorosas letras esculpidas no granito, ou em CELORICO da BEIRA numa emblemática ponte sobre a linha de caminho de ferro, que eu bem conheço.
Hoje com 84 anos, casado, fez a quarta classe aos 14 anos e depressa passou para as pedras... uma verga aqui, uma torse acolá, um lintél mais álem e muitos mas mesmo muitos juntores para casas de muitos doutores... em Serpa, na Guarda, no Paúl, no Monte Trigo, em Moura e até em Pias onde ao que consta tinha tias...
Tirou a carta de Canteiro com os mestres António David e José Rôxo.
E porque o tenho como homem sério, em Vale de Lobo também andou ao minério.
Trabalhando para um GRANDE ALCAINENSE, o Sr. António Loureço Barata, vulgo TÉRLÉ, construiu em Lisboa para a Marinha as cantarias do Arsenal do Alfeite.
Mas PARDAL, porquê?
Eram cinco irmãos, 2 catchópos e três catchópas.
O irmão chamava-se Arnaldo e tinha a pele mais escura e por esta evidência, apelidaram-no de Farrusco.
Ora o farrusco, para os estudiosos da ornitologia, estudo das aves, é uma espécie de pardal com as penas mais escuras, algumas, as remiges, até são mesmo pretas.
Como o Ti João tinha e tem a pele mais clara, claro, apelidaram-no de PARDAL, até hoje e para sempre.
Durante sete anos, por volta de 1962, teve uma sociedade com o Joaquim Fradique, e durante 32 anos com o Manuel Maria Sanches, precocemente falecido, teve uma das melhores empresas de granitos de ALCAINS, a Sanches & Barata, cuja actividade se iniciou em 1969.
PARDAL velho que é, não cai em costil, ronda-o, estuda-o e espera que farrusco novo e imprevidente entre de frente ao grão de milho... depois de atefegado, Pardal velho come então o milho, relaxado...

A propósito, conhece em Alcains o Sr. João Rodrigues Barata?
Não!!!
E o Ti João Pardal?
Quem não conhecer, presumo que anda mal...

Manuel Peralta