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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Rafeiro de Lata

Quem entra em Alcains pelo cruzamento de S. Domingos e lê com atenção a placa que situada à direita pretende dar as boas vindas e anuncia o que pode disfrutar em Alcains, não deixará de ficar surpreendido com o erro de ortografia que se pode prestar a confusões. Parece que apenas só os visitantes de nome Benvindo tem direito a saudação e não se saudam todos os que nos visitam com a expressão, Bem Vindos. Como já em tempos o Bruno Pereira na revista ALZINE chamou a atenção para o erro e nada foi feito, volto agora eu à liça esperando que tal erro seja corrigido.


Cometi idêntico erro que o editor do terra dos cães decerto se apressará a corrigir. A foto é por demais explicativa do persistente erro herdado pelos actuais autarcas que decerto corrigirão... a bem da ortografia e da terra deles... que é a nossa.

Manuel Peralta

terça-feira, 15 de junho de 2010

Curiosidades históricas. Indultos

Como vamos fazendo cada vez mais "delete" ao papel e na terra deles têm caído umas "geadas" de se lhe tirar o chapéu, está cá uma russa hoje...deve haver caramelo...assim se dizia no Degredo, considero que vale a pena dar à estampa uns indultos uma espécie de NEP religiosas que convido a ler e tresler tal é a riqueza da prosa dos indultos e indulgências que a igreja tinha de deitar mão para fazer face aos encargos decorrentes da sua actividade.


Lembro de a minha mãe comprar os indultos e as Bulas, vendidas pelo Sr. Vigário saudoso Padre António Afonso Ribeiro. Compradas para produzirem efeitos na Semana Santa, isentavam de jejum em alguns dias da quaresma com excepção da sexta feira santa.


De jejum andava a generalidade da população tais eram as dificuldades, mas sempre se comia sopa e uma fatia de pão com conduto, toucinho februdo que temperava a sopa durante a semana, uma farinheira ao sábado que normalmente rebentava na panela e tinha de se comer de colher, e no domingo por vezes uma chouriça assada tirada ainda fresca do fumeiro antes de ir para congalhada...


Quando a geada era mais forte e o telhados ficavam russos dizia a minha mãe que vamos ter fumeiro estaleiro, de estalo, bom, de regalo...
Para ler os indultos convirá clicar duas vezes no texto para se ampliar a letra.
A ideia de publicar estes documentos que são raros e têm tendência a desaparecer, é para que aqui se constitua uma memória de coisas simples que retratem a vida dos nossos pais e avós e que alguns de nós ainda relembramos.

A propósito de bulas e indultos não deixo de, sem por em causa as fés de cada um, de relembrar uma quadra que tantas vezes de viola assestada cantei, quando cheio de certezas e "tchanias" percorria as ruas da terra deles em serenatas, e, na Casa do Povo em intervalos entre drama e comédia se variava em variedades de Cânticos Negros, fados e na altura música de intervenção.

Nasci,
logo a meus pais custou dinheiro.
O baptismo,
que Deus nos dá de graça.
Fui crescendo,
e lá estava o mealheiro.
Na igreja,
onde eu ia pedir graça.


...e por aí fora...

Nem a propósito, no próximo sábado dia 19 de junho o Padre Álvaro (cuco) também da terra deles, vai baptizar o meu neto Tomás, filho do Pedro, na paróquia da Ameixoeira, Lumiar, Lisboa
Ele há cada coincidência!!!

Nota: Os documentos foram fornecidos pelo José Geada a quem agradeço.

Manuel Peralta

Cachorro estimulado

Nesta secção pretendo trazer a lume, não para queimar claro mas apenas para aquecer, aqueles ditos e expressões com que os nossos pais nos mimoseavam quando nada de bem fazíamos, desacerto nas contas, erros nas cópias, calças rôtas ou, quando já mais rapazes,arebitávamos a cartuchada quando nos mandavam de "taleiga" ir ao farélo à ti Maria de Jesus na arrecadação do Sr. Trigueiros ou ao carvão ao Sr. António Campinhos.
Óbviamente que estou a falar de tempos em que os filhos obedeciam aos pais...

Era assim:


Tens namorar de burro em quelha apertada.

Reparem na força destas palavras... namorar, burro, quelha, apertada...

Quando já com buço, e depois de chamados só à terceira vez respondíamos, no sobrado arrastávamos os tropeços ou os bancos e de rabo alçado saíamos de casa batendo trinco e porta...
Claro que aquele namorar, ainda por cima de burro e em quelha apertada só podia ser coice... em quelha apertada córre-se, espinoteia-se, cai-se da albarda se ele a levar.
Tu tens namorar de burro em quelha apertada mas eu tiro-te a albarda... vai e despacha-te que fecha às cinco.

Manuel Peralta

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Jaculatórias - Orações

Sempre que o inimigo tentava as angélicas criaturas, o rumor do pecado aparecia, a devoção periclitava nos afazeres rurais e domésticos, e a ausência de fé originava tumultos então os que podiam compravam indultos.
Outros rezavam, e, já com fé, afastavam entre rezas e cantos os tormentos que apoquentavam a alma e elevavam ao céu as suas preces.
Como esta.

Fuja de mim o pecado
Cresça em mim a devoção
Que eu à Virgem Maria
Entrego o meu coração...

Credo... credo... credo...
Aleluia... aleluia
Arrebenta infernal
Deixa esta criatura que não é tua...

Recolha oral de Maria de Lurdes da Paixão

Manuel Peralta

terça-feira, 8 de junho de 2010

Manuel Geada investiga o Tobias

Depois de consultar uma bíblia também cheguei à mesma conclusão que o João Manuel.
Os nomes de Tobito e de Tobias tendem a ser confundidos um com o outro em alguns textos, sobretudo da Vulgata e outras versões.
A bíblia que inicialmente terá sido redigida em aramaico (1), na tradução para Setenta (ou grega), aparece o nome de Tobito pai, e Tobias filho.
O nome de Tobite (abreviatura hebraica de Tôbiyyâh, quer dizer “Deus é bom”, ou “o meu bem está em Deus”).
Na tradução para a Vulgata (ou latina), é Tobias pai, e Tobias filho.
Neste caso vamos usar a versão Vulgata.
Uma noite Tobias pai, deitou-se no pátio da sua casa junto a um muro, deixando a face descoberta por causa do calor. Ignorava que havia pássaros no muro e, tendo os olhos abertos recebeu os excrementos quentes dos pássaros, que deram origem a umas manchas brancas.
Procurou médicos para o tratarem mas, quanto mais remédios lhe davam, mais o cegavam por causa das escamas (2), até que perdeu a vista.(Ficou cego durante quatro anos).
Tobias filho partiu então acompanhado pelo Arcanjo São Gabriel “Deus cura” à procura de um remédio para a doença do pai.
Ao chegar a um determinado sítio, São Gabriel sugeriu a Tobias que apanhasse um peixe para lhe extrair o fel, e com ele curar a cegueira do pai.

(1) Grupo de línguas semitas falada pelos habitantes da Síria e Mesopotânea, povoadas pelos descendentes de Araão.
(2) Laminazinha que se separa da epiderme, em consequência de certas moléstias.

Captura do peixe.
Pintor anónimo lombardo século XVII


A Cura de Tobias (1635)
Bernardo Strozzi 1581-1644


Fotos wikipedia

Manuel Geada