Em terra de quase ninguém, para lá da linha de caminho de ferro, depois da "tcharca do cambalhota" Zé Maria de nome próprio, e antes da fonte Moreira, ergue-se a capela de S. Pedro que a foto documenta em segundo plano com cara repleta de pano.
Pano que revelava no tempo de meus pais, cara sem cuidados, sub alimentada, pouca higiene e ausência completa de qualquer creme...assim está a capela de S. Pedro que tem em frente um agora amputado cruzeiro ainda com base e fuste, mas já sem capitel...
Competindo ali tristemente com outras cidades que dia a dia vão perdendo também herdados estatutos de capital distrital, Alcains no cruzeiro da capela de S.Pedro, perdeu já o seu capitel.
Bem trovava Manuel Freire o arco em ogiva, o vitral, o contraponto, a sinfonia, a máscara gregra, na magia do Tó Gedeâo, retorta de alquimista com quem aprendi na base do fuste, o capitel...
Eles não sabem que o sonho... encimado no capitel, um santo padroeiro de doenças do foro mental protegia após promessa de santóruns, rezas de crianças e adultos na base do cuzeiro, curas para maleitas curadas com fé, santóruns de pão e brôa, mastigados sofregamente em percursos a pé, por gente cujas preces subiam da base ao fuste e, no capitel, ao Santo sabiam a mel...
Tradição por mim vivida e participada em promessa familiar por volta de 1950, com mais onze santórados, tantos quanto os apóstolos, que do degrêdo até S. Pedro, partiram em aventura de rosário rezado por tia, que de cesta na cabeça santorada de brôa quente e pão estaladiço afastava qualquer enguiço.
Alcains, frente à capela de S. Pedro, em cruzeiro por enquanto sem capitel está mais pobre mas a seu tempo poderá ter remédio.
Onde já não há, foi naquilo que em mandato anterior se destruiu, as casas antigas junto da igreja matriz nomeadamente a do Sr. Francisco Lopes, mais duas casas vizinhas, bem como a da Dª. Josefina Marrocos Taborda Ramos da qual não se sabe sequer o paradeiro da enorme e excelente grade em ferro fundido da varanda de granito existente.
No maior atentado de sempre feito ao parco património arquitectónico de Alcains, resta uma ferida que não mais sarará, um Kosovado largo com traseiras de quintais degradados, uma terra de ninguém enfim uma agressão urbanística que, só mente iluminada de arquitecto experiente, poderá minorar.
Voltando a S. Pedro e agora que a REFER decidiu fazer vultuoso investimento na electrificação da linha e na estação de passageiros, com a gigante passagem superior para peões bem como com a passagem superior para viaturas sobre a linha de caminho de ferro, passagem esta que alterará por completo mas para melhor a imagem que se tem da zona, a visão que se terá da capela e do amputado cruzeiro contrastará em pobreza com a gigantesca obra da REFER.
Sem qualquer cerca ou marco que a delimite, toda a envolvente à abandonada capela de S. Pedro apresenta degradação, matos, silvas e toda uma prole de infestantes que em nada são inferiores à degradação existente nas paredes da capela.

Este abandono este desprezo que por ali campeia, também se observa em Alcains nos degradados passeios para peões, nos sinais de trânsito instalados no meio de passeios estreitos que obrigam as pessoas a ir para a estrada, no degradado mobiliário urbano, na ausência de iluminação noturna de qualquer monumento, na falta de limpeza da generalidade das ruas, na falta de respeito para com cidadãos diferentes que não conseguem acessos por fata de rebaixamento nos passeios para os seus meios de locomoção.
Aqui há que referir o excelente trabalho feito nos bancos (CGD e BCP) e agora na Igreja Matriz que revelam respeito pelos cidadãos no acesso aos serviços, esperando-se que embora tardiamente os autarcas de serviço compreendam a lição de luva branca e actuem em conformidade.
Com a liquidez proporcionada pela venda da água cara e património conexo que todos pagámos, faz-se na capital investimento de substituição de prioridade mais que duvidosa enquanto que em Alcains na parte antiga continua-se a beber água que, na rede velha, corre ainda em canos de lusalite.
As autoridades sanitárias obrigaram em tempos todas as instituições com este material em serviço a retirá-lo e substituí-lo por material que não apresente riscos para a saúde.
Por cá estamos assim, esperando que, com as obras da REFER concluidas, Alcains tenha então um local capaz para ver passar combóios...
Manuel Peralta
Pano que revelava no tempo de meus pais, cara sem cuidados, sub alimentada, pouca higiene e ausência completa de qualquer creme...assim está a capela de S. Pedro que tem em frente um agora amputado cruzeiro ainda com base e fuste, mas já sem capitel...
Competindo ali tristemente com outras cidades que dia a dia vão perdendo também herdados estatutos de capital distrital, Alcains no cruzeiro da capela de S.Pedro, perdeu já o seu capitel.
Bem trovava Manuel Freire o arco em ogiva, o vitral, o contraponto, a sinfonia, a máscara gregra, na magia do Tó Gedeâo, retorta de alquimista com quem aprendi na base do fuste, o capitel...
Eles não sabem que o sonho... encimado no capitel, um santo padroeiro de doenças do foro mental protegia após promessa de santóruns, rezas de crianças e adultos na base do cuzeiro, curas para maleitas curadas com fé, santóruns de pão e brôa, mastigados sofregamente em percursos a pé, por gente cujas preces subiam da base ao fuste e, no capitel, ao Santo sabiam a mel...
Tradição por mim vivida e participada em promessa familiar por volta de 1950, com mais onze santórados, tantos quanto os apóstolos, que do degrêdo até S. Pedro, partiram em aventura de rosário rezado por tia, que de cesta na cabeça santorada de brôa quente e pão estaladiço afastava qualquer enguiço.
Alcains, frente à capela de S. Pedro, em cruzeiro por enquanto sem capitel está mais pobre mas a seu tempo poderá ter remédio.
Onde já não há, foi naquilo que em mandato anterior se destruiu, as casas antigas junto da igreja matriz nomeadamente a do Sr. Francisco Lopes, mais duas casas vizinhas, bem como a da Dª. Josefina Marrocos Taborda Ramos da qual não se sabe sequer o paradeiro da enorme e excelente grade em ferro fundido da varanda de granito existente.
No maior atentado de sempre feito ao parco património arquitectónico de Alcains, resta uma ferida que não mais sarará, um Kosovado largo com traseiras de quintais degradados, uma terra de ninguém enfim uma agressão urbanística que, só mente iluminada de arquitecto experiente, poderá minorar.
Voltando a S. Pedro e agora que a REFER decidiu fazer vultuoso investimento na electrificação da linha e na estação de passageiros, com a gigante passagem superior para peões bem como com a passagem superior para viaturas sobre a linha de caminho de ferro, passagem esta que alterará por completo mas para melhor a imagem que se tem da zona, a visão que se terá da capela e do amputado cruzeiro contrastará em pobreza com a gigantesca obra da REFER.
Sem qualquer cerca ou marco que a delimite, toda a envolvente à abandonada capela de S. Pedro apresenta degradação, matos, silvas e toda uma prole de infestantes que em nada são inferiores à degradação existente nas paredes da capela.

Este abandono este desprezo que por ali campeia, também se observa em Alcains nos degradados passeios para peões, nos sinais de trânsito instalados no meio de passeios estreitos que obrigam as pessoas a ir para a estrada, no degradado mobiliário urbano, na ausência de iluminação noturna de qualquer monumento, na falta de limpeza da generalidade das ruas, na falta de respeito para com cidadãos diferentes que não conseguem acessos por fata de rebaixamento nos passeios para os seus meios de locomoção.
Aqui há que referir o excelente trabalho feito nos bancos (CGD e BCP) e agora na Igreja Matriz que revelam respeito pelos cidadãos no acesso aos serviços, esperando-se que embora tardiamente os autarcas de serviço compreendam a lição de luva branca e actuem em conformidade.
Com a liquidez proporcionada pela venda da água cara e património conexo que todos pagámos, faz-se na capital investimento de substituição de prioridade mais que duvidosa enquanto que em Alcains na parte antiga continua-se a beber água que, na rede velha, corre ainda em canos de lusalite.
As autoridades sanitárias obrigaram em tempos todas as instituições com este material em serviço a retirá-lo e substituí-lo por material que não apresente riscos para a saúde.
Por cá estamos assim, esperando que, com as obras da REFER concluidas, Alcains tenha então um local capaz para ver passar combóios...
Manuel Peralta




