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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sem Liberdade

Não, não é ainda por enquanto, de forma explícita, a liberdade de expressão que está em causa, mas uma outra igualmente fundamental que deriva da falta de liberdade no acesso à sua residência, à sua rua, ao seu quintal e até pasme-se ao local de trabalho.
Os moradores das ruas do Arrabalde, Travessa do Arrabalde, Marques Mingacho e rua da Canada estão impedidos de usufruir de uma liberdade aparentemente comezinha mas que autarcas a meio tempo na vila e a tempo inteiro na cidade, têm negligenciado causando elevados incómodos, nervos, rixas e outros transtornos aos moradores das referidas ruas, há vários anos.
Sabia que, qualquer morador daquelas ruas se tiver garagem e necessitar de sair de carro no sábado, tem de o tirar de véspera?
E acha curial que, tendo garagem, tenha de estacionar o carro, durante a noite, na rua, onde pode ser roubado?
Sabia que, a ausência de acesso livre impede que pessoa doente possa ser evacuada pelo INEM ou pelos bombeiros em viatura?
E se por ali houver um incêndio, (há prédios de três andares) quem responde pelos prejuizos da falta de acesso pelos meios de combate?
Que caso necessite de levar para casa pessoa idosa com dificuldades de locomoção só o poderá fazer transportando-a ao colo ou em carro de rodas para pessoa deficiente motora?
Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado... fado de Alcains, claro, mas principalmente é o fado dos moradores das referidas ruas que, todos os sábados, vivem esta situação que cerceando a liberdade de acesso às suas residências, impede a fruição do espaço público ficando por este facto diminuidos na sua cidadania.
Questão menor poderá opinar quem me lê...mas, os moradores que perderam esta liberdade, este direito elementar de cidadania decerto me entendem bem...
Se pretender sair de carro da garagem e a mesma estiver obstruída, telefona-se para a GNR ou PSP e estas autoridades resolvem a situação.
Em Alcains, naquelas ruas de autoridade ausente, vegeta-se numa espécie de interlúdio, um misto de face autárquica oculta e um acre sabor africano dos mercados de Bandim e Pé na Tchon...
Abaixo assinados, protestos nas Assembleias de Freguesia, na Juntas de ontem e de hoje, promessas de compra de terreno, umas escritas em papel em programas eleitorais, outras silabadas por quem promete que Alcains deve, ou vai ter tudo o que uma sede de concelho deve ter!!!
Então por que razão não se muda o local do mercado semanal?
Será que se espera pela inauguração do balcão do cidadão para se requisitar tal mudança?


Quem por ali passa não deixa de se impressionar com o estado a que Alcains chegou...espias nas grades, lixo, necessidade fisiológicas feitas em pleno espaço público, lixo, acessos vedados, muito lixo, violência verbal, ainda mais lixo, silêncio angustiante de moradores que tendo razão se curvam à ausência de lei, à ausência de autoridade autárquica e policial, onde a razão do mais forte prevalece, qual selva predadora de vítimas sem defesa na sua própria rua, na sua própria casa.
Esta é a realidade angustiante, nervosa, vivida semanalmente por heróicos e martirizados Alcainenses impedidos há vários anos de serem livres de fruir em plenitude a sua casa na sua própria terra.

Manuel Peralta

terça-feira, 27 de abril de 2010

Lenga-Lenga

Arco de Vela

Sempre que, em dias normalmente de trovoada, no céu se avistava um arco-íris, a que canalha e adultos apelidavam de arco de vela, era certo que se entoava em voz alta na rua ou à janela a seguinte lenga-lenga.

Arco de Vela
Por água se espera.
Se água não chover...
O tempo tempéra


O arco íris, popularmente designado por arco de vela, ocorria sempre que chovia e ao mesmo tempo fazia sol.
A refracção da chuva através da luz solar obtinha o efeito arco íris na plenitude das suas cores.
Cantava-se então a plenos pulmões o seguinte.

Está a chover e a fazer sol
Nossa Senhora a estender o lençol
E as bruxas no paiol.
de memória de
Manuel Peralta

quarta-feira, 24 de março de 2010

Boa Notícia

Desta vez a REFER, antiga CP, lembrou-se não só, mas também de Alcains.
A foto mostra o investimento em curso na electrificação da linha do caminho de ferro, na passagem superior sobre a linha e modernização da estação.
Observada do lado da estação no sentido de quem olha para Castelo Branco, pode ver-se passagem superior em fase de construção.

Do lado da charca tendo para trás ambos os Escalos, os de Cima e os de Baixo, podem ver-se os pilares que vindo do lado dos Celeiros suportarão a passagem superior sobre a linha.

Presenciei na passada semana, grande azáfama no local, muitos trabalhadores, muito movimento no restaurante "O Cantinho" da estação e vim com a certeza de que a imagem que temos da estação e de toda a envolvente vai ser radicalmente alterada.
Pode ser que em futuro próximo Alcains fique cada vez menos, a ver passar combóios...
A REFER está de parabéns face às obras e ao investimento em curso.

Manuel Peralta

Ditos e Mexericos

Os meus pais quando namoradeiros, viviam numa travessa da rua do Degredo paredes meias com todos os vizinhos, entremeados de quintais e animais...
O galinheiro, a coelheira, o furdão, o canto da lenha e tudo o que mais venha.
A minha mãe lavava em alguidar de barro, as colheres de alumínio, uma ou outra cocharra, parcos pratos de resmalte na varanda que dava para o quintal.
Sempre que a minha mãe lavava a loiça, o meu pai cá da rua e para lhe chamar a atenção, atirava-lhe com pequenas pedras.
Respondia então a minha mãe.

Não me atires com pedrinhas,
Que estou a lavar a loiça.
Atira-me antes beijinhos,
Com que a minha mãe não oiça.

Recolha oral de Maria de Lurdes Paixão.

Manuel Peralta

terça-feira, 23 de março de 2010

Lenga... Lenga

Vamos jogar ao eixo e ribaldeixo...

Eixo
Ribaldeixo
Caramel ao pé do eixo...


1 - Perú
2 - Bois
3 - Inglês
4 - Arroz no prato
5 - Mari dos brincos
6 - Mari dos Rês (pátéta)
7 - No cú tóspéto
8 - Biscoito
9 - Vês um bode
10 - Vai lavar os pés.

Cantei e brinquei muita vez com esta lenga lenga, jogando ao eixo, saltando sobre as costas curvadas de catchôpos e catchópas e aprendendo a contar até dez.
Quando se chegava ao sete, ao saltar, dava-se um ligeiro tóque com o pé no rabo de sobre quem se saltava...
No seis havia uma referência a uma rapariga, mulher que era a Maria dos Reis (pátéta), já falecida, que moravam numa casa com grande tapada anexa a caminho da estação da CP.
A casa ainda existe, mas entretanto vieram morar para uma casa na rua do Espírito Santo que tem um painel exterior em granito, a ser preservado no futuro...
Páteta, porque era pocatchinha...
Frequentadora das comédias na praça, vinha sempre de tropêço para se sentar.
Nesta brincadeira que por vezes durava uma boa manhã, também se treinava a destreza no saltar... pois, como uns e outras eram mais ou menos altos ou altas, os rapazes quando eram as raparigas a saltar, levantavam-se um pouco para elas caírem e ficarem abraçadas... ou ficarem com as pernas ao léu...

Manuel Peralta