Valente susto dos Geada, Zé e Manel.
Recebi assim mais este precioso contributo.
??? 12/08/905
Estimo que estejas de saude, bem como todos os teus; eu mal do peito e do figado e com muita bilis. Isto por aqui na mesma. Perdoa-me não alargar-me mais, mas o meu estado não o permite. Escreve sempre; pois a unica alegria que aqui sinto é quando chega o vapor e recebo noticias de todos que me são cáros. Sinto-me muito fraco e parece-me que a vida se me vai extinguindo; também já não é sem tempo??? Tal vão os teus negócios? Recomenda-me a todos os teus e aceita um apertado abraço??????
Recordo-me de a minha avo materna dizer muitas vezes, que na antiga Rua Longa havia uma farmacia, no local onde o Sr. José Marques Rafael tinha a alfataria. Seria este senhor a quem o postal é endereçado o proprietario?
Eu diria que sim,
Ja viste o desespero e a nostalgia que se adivinha ao ler-mos o postal deste emigrante?
Ha algumas palavras que nao consegui decifrar, ve la tu se consegues.
Um abraço.
...bom, só quando abri os "attach" me apercebi que afinal os "geada" ou "códon"como dizia o meu avô materno, pastor de profissão e que com 93 anos faleceu, estavam bem do fígado, melhor do peito e que a bílis ou fel tinha apenas umas pequenas lamas decantadas, coisa sem importância... podia continuar a beber "cléps" assim é denominada a imperial ou fino na "nhós terra, cabo verde"...

Este documento, postal de Cabo Verde, perfaz ao próximo dia 12 de Agosto 105 anos que foi enviado presumo que do Mindelo, capital da ilha de S. Vicente pois era ali que atracavam os vapores, barcos a vapor que ligaram a África à América em comércio de escravos primeiro e depois em rotas comerciais entre o continente e aquela ao tempo portuguesa província, assim está impresso no dito postal.
Desempenho profissional levou-me para a "nhós terra", nossa terra, Cabo Verde onde estive ano e meio e estive várias vezes em visita de trabalho no edifício onde este postal foi expedido, no edifício dos CTT de Cabo Verde, edifício lindo no Mindelo.

...a vida a limpo, clara, para todos lerem, sem segredos de degredos, exílios de emigrantes... como seria o Mindelo em 1905?
Já tinha decerto o Monte Cara, já estava construida uma réplica da Torre de Belém, não teria aeroporto, muito menos água dessalinizada, mas teria por certo, mornas, coladeiras, funáná, ferro-gaita qual pária sem Cesária.
A todos os que nos lerem e sobre as questões levantadas pelos Geada agradeço a vossa colaboração.
Quem seria o primo do farmacêutico?
Teria emigrado? Porque razão?
Seria militar em comissão de serviço?
Se o postal fosse da ilha de S. Tiago e escrevesse do Tarrafal, não seria necessário por mais na carta, digo no postal...
Obrigado
Manuel Peralta
Recebi assim mais este precioso contributo.
??? 12/08/905
Estimo que estejas de saude, bem como todos os teus; eu mal do peito e do figado e com muita bilis. Isto por aqui na mesma. Perdoa-me não alargar-me mais, mas o meu estado não o permite. Escreve sempre; pois a unica alegria que aqui sinto é quando chega o vapor e recebo noticias de todos que me são cáros. Sinto-me muito fraco e parece-me que a vida se me vai extinguindo; também já não é sem tempo??? Tal vão os teus negócios? Recomenda-me a todos os teus e aceita um apertado abraço??????
Recordo-me de a minha avo materna dizer muitas vezes, que na antiga Rua Longa havia uma farmacia, no local onde o Sr. José Marques Rafael tinha a alfataria. Seria este senhor a quem o postal é endereçado o proprietario?
Eu diria que sim,
Ja viste o desespero e a nostalgia que se adivinha ao ler-mos o postal deste emigrante?
Ha algumas palavras que nao consegui decifrar, ve la tu se consegues.
Um abraço.
...bom, só quando abri os "attach" me apercebi que afinal os "geada" ou "códon"como dizia o meu avô materno, pastor de profissão e que com 93 anos faleceu, estavam bem do fígado, melhor do peito e que a bílis ou fel tinha apenas umas pequenas lamas decantadas, coisa sem importância... podia continuar a beber "cléps" assim é denominada a imperial ou fino na "nhós terra, cabo verde"...

Este documento, postal de Cabo Verde, perfaz ao próximo dia 12 de Agosto 105 anos que foi enviado presumo que do Mindelo, capital da ilha de S. Vicente pois era ali que atracavam os vapores, barcos a vapor que ligaram a África à América em comércio de escravos primeiro e depois em rotas comerciais entre o continente e aquela ao tempo portuguesa província, assim está impresso no dito postal.
Desempenho profissional levou-me para a "nhós terra", nossa terra, Cabo Verde onde estive ano e meio e estive várias vezes em visita de trabalho no edifício onde este postal foi expedido, no edifício dos CTT de Cabo Verde, edifício lindo no Mindelo.

...a vida a limpo, clara, para todos lerem, sem segredos de degredos, exílios de emigrantes... como seria o Mindelo em 1905?
Já tinha decerto o Monte Cara, já estava construida uma réplica da Torre de Belém, não teria aeroporto, muito menos água dessalinizada, mas teria por certo, mornas, coladeiras, funáná, ferro-gaita qual pária sem Cesária.
A todos os que nos lerem e sobre as questões levantadas pelos Geada agradeço a vossa colaboração.
Quem seria o primo do farmacêutico?
Teria emigrado? Porque razão?
Seria militar em comissão de serviço?
Se o postal fosse da ilha de S. Tiago e escrevesse do Tarrafal, não seria necessário por mais na carta, digo no postal...
Obrigado
Manuel Peralta







