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terça-feira, 23 de março de 2010

Não acordes cão que dorme...

Texto de email remetido à ASAE, em 15 de Janeiro de 2010, alertando para a falta de segurança na Zona de Lazer-Espaço Lúdico da Vila de Alcains, do Concelho e Distrito de Castelo Branco.
Foi igualmente dado conhecimento às autarquias (câmara e junta) e à Srª Governadora Civil.
O Dr. Fernando Serrasqueiro, natural do Concelho de Idanha-a-Nova é o Secretário de Estado que tutela a ASAE.
De acordo com o site da ASAE, esta instituição é responsável pela segurança em empreendimentos de turismo da natureza, recintos de lazer, e infraestruturas com equipamentos de diversão e lazer.


Pelo presente email, PARTICIPO e dou conhecimento da total falta de segurança para as pessoas no referido espaço lúdico.
Atravessado pela ribeira da Líria e por uma linha de água em sentido transversal, com as protecções integralmente danificadas, são um perigo constante para pessos, jovens e crianças que frequentam o local.
Existe um baloiço tipo aranha, e o parque em seu redor tem várias grades de protecção danificadas.
O caudal da ribeira e da linha de água é bastante elevado e está em leito de cheia.
Se por artes do diabo pessoa ou criança cair à água quem é responsável?
Os bebedouros danificados, o pavimento degradado e para juntar a tudo isto, a colocação de ecopontos no local com toda a espécie de lixos e vidros partidos, ameaçam diariamente a segurança das pessoas.
Solicito o favor de uma visita ao local, e se neste empreendimento que pretendia conciliar turismo de natureza em recinto de Lazer, não estiverem garantidas as condições de segurança para os utentes, solicito sejam tomadas as medidas que a situação requer.
Relembro que por estar perto das escolas Preparatória e Secundária, vários alunos por aqui permanecem ao longo do dia, isto é sempre que das escolas se libertam o que acontece com frequência.
Como moro perto sou observador privilegiado da degradação existente.
Aguardo pela acção dos serviços da ASAE:
Melhores cumprimentos

Até hoje sem resposta.
Forte com os fracos... Fraca com os fortes... será?

Manuel Peralta

domingo, 21 de março de 2010

C(ã)ontrastes

Do bonito...



A foto mostra uma boa recuperação de uma casa situada na rua Dr. Vicente Sanches, onde viveu a Sr.ª Conceição Carrega e cujo proprietário era o Alcainense Sr.Manuel Carrega, que foi Pároco de Sobreira Formosa.
Em tempos idos, o pároco de Sobreira Formosa deixou de o ser, e foi viver para Lisboa...
Com o falecimento do Joaquim Manuel Carrega Barata Rafael, que era afilhado do Padre Manuel Carrega, e com o falecimento da Maria Manuela Carrega dos Santos (Nélita), os herdeiros decidiram cumprir a vontade do Sr. Manuel Carrega que em vida, terá manifestado desejo de que a sua casa fosse doada para fins sociais.
Assim, por iniciativa da Dª Antónia Carrega Barata, do Francisco Carrega Barata Rafael, e de acordo com os restantes, que eram muitos (herdeiros,) a casa foi doada à Junta da Freguesia presidida por Manuel Martins Marujo.
A Junta da Freguesia efectuou uma boa recuperação do património.


Esta harmoniosa casa, é sede dos Dadores de Sangue da Freguesia de Alcains

...ao feio



Na mesma rua, e no sentido de quem vai do Solar para o largo do Rossio, do lado direito portanto, duas lindas casas, uma muito antiga, outra mais moderna, mas ambas com portados e janelas de granito que ameaçam ruir a qualquer momento.
Trabalho de canteiro artista, harmoniosamente desenhadas e artísticamente trabalhadas, estas pedras(cantarias) fazem parte da nossa identidade, das nossas raízes, da memória de uma sofrida mas nobre profissão que foi a de canteiro, e que corre o risco de desaparecer por completo.
Fonte de preocupação para vizinhos face ao avançado estado de degradação, é um perigo real para quem ali vive e ali passa.
Até quando...

Manuel Peralta

sábado, 20 de março de 2010

Lengalengas


Debaixo da pipa está uma pita.
Pinga a pipa pia a pita.

É o pibabaquígrafo...é o pibabaquígrafo...é o pibabaquígrafo.

Ter dívida dar dádiva de dúvida.

Sugestão:
Treinar, com crianças e adultos.
Deve pronunciar o mais depressa que puder.
Previne dislexias.

Manuel Peralta

Jaculatórias - Orações

A minha mãe, Maria de Lurdes da Paixão, com oitenta e cinco anos, e memória ainda muito desperta, temente a Deus, entrou para a Cruzada quando tinha dez anos, onde aprendeu esta oração. Os cruzados de Alcains, iam à missa e às procissões com alva faixa branca, traçada no peito, com a cruz vermelha dos Cruzados, portanto estou a falar do ano de 1935 em diante.

Ao deitar

Com Deus me deito.
Com Deus me levanto,

Na graça de Deus

E do Divino Espírito Santo
Nossa Senhora me cubra
Com o Seu Divino Manto.


Abraço-me à cruz,

Tenho à cabeceira
O Santo nome de Jesus.
Jesus meu bem,

Livrai-me do inimigo,

Sem rival, tambem.


Nesta cama me deitei,

Meu Divino Senhor,

Não sei se me levantarei.

Confesso-me na vossa graça,

Comungo na vossa lei.

Recolha oral de Maria de Lurdes da Paixão.

Manuel Peralta

sexta-feira, 19 de março de 2010

19 de Março... dia do Pai


O meu Pai

José dos Santos Riscado Paralta, nasceu no Olêdo, Concelho de Idanha-a-Nova e veio para Alcains, órfão de pai, quando tinha três anos.
O seu Pai, meu avô paterno, que não conheci, casou em terceiras núpcias com a minha avó paterna, viúva na altura, que também não conheci, de nome Guilhermina Ferreira, mulher reinadia segundo diz a sua nora, a minha mãe, Maria de Lurdes da Paixão.
Quando o meu avô, em leito de ferro e enxerga de linho repleta de palha triga, se aconchegou com a minha avó, tinha o meu avô oitenta e dois anos, e a minha avó em idade ainda fértil, teria os seus quarenta anos, resultando deste aconchego, em 11 de Abril de 1924, um rapagão, masculino, bem-apessoado, enfim um promissor cavalheiro, a quem deram o nome de José dos Santos Riscado Paralta.
O meu avô, chamava-se José dos Santos Riscado, tinha em Olêdo vários arrendamentos, agricultura extensiva, uma vara (porcos), queijaria, rebanho, que lhe proporcionavam na altura uma vida sem fartura, regrada é certo, mas sem fome por perto, assim conta um sobrinho de meu pai, com noventa e dois anos de idade a residir em Olêdo.
Andava de cavalo, fiscalizando iguais servos da gleba, vestia de surrobeco, armani de fato preto, camisa alva, branca, córada ao sol em barrela de cinza, colête de três botões com corrente de ouro, em relógio de bolso com mostrador de resmalte, e horas em números romanos e minutos otomanos.
De chapéu de aba larga prêto, com cinta cinza, onde enfiava esbelta pena de rouxinol que ondulava ao ritmo do trautear da rês que primorosamente cavalgava.
Este esbelto, e lancinante cavaleiro andante, estava predestinado para ser Paralta... Peralta, mais tarde.
E é precisamente aqui (Hermano Saraiva dixit), neste momento inolvidável, que as famas e eventuais proveitos de meu avô, passaram para meu pai em forma de nome.
Parece um Peralta, diziam uns... parece, não...! é já um Peralta, é o que diz toda a malta!!!
E assim chegou a Alcains, com três anos em 1927, o primeiro Paralta, de nome, José dos Santos Riscado Paralta (Paralta em resultado da herança das famas do pai).
O meu Pai, pouco tempo passou na escola... com o Ti Guitas (falecido) e o Ti Manuel Barrêto (falecido), cedo descobriram o sabor das Maçãs de S. João, das Ervilhas em bico, das Favas sem grão e eram exímios atiradores de calhoadas ao Pinheiro que a Avenida da Levandeira que tudo leva... levou.
Guardou porcos nos Sobreirinhos para o Sr. Pires das Sanches, cortou pedra, marriou, britou.
Com o seu meio irmão ti José Tchurrinho (pai do Palhinhas), já falecido, foi para o Porto, para a foz do Rio Sousa, onde cozinhava cerca de quarenta panelas de ferro, aprendeu a nadar e a comer lampreia, sendo fiscal (apontador) nessa altura a cargo de obras dos Pereiras, o Sr. Adriano Alves Pereira Mateus (recentemente falecido), que viria anos mais tarde a ser meu sogro.
Regressou a Alcains para a tropa, casar e continuar a trabalhar...
Em 25 de Setembro de 1949, pelas 10 horas da manhã, na rua do Degrêdo, em parto pela minha mãe gritado no Degrêdo que se ouvia no Outeiro, assim me contava a ti Maria do Carmo Páposseca (falecida), a ti Maria Angélica Dómenica (falecida) a ti maria José Arrebenta (falecida), com bacias de água quente não só para o rapaz não arrefecer, apareci eu.
Com o seu maior amigo e companheiro de sempre, o ti José Penêdo (falecido), casado com Rosalina Alves (falecida), britaram a pedra para o cinema de Castelo Branco, para alcatroar as estradas então em macadame, até ser descoberto pelo Eng.º Leite de Morais, director da Junta Autónoma das Estradas que o convidou para ser Cantoneiro da dita JAE, por lá passou cerca de quinze anos.
Como o Ezequiel, que tirou curso de noivos e ainda não casou, também o meu pai, nunca exerceu a actividade de Cantoneiro, em cantão distribuído da Fonte do Caldeiro aos Escalos de Cima.
O seu grande amigo José Penêdo emigra, o ti Manuel Camilo (falecido), ferróviário, nosso vizinho e marido da minha mana adoptiva, Maria da Conceição Ambrósio, já então emigrado, envia uma na época desejada carta de chamada, e lá parte o meu pai para a desejada França, como ouvrier.
O meu aproveitamento escolar, então em transição entre Castelo Branco e Coimbra, lubrificou a necessidade de emigrar e foi graças aos meus pais e à França, que tive a vida que tenho tido.
Parti eu para a guerra colonial na Guiné-Bissau e a minha mãe também foi conhecer a Torre Eiffel...
Regressada da França, primeiro a minha mãe e depois de eu me casar, o meu pai, foi Serrador na SOMAL, na pecuária dos Micaelos tratou de vacas e porcos, apicultor por conta própria colhendo cerca de duzentos litros de mel, agricultor, pescador, convidado para matações para matar os marrantchos, perfazerá no próximo dia onze da Abril, 86 anos.
Anda aí de mota, não zangado com a vida, desabafava hoje ao almoço de dia do pai, que a grande pena dele é que no seu tempo, era quase tudo cego... ninguém via o trabalho infantil.
O blogue é pessoal, desculpe-me quem me ler, mas este é o meu testemunho para o meu maior herói. O meu Pai.

Manuel Peralta... 2010, dia do Pai